A visita do presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, à China, para encontro com o presidente Xi Jinping, na noite desta quarta-feira (13), no horário de Brasília, captura a atenção do planeta em meio a guerra no Irã que segue abalando as relações internacionais e a economia global. Vista por Washington como ameaça à liderança econômica e tecnológica que os EUA tentam preservar no mundo, a China foi alvo prioritário da guerra tarifária iniciada por Trump logo no início do 2ª mandato, em abril de 2025. A reação da China às tarifas, incluindo restrições à exportação de terras raras, minerais essenciais para setores da tecnologia e de defesa dos EUA, fez Trump recuar na imposição de altas tarifas aos produtos chinesas. Ao lançar a ofensiva contra o Irã, no final de fevereiro, Trump prejudicou também os interesses de Pequim, principal consumidora do petróleo de Teerã e que deseja ver reaberto o Estreito de Ormuz, por onde transitavam 20% do petróleo mundial antes da guerra. Para analistas consultados pela Agência Brasil, a disputa comercial e tecnológica entre Washington e Pequim pode ser aproveitada pelo Brasil para melhorar a posição do país no cenário global, em especial, devido ao fato de o país ter a segunda maior reserva de minerais críticos do mundo, com cerca de 22%, atrás apenas da China. Trump desmoralizado O encontro entre Trump e Xi Jinping estava marcado para o final de março, mas foi adiado devido à guerra no Oriente Médio, que teria, entre os objetivos, além de projetar Israel, barrar a expansão econômica da China na Ásia Ocidental. O analista geopolítico Marco Fernandes, membro do Conselho Popular do Brics, avaliou que Trump calculou errado que conseguiria derrubar o governo no Irã rapidamente, chegando em Pequim em condições de impor a Xi Jinping acordos mais favoráveis à Washington. “Ele achou que chegaria a Pequim com todas as cartas na mão para pressionar Xi, mas faltou combinar com os iranianos. Agora, Trump está chegando derrotado. Nunca um presidente dos EUA chegou em uma reunião com um presidente da China tão enfraquecido e desmoralizado como Trump agora”, disse. O também analista geopolítico da publicação Brasil de Fato destacou que, mesmo um dos principais ideólogos do imperialismo dos EUA, o neoconservador Robert Kagan, reconheceu, dias atrás, em artigo, que Trump saiu derrotado após tentar derrubar o regime político iraniano. Fernandes destaca, no entanto, que Xi Jinping conseguiu manter o crescimento das exportações chinesas mesmo após o tarifaço de Trump. Ainda assim, a China deve tentar pressionar Trump para pôr um fim definitivo à guerra no Oriente Médio. “Há, claramente, uma triangulação sendo feita, nesse momento, entre Pequim, Moscou e Teerã. Não foi à toa que Araghchi [ministro das Relações Exteriores do Irã] esteve em Pequim na semana passada, e já esteve em Moscou. Rússia e China estão intermediando, pelo Irã, para que haja uma solução pacífica e a guerra termine. Isso seria o principal ponto do encontro para Xi Jinping”, completou. Taiwan Em conversas com jornalistas no início da semana, Donald Trump informou que deve tratar com Xi Jinping sobre a venda de armas dos EUA para Taiwan, província autônoma da China com aspirações de independência política. Pequim não aceita o reconhecimento de Taiwan independente, o que costuma ser expressado na política de “uma só China”. “A firme oposição da China à venda de armas americanas para a região de Taiwan, território chinês, é consistente e clara”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, ao responder aos jornalistas nesta semana. O professor de Relações Internacionais do Ibmec José Luiz Niemeyer, avalia que a China vai cobrar os EUA para não incentivar, de qualquer forma, uma Taiwan independente. “Eles vão ficar discutindo o que cada um poderia fazer nos espaços considerados vitais de cada um. Vão discutir o limite até onde o outro pode ir. Essa vai ser a discussão principal. E os EUA definiram a América Latina como área de defesa de Washington”, explicou. A doutrina do governo Trump tem pregado a proeminência de Washington na América Latina, assim como o combate à influência da China no continente. Pequim é o principal parceiro comercial da maioria dos países na América do Sul, incluindo o Brasil. Até os anos 2000, eram os EUA o principal parceiro das economias sul-americanas. Para o especialista do Ibmec, a China está em uma posição mais confortável nas negociações, tanto que foi Trump que foi a Pequim, e não Xi Jinping que foi a Washington. “Tenho a impressão que essa visita mostra uma necessidade de aproximação dos EUA com a China. Me parece que o encontro tende a dar mais frutos para a agenda chinesa do que para a norte-americana”, completou José Luiz Niemeyer. Terras raras O tema das terras raras também deve estar no centro dos debates entre Trump e Xi Jinping, na avaliação do professor do Ibmec José Niemeyer. Esses minerais são essenciais para as indústrias militar, da tecnologia e da transição energética, com a China liderando a produção desses insumos. “Os EUA precisam muito de dois minerais de terras raras, que é o samário e o neodímio, fundamentais para indústria bélica, para construção de ímãs usados em mísseis. E os EUA não dispõem desses materiais, a China sim”, lembrou. O analista Marco Fernandes ressalta que a indústria dos EUA já tem acesso aos minerais críticos da China, mas pondera que Pequim pode impor novas restrições, como fez durante o tarifaço, que prejudicam os negócios norte-americanos. Na última semana, a China começou a aplicar a lei anti-sanções do país. Aprovada em 2021, ela proíbe que empresas no país reconheçam as sanções dos EUA. A medida foi uma reação a sanções recentes de Washington contra empresas na China que fazem negócios com os iranianos. “Isso é uma novidade na postura da China de ser assertiva em relação aos EUA. Cada vez que os EUA subirem o tom, apostando em sanções e outras medidas anti-chinesas, eles vão dar o troco. Isso é importante porque é um capítulo novo na relação sino-americana”, completou Marco. Brasil entre China e EUA As relações entre China e EUA são importantes
Desafio do TSE é conter uso ilegal de IA na eleição, diz Nunes Marques
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, disse nesta terça-feira (12) que o tribunal terá o desafio de combater o uso inadequado da inteligência artificial nas eleições de outubro. No início da noite de hoje, o ministro tomou posse como presidente da Corte e vai comandar o pleito eleitoral, que elegerá o presidente da República, deputados federais, estaduais, distritais, governadores e senadores. No discurso de posse, o novo presidente disse que a utilização inadequada da tecnologia ameaça o processo democrático. “Devemos estar atentos a tecnologias, que, quando mal utilizadas, podem representar ameaças ao nosso processo democrático. Vivemos em uma era em que as campanhas eleitorais não chegam às urnas sem atravessar algoritmos, em que a disputa política já não se desenvolve nas ruas e nos espaços tradicionais da vida pública, mas também no ambiente digital”, afirmou. Em março deste ano, a Corte aprovou limitações para o uso de IA nas campanhas. O presidente também disse que o pleito de outubro será um dos mais importantes desde a redemocratização do país e deverá ter o eleitor como protagonista. “O voto não constitui mero ato formal de participação política, representa expresso de pertencimento cívico, de dignidade democrática e de confiança nas instituições da República. O processo eleitoral de um país verdadeiramente democrático deve ter como protagonista seus eleitores”, destacou. Eleições limpas O novo presidente afirmou que o TSE vai cumprir seu papel institucional de garantir eleições limpas a transparentes. “Reputo essencial que o Tribunal Superior Eleitoral cumpra com sua missão constitucional de organizar, orientar e fiscalizar as eleições, para sejam eleições limpas e transparentes”. Urnas eletrônicas Nunes Marques também defendeu o sistema eletrônico de votação e disse que o mecanismo é um “patrimônio da democracia”. “O sistema eletrônico de votação brasileiro constitui patrimônio institucional da nossa democracia. No tocante à apuração, recepção e divulgação dos votos, o nosso sistema é o mais avançado do mundo”, completou. Perfil Natural de Teresina, Kassio Nunes Marques tem 53 anos e foi indicado ao Supremo, em 2020, pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para ocupar a vaga deixada pelo ministro aposentado Celso de Mello. Antes de chegar ao Supremo, atuou como desembargador do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região, sediado em Brasília. Também foi advogado por cerca de 15 anos e juiz do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Piauí. O mInistro André Mendonça será o vice-presidente do TSE. Ele tem 53 anos e chegou ao Supremo em dezembro de 2021, indicado por Bolsonaro. O ministro tem doutorado em direito pela Universidade de Salamanca (Espanha). Foi servidor de carreira da advocacia pública federal entre os anos de 2000 e 2021. Ele também exerceu os cargos de advogado-geral da União e ministro da Justiça durante o governo Bolsonaro.
Operação contra desvio no tapa-buraco prende sete pessoas e apreende R$ 429 mil em dinheiro vivo em Campo Grande
A Operação Buraco Sem fim, deflagrada na manhã desta terça-feira (12), em Campo Grande, encontrou cerca de R$ 429 mil reais em espécie nas casas de suspeitos alvos de busca. A ação investiga supostos desvios milionários e fraudes em contratos de manutenção viária e tapa-buracos na capital. Somente na casa de um servidor foram encontrados R$ 186 mil em espécie. Em outro imóvel havia a quantia de mais de R$ 233 mil, também em dinheiro vivo. Conforme o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), responsável pela operação, foram cumpridos 7 mandados de prisão preventiva e 10 de busca e apreensão. Um dos locais alvos da operação foi a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep). Entre os presos estão o ex-secretário de Obras de Campo Grande e atual diretor da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos de Mato Grosso do Sul (Agesul), Rudi Fiorese. Em nota, a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística de Mato Grosso do Sul (Seilog), responsável pela Agesul, disse que tomou conhecimento da operação, mas não é alvo da operação. A pasta também afirma que Rudi Fiorese “figura por sua atuação anterior na Secretaria de Obras da capital, período ao qual a investigação se restringe”. O Governo de Mato Grosso do Sul decidiu exonerar Rudi Fiorese do comando da Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos) após a prisão do engenheiro durante operação deflagrada nesta terça-feira (12) pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), braço do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul). Sete pessoas foram presas: O grupo, segundo o MP, manipulava medições dos serviços para receber pagamentos por trabalhos que não foram feitos corretamente — ou que nem chegaram a ser realizados. Segundo o documento, o esquema teria causado desvio de dinheiro público, enriquecimento ilícito dos envolvidos e contribuído para a má qualidade das vias da cidade. A investigação aponta que, entre 2018 e 2025, a empresa alvo da operação recebeu mais de R$ 113,7 milhões em contratos e aditivos com o poder público. Os mandados foram autorizados pela Justiça em uma apuração sobre crimes contra a administração pública e outros delitos relacionados. Durante as buscas, os investigadores encontraram pelo menos R$ 429 mil em dinheiro vivo. Em um dos endereços, ligado a um servidor, foram apreendidos R$ 186 mil em espécie. Já em outro imóvel alvo da operação, havia R$ 233 mil em notas de real. Parte dos presos desta terça-feira também já havia sido alvo da operação “Cascalhos de Areia”, deflagrada em 2023 pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul com apoio do Batalhão de Choque da Polícia Militar. Na ocasião, o MPMS investigava uma suposta organização criminosa suspeita de fraudar contratos de manutenção de vias não pavimentadas e de locação de máquinas e veículos para a Prefeitura de Campo Grande, em contratos firmados entre 2017 e 2022. Segundo a investigação de 2023, o grupo teria movimentado mais de R$ 300 milhões em licitações e contratos. O contrato que deu origem à apuração havia sido assinado em 2018. Na época, o MPMS apontou suspeitas de crimes como fraude em licitação, corrupção, peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
PF combate grupo criminoso ligado ao tráfico internacional de drogas em Ponta Porã
A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (12/5), a operação Fornax, com o objetivo de combater tráfico internacional de drogas e organizações criminosas atuantes na região de fronteira em Mato Grosso do Sul. Foram cumpridos 13 mandados de prisão preventiva, 9 de prisão temporária, 47 de busca e apreensão e 12 ordens de bloqueio de ativos financeiros. As investigações tiveram início em junho de 2023, após a apreensão de quase duas toneladas de maconha em Ponta Porã. A partir da ocorrência, foi identificada a atuação de uma organização criminosa especializada na importação de drogas pela faixa de fronteira. Ao longo da investigação, foram realizadas sete apreensões, totalizando cerca de 16 toneladas de drogas retiradas de circulação. Também foram identificados estabelecimentos comerciais utilizados pelo grupo criminoso para ocultação e para movimentação de recursos financeiros, como academias, padaria, açougue e oficinas mecânicas.
SES divulga nota reforçando vigilância e MS segue sem casos confirmados de hantavirose há 7 anos
A SES (Secretaria de Estado de Saúde) divulgou nota informativa reforçando as medidas de vigilância, prevenção e assistência relacionadas à hantavirose, zoonose viral aguda transmitida principalmente pela inalação de partículas presentes na urina, fezes e saliva de roedores silvestres infectados. Mato Grosso do Sul não registra casos confirmados desde 2019. Neste momento, existe 1 (um) caso suspeito de hantavirose em investigação em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, de acordo com informações repassadas à SES. O paciente deu entrada como caso suspeito de Leptospirose, mas o protocolo determina que sejam feitos exames relacionados a outras doenças com sintomas parecidos. Preparação e resposta Segundo a superintendente de Vigilância em Saúde da SES, Larissa Domingues Castilho de Arruda, o Estado mantém estrutura permanente de preparação e resposta para doenças de potencial impacto à saúde pública. “Mato Grosso do Sul possui protocolos alinhados às diretrizes do Ministério da Saúde, com ações integradas de vigilância epidemiológica, monitoramento laboratorial, capacitação das equipes de saúde e educação em saúde”, afirma. A SES destaca ainda que o plano estadual de contingência para desastres provocados por chuvas intensas inclui a hantavirose entre os agravos prioritários monitorados pela vigilância estadual. A condução das ações segue os protocolos nacionais e os instrumentos estaduais de resposta integrada em Saúde Única. De acordo com os manuais do Ministério da Saúde, os maiores registros da doença concentram-se nas regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste do país, principalmente em áreas rurais e em atividades ligadas à agricultura. Trabalhadores rurais e profissionais envolvidos na limpeza de depósitos, silos, galpões e ambientes fechados estão entre os grupos mais expostos. Os sintomas iniciais da doença podem incluir febre, dores musculares, dor abdominal, cansaço intenso, náuseas e vômitos. Em casos graves, a hantavirose pode evoluir rapidamente para comprometimento pulmonar e cardiovascular, exigindo atendimento médico imediato. Como medidas preventivas, a orientação é evitar acúmulo de lixo, entulhos e restos de alimentos; armazenar grãos e rações em recipientes fechados; vedar frestas em residências e depósitos; e realizar limpeza de ambientes fechados somente após ventilação mínima de 30 minutos. Também é recomendado não varrer locais com sinais de roedores, utilizando pano úmido e solução desinfetante para evitar a formação de aerossóis contaminados. Em situações de risco ocupacional, a SES orienta o uso de equipamentos de proteção individual, como máscaras PFF3, luvas, avental e óculos de proteção. Para prevenção, também são necessárias ações contínuas de higiene, controle ambiental e comunicação em saúde, medidas já desenvolvidas pelas equipes de vigilância no Estado. Mato Grosso do Sul conta ainda com sistema de vigilância com unidades sentinelas, permitindo maior rapidez na identificação de ameaças e adoção de respostas oportunas. Nota Informativa Hantavirose 2026 Danúbia Burema, Comunicação SES
União Europeia veta compra de carne brasileira a partir de setembro
A União Europeia anunciou nesta terça-feira (12) a exclusão do Brasil da lista de países autorizados a exportar carnes e produtos de origem animal para o bloco europeu. A medida passa a valer em 3 de setembro e foi tomada porque, segundo as autoridades europeias, o Brasil não apresentou garantias suficientes sobre o controle do uso de antimicrobianos na pecuária. Na prática, isso significa que produtos brasileiros como carne bovina, carne de frango, ovos, mel, peixes e animais vivos destinados à alimentação poderão deixar de entrar no mercado europeu caso o governo brasileiro não consiga atender às exigências sanitárias até a data-limite. A decisão foi confirmada pela Comissão Europeia e ainda precisa ser formalizada no diário oficial da União Europeia para produzir efeitos legais definitivos. A União Europeia mantém uma lista de países considerados aptos a exportar produtos de origem animal ao bloco. Para integrar essa relação, cada país precisa comprovar que segue as normas sanitárias europeias. O Brasil estava autorizado até agora, mas acabou retirado da lista após a revisão das regras ligadas ao uso de antimicrobianos na criação animal. Outros países do Mercosul, como Argentina, Paraguai e Uruguai, permaneceram autorizados a exportar normalmente para o bloco europeu. Entenda substâncias Antimicrobianos são medicamentos usados para combater microrganismos como bactérias, vírus, fungos e parasitas. Na pecuária, essas substâncias podem servir tanto para tratar doenças quanto para estimular o crescimento dos animais e aumentar a produtividade. A União Europeia proíbe especialmente o uso de antimicrobianos que também são importantes para tratamentos médicos em humanos. O objetivo é evitar a chamada resistência antimicrobiana, situação em que bactérias passam a resistir aos medicamentos. Entre os produtos restritos pelos europeus estão substâncias como virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina. O bloco europeu considera que o Brasil ainda não demonstrou de forma suficiente que essas substâncias deixaram de ser usadas ao longo de toda a cadeia produtiva animal destinada à exportação. Como afeta o Brasil A União Europeia é um dos principais mercados para as proteínas animais brasileiras. No caso da carne bovina, o bloco europeu aparece entre os maiores destinos das exportações brasileiras em valor. Além da carne bovina, a medida pode afetar exportações de aves, ovos, mel, peixes, equinos e produtos derivados de origem animal. O problema não significa necessariamente que a carne brasileira esteja contaminada. O principal ponto da decisão europeia é regulatório e envolve rastreabilidade sanitária, certificação e comprovação documental sobre o uso dos medicamentos. Para voltar à lista, o Brasil precisará comprovar que cumpre integralmente as regras europeias durante todo o ciclo de vida dos animais exportados. Caminhos possíveis Em abril, o governo brasileiro publicou uma portaria proibindo parte dos antimicrobianos utilizados como melhoradores de desempenho animal. Mesmo assim, a União Europeia avalia que ainda faltam garantias adicionais. O Brasil tem dois caminhos para reverter a situação: ampliar as restrições legais aos medicamentos restantes ou criar mecanismos mais rígidos de rastreabilidade para provar que os produtos exportados não utilizam essas substâncias. A segunda alternativa é considerada mais complexa porque exige monitoramento detalhado da cadeia produtiva, certificações sanitárias adicionais e custos maiores para produtores e frigoríficos. Setor reage Entidades do agronegócio brasileiro afirmaram que trabalham em conjunto com o Ministério da Agricultura para atender às exigências europeias antes da entrada em vigor da medida. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) afirmou que o Brasil continua habilitado a exportar carne bovina ao mercado europeu até setembro e disse que o setor tem sistemas robustos de controle sanitário e rastreabilidade. Já a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) declarou que o país cumpre as normas internacionais e prestará esclarecimentos técnicos às autoridades europeias. Representantes do setor de mel também criticaram a decisão. Segundo a Associação Brasileira dos Exportadores de Mel, o Brasil é um dos maiores produtores de mel orgânico do mundo e não haveria justificativa técnica para restrições ao produto. Pressão europeia A decisão ocorre poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, tema que enfrenta resistência de agricultores europeus, especialmente na França. Na segunda-feira (11), o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) anunciou que o Brasil tinha começado a exportar carnes bovina e de aves ao mercado europeu com alíquota zero, por causa do regime de cotas do acordo. Apesar disso, a medida sanitária não faz parte diretamente do acordo comercial. As regras sobre antimicrobianos fazem parte da política europeia de segurança alimentar e saúde pública conhecida como One Health, criada para combater o uso excessivo de antibióticos no mundo. O comissário europeu para Agricultura, Christophe Hansen, afirmou nesta terça que os produtores europeus seguem regras sanitárias rigorosas e que os produtos importados precisam obedecer aos mesmos padrões. Agência Brasil * com informações da Agência Lusa
CAM recebe moderno ultrassom morfológico para atender gestantes de alto risco
Centro de Atendimento à Mulher recebe novos aparelhos adquiridos com recursos próprios da prefeitura, além de emenda coletiva de deputados estaduais, e aquisição representa um avanço importante para a saúde pública de Dourados, já que o procedimento não integra a tabela regular do Ministério da Saúde. O Centro de Atendimento à Mulher (CAM), em Dourados, voltará a oferecer nos próximos dias exames de ultrassom morfológico para gestantes atendidas pela rede pública de saúde. Dois novos aparelhos já foram instalados na unidade e as equipes técnicas passarão por capacitação ainda nesta semana antes do início dos atendimentos. Na manhã desta terça-feira (12), o prefeito Marçal Filho esteve no local acompanhado da deputada estadual Lia Nogueira e do secretário municipal de Saúde, Márcio Figueiredo, para vistoriar a entrega dos equipamentos. O ultrassom morfológico é considerado um exame essencial para avaliação detalhada do desenvolvimento fetal. Diferente do ultrassom convencional, ele permite analisar com mais precisão a formação de órgãos como coração, cérebro, rins e outras estruturas do bebê, além de acompanhar crescimento, desenvolvimento e possíveis alterações ainda durante a gestação. A aquisição representa um avanço importante para a saúde pública de Dourados, já que o procedimento não integra a tabela regular do Ministério da Saúde. Os equipamentos foram comprados com recursos próprios da Prefeitura de Dourados, além de recursos assegurados por meio de emenda coletiva da bancada estadual, com participação dos deputados estaduais Lia Nogueira, Gleice Jane e Neno Razuk. Segundo o secretário municipal de Saúde, Márcio Figueiredo, a implantação do exame fortalece a linha de cuidado materno-infantil no município. “Essa estratégia permite antecipar riscos e proporcionar um cuidado muito mais preciso e humanizado para as famílias douradenses e da região. É um reforço importante para a linha de cuidado materno infantil, garantindo assistência integral desde o pré-natal até o puerpério”, destacou. Márcio explicou ainda que os novos aparelhos substituem equipamentos antigos utilizados há vários anos e oferecem tecnologia mais avançada, garantindo maior precisão nos diagnósticos. “A qualidade das imagens melhora tanto a avaliação do profissional quanto a experiência da paciente. Também instalamos monitor para que a gestante acompanhe o exame em tempo real”, afirmou. O exame será destinado prioritariamente para gestantes de alto risco. O acompanhamento pré-natal continuará sendo realizado nas unidades básicas de saúde e, quando houver necessidade de exames especializados ou acompanhamento diferenciado, as pacientes serão encaminhadas ao CAM via regulação. O prefeito Marçal Filho ressaltou a importância do investimento para fortalecer o atendimento às gestantes da rede pública e agradeceu o apoio dos parlamentares estaduais. “Estamos ampliando o cuidado com as gestantes de Dourados e garantindo um atendimento mais moderno, humano e seguro para as futuras mães e seus bebês”, enfatizou. “O ultrassom morfológico é um exame extremamente importante porque permite identificar precocemente possíveis alterações e acompanhar a saúde da criança com muito mais precisão”, completou o prefeito. Para a deputada Lia Nogueira, investir em estrutura é garantir mais qualidade no atendimento à população. “Tenho compromisso com Dourados e com melhorias que realmente impactam a vida das pessoas. Esse novo equipamento fortalece o atendimento às mulheres e oferece mais qualidade para as gestantes que precisam desse acompanhamento especializado”, declarou. A coordenadora do CAM, Eliana Polotto, destacou que os aparelhos também poderão ser utilizados para outros tipos de exames, como ultrassonografia de abdômen, articulações e avaliação de DIU, ampliando o atendimento tanto para gestantes quanto para o público geral. Segundo ela, o CAM realiza atualmente mais de 3 mil atendimentos mensais, média de cerca de 300 procedimentos por dia, incluindo consultas ginecológicas, mastologia, patologia cervical e procedimentos como vasectomia.
Guarda Municipal reforça ações de apoio às pessoas em situação de rua durante onda de frio
O frio chegou com intensidade em Dourados nesta semana e a Prefeitura de Dourados, por meio da Guarda Municipal, intensificou as ações de apoio às pessoas em situação de rua com a entrega de cobertores em diversos pontos da cidade. Com temperatura mínima de 5,5°C registrada na segunda-feira (11) e de 4,8°C nesta terça-feira (12), as equipes percorreram praças, parques, áreas comerciais e outros locais onde há maior concentração de pessoas em vulnerabilidade social. Ao todo, 20 cobertores foram entregues para amenizar os efeitos das baixas temperaturas durante a noite. Durante as abordagens, além da distribuição dos cobertores, as equipes também oferecem acolhimento na Casa da Acolhida, ficando a critério de cada pessoa aceitar ou não o encaminhamento. O comandante da Guarda Municipal, Jamil da Costa Matos, destacou que a ação atende a uma determinação da gestão do prefeito Marçal Filho para reforçar o atendimento humanizado às pessoas em situação de vulnerabilidade durante o período de frio intenso. “Todas as viaturas da Guarda Municipal estão equipadas com cobertores para atendimento imediato”, explica. “Essa é uma orientação da gestão do prefeito Marçal Filho para que as pessoas em situação de vulnerabilidade recebam assistência, acolhimento e mais dignidade durante este período de baixas temperaturas”, ressalta Jamil Matos. “Além da entrega dos cobertores, também ofertamos encaminhamento para a Casa da Acolhida, buscando garantir proteção e segurança para quem mais precisa”, afirmou o comandante. A ação é realizada tradicionalmente durante os períodos de frio em Dourados e continuará ao longo desta semana, que segue com previsão de noites geladas. A iniciativa conta ainda com apoio da Secretaria Municipal de Assistência Social, Defesa Civil e instituições parceiras. A população também pode colaborar informando locais onde há pessoas em situação de rua ou vulnerabilidade social pelos telefones 153 e 199. A partir do chamado, uma equipe será encaminhada para prestar o atendimento necessário.
Maio Laranja combate violência sexual infantojuvenil e GMD alerta população
A atuação atenta da Guarda Municipal de Dourados em uma ocorrência trouxe à tona um importante alerta defendido pela campanha Maio Laranja: o combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes exige atenção, sensibilidade e resposta rápida diante de qualquer sinal de violência. Na noite de segunda-feira (11), uma adolescente de 15 anos conseguiu pedir ajuda de forma discreta ao acionar a corporação com uma falsa denúncia de incêndio em uma residência na Vila Cachoeirinha. Durante o atendimento, operadores do Centro de Comunicações (Cecom) perceberam sinais de nervosismo e desconforto na fala da jovem, identificando que o chamado poderia esconder um pedido de socorro. A equipe foi imediatamente ao local e constatou a gravidade da situação. A adolescente relatou ter sido vítima de importunação sexual praticada pelo próprio avô, de 78 anos. Segundo a denúncia, os episódios já vinham acontecendo há algum tempo, incluindo abordagens inadequadas e envio de conteúdos pornográficos pelo suspeito. O homem foi detido e encaminhado à Delegacia de Polícia Civil. O Conselho Tutelar acompanhou a ocorrência e a vítima foi levada à Delegacia de Atendimento à Mulher para registro da ocorrência e encaminhamento das medidas de proteção. O caso reforça a importância do Maio Laranja, campanha nacional criada para conscientizar a população sobre a prevenção e o enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes. A mobilização tem como marco o dia 18 de Maio, data que simboliza a luta pela proteção da infância e adolescência em todo o país. Em Dourados, o episódio mostra que a denúncia — mesmo quando feita de forma silenciosa — pode salvar vidas e interromper ciclos de violência. A campanha reforça que toda a sociedade tem papel fundamental nesse enfrentamento, seja ao identificar sinais, acolher vítimas ou denunciar situações suspeitas pelos canais oficiais, como o Disque 100. A denúncia também pode ser feita à Polícia Militar pelo telefone 190 ou acionando a Guarda Municipal pelo telefone 153 ou 199. “É importante que os familiares estejam sempre atentos e ao perceberem mudanças de comportamento de crianças e adolescentes devem buscar ajuda para investigar eventual violação sexual”, orienta Jamil Matos, diretor-geral da Guarda Municipal de Dourados. MAIO LARANJA Em 2026 registra-se o 26º ano de mobilização do 18 de Maio, “Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes”. Instituída pela Lei Federal 9.970/00, a data é uma conquista que demarca a luta pelos Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes no território brasileiro e já alcançou muitos municípios do nosso país. O Brasil, ao estabelecer o dia nacional, oficializou a necessidade de ações contínuas e coordenadas para proteger crianças e adolescentes da violência sexual. A data alinha-se diretamente aos princípios do Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, que orienta as políticas públicas e ações em todo o território nacional, buscando prevenir, proteger e responsabilizar nos casos de violência sexual, promovendo uma cultura de proteção integral. O objetivo da data é mobilizar, sensibilizar, informar e convocar toda a sociedade a participar da defesa dos direitos de crianças e adolescentes. É urgente garantir a todas as crianças e adolescentes o direito ao seu desenvolvimento de forma segura, protegida e livre do abuso e da exploração sexual. A violência sexual praticada contra crianças e adolescentes envolve vários fatores de risco e vulnerabilidade quando se considera marcadores sociais como as relações de gênero, raça/etnia, orientação sexual, classe social, local de moradia (rural ou urbana), condições econômicas e fatores geracionais. Nessa violação de direito são estabelecidas relações de poder, nas quais tanto pessoas adultas e/ou redes de exploração utilizam crianças e adolescentes para satisfazerem seus desejos e fantasias sexuais e/ou obterem vantagens financeiras e lucros. Nesse contexto, crianças e adolescentes são tratadas como “coisa” e não como sujeitos de direitos – é a “coisificação” das infâncias e adolescências, é o esquecimento da humanidade e da proteção que todas as fases da vida demandam, mas para essas, em especial, são imprescindíveis. A violência sexual está classificada em duas modalidades, o abuso sexual e a exploração sexual, que definem-se, segundo a Lei 13.431/17: Abuso Sexual, entendido como toda ação que se utiliza da criança ou do adolescente para fins sexuais, seja conjunção carnal ou outro ato libidinoso, realizado de modo presencial ou por meio eletrônico, para estimulação sexual do agente ou de terceiro; Exploração Sexual, entendida como o uso da criança ou do adolescente em atividade sexual em troca de remuneração ou qualquer outra forma de compensação, de forma independente ou sob patrocínio, apoio ou incentivo de terceiro, seja de modo presencial ou por meio eletrônico.








