A Operação Buraco Sem fim, deflagrada na manhã desta terça-feira (12), em Campo Grande, encontrou cerca de R$ 429 mil reais em espécie nas casas de suspeitos alvos de busca. A ação investiga supostos desvios milionários e fraudes em contratos de manutenção viária e tapa-buracos na capital.
Somente na casa de um servidor foram encontrados R$ 186 mil em espécie. Em outro imóvel havia a quantia de mais de R$ 233 mil, também em dinheiro vivo.
Conforme o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), responsável pela operação, foram cumpridos 7 mandados de prisão preventiva e 10 de busca e apreensão. Um dos locais alvos da operação foi a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep).
Entre os presos estão o ex-secretário de Obras de Campo Grande e atual diretor da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos de Mato Grosso do Sul (Agesul), Rudi Fiorese.
Em nota, a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística de Mato Grosso do Sul (Seilog), responsável pela Agesul, disse que tomou conhecimento da operação, mas não é alvo da operação. A pasta também afirma que Rudi Fiorese “figura por sua atuação anterior na Secretaria de Obras da capital, período ao qual a investigação se restringe”.
O Governo de Mato Grosso do Sul decidiu exonerar Rudi Fiorese do comando da Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos) após a prisão do engenheiro durante operação deflagrada nesta terça-feira (12) pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), braço do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul).
Sete pessoas foram presas:
- Mehdi Talayeh, servidor da Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos);
- Antonio Bittencourt Jacques Pedrosa, engenheiro civil;
- Rudi Fiorese, ex-secretário municipal de Obras;
- Fernando de Souza Oliveira, servidor da Sisep;
- Antonio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa, produtor rural e dono da Construtora Rial;
- Edivaldo Aquino Pereira, chefe do serviço de tapa-buraco da Sisep;
- Erick Antônio Valadão de Paula (servidor da Sisep).
O grupo, segundo o MP, manipulava medições dos serviços para receber pagamentos por trabalhos que não foram feitos corretamente — ou que nem chegaram a ser realizados. Segundo o documento, o esquema teria causado desvio de dinheiro público, enriquecimento ilícito dos envolvidos e contribuído para a má qualidade das vias da cidade.
A investigação aponta que, entre 2018 e 2025, a empresa alvo da operação recebeu mais de R$ 113,7 milhões em contratos e aditivos com o poder público. Os mandados foram autorizados pela Justiça em uma apuração sobre crimes contra a administração pública e outros delitos relacionados.
Durante as buscas, os investigadores encontraram pelo menos R$ 429 mil em dinheiro vivo. Em um dos endereços, ligado a um servidor, foram apreendidos R$ 186 mil em espécie. Já em outro imóvel alvo da operação, havia R$ 233 mil em notas de real.
Parte dos presos desta terça-feira também já havia sido alvo da operação “Cascalhos de Areia”, deflagrada em 2023 pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul com apoio do Batalhão de Choque da Polícia Militar.
Na ocasião, o MPMS investigava uma suposta organização criminosa suspeita de fraudar contratos de manutenção de vias não pavimentadas e de locação de máquinas e veículos para a Prefeitura de Campo Grande, em contratos firmados entre 2017 e 2022.
- Rudi Fiorese (ex-secretário da Sisep);
- Mehdi Talayeh (engenheiro da Sisep);
- Erick Antônio Valadão de Paula (servidor da Sisep);
- Fernando de Souza Oliveira (servidor licenciado da Sisep).
Segundo a investigação de 2023, o grupo teria movimentado mais de R$ 300 milhões em licitações e contratos. O contrato que deu origem à apuração havia sido assinado em 2018.
Na época, o MPMS apontou suspeitas de crimes como fraude em licitação, corrupção, peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
