Vereadores cobram apuração sobre camas do Hospital da Vida em Dourados

José Ricardo

Vereadores de Dourados cobram explicações sobre camas e macas do Hospital da Vida, após denúncia de deputada estadual.

A denúncia sobre camas e macas hospitalares retiradas do Hospital da Vida ganhou novo desdobramento na Câmara de Dourados. Depois da cobrança feita pela deputada estadual Lia Nogueira na Assembleia Legislativa, vereadores passaram a questionar o armazenamento, a qualidade dos equipamentos e a responsabilidade pela compra do material.

O vereador Inspetor Cabral apresentou requerimento para pedir esclarecimentos ao Executivo. Ele citou a informação divulgada por Lia Nogueira de que camas e macas hospitalares novas, adquiridas com recursos de emenda parlamentar, estariam empilhadas e guardadas em locais impróprios.

Segundo Cabral, se a informação não proceder, a prefeitura precisa esclarecer oficialmente. Porém, se a denúncia for verdadeira, o município deve agir imediatamente.

“Não faz sentido equipamentos novos permanecerem parados enquanto pacientes utilizam estruturas antigas e, muitas vezes, em condições inadequadas”, afirmou Cabral.

Cabral vê falta de gestão

Na Câmara, Inspetor Cabral disse que a situação exige explicações da administração municipal. Para ele, a denúncia de camas descartadas ou fora de uso no Hospital da Vida indica falha de gestão.

“Nós tivemos agora, sexta-feira, uma deputada estadual denunciando camas descartadas no Hospital da Vida. Isso é falta de gestão. Tem o recurso, tem o equipamento e não está sendo usado”, declarou.

Cabral também afirmou que o requerimento deve cobrar informações sobre o destino das camas e das macas. Além disso, ele defendeu a apuração da compra, caso se confirme que o material não atende à necessidade da unidade.

Elias Ishy relata cobrança ao secretário de Saúde

O vereador Elias Ishy também relatou que participou de reunião com o secretário municipal de Saúde para tratar da situação das macas e dos colchões. Segundo ele, a informação recebida é de que os equipamentos seriam resultado de uma licitação antiga, feita em 2024.

Elias afirmou que as macas e os colchões encontrados no local não teriam condições adequadas de uso. Conforme o relato apresentado na Câmara, uma trava central dos equipamentos quebraria quando o paciente sobe na maca.

“A situação das macas, nós estivemos hoje de manhã falando com o secretário a respeito, cobrando essa situação das macas e dos colchões. É uma licitação antiga de 2024, mas as macas que estão lá e os colchões são impossíveis de usar”, disse Elias.

Alex Cadeirante diz que foi ao hospital

O vereador Alex Cadeirante afirmou que recebeu informações sobre o caso na semana passada e foi ao Hospital da Vida verificar a situação. Segundo ele, as camas são frágeis e não oferecem segurança para a rotina hospitalar.

Alex disse que viu uma das camas no depósito do hospital. Na avaliação dele, a estrutura não teria resistência suficiente para suportar situações comuns no atendimento, como a permanência de um paciente deitado e o apoio de outra pessoa na cama.

“Aquelas camas são frágeis. Se uma pessoa estiver deitada e outra pessoa sentar, ela dobra no meio”, afirmou.

O vereador também cobrou a identificação dos responsáveis pela compra. Para Alex, a Câmara precisa saber quem comprou, quanto foi pago e por que o município recebeu equipamentos dessa qualidade.

“Tem que ver quem comprou, qual valor foi pago e por que foi aquela qualidade”, declarou.

Isa Marcondes critica material e diferencia emendas

A vereadora Isa Marcondes também criticou as camas e macas questionadas. Ela afirmou que acompanha a rotina do Hospital da Vida e classificou o material como de péssima qualidade.

Isa disse que as camas obtidas por meio de sua articulação parlamentar seguiram padronização discutida com o secretário de Saúde e com o prefeito. Porém, segundo ela, os equipamentos questionados na denúncia seriam de outro lote e não atenderiam à necessidade do hospital.

“Aquelas camas são de péssima qualidade. Quebram, derrubam paciente”, afirmou Isa.

A vereadora também disse que os equipamentos poderiam ser destinados a locais com menor movimentação de pacientes. No entanto, ela afirmou que o material não serviria para o Hospital da Vida, por causa da intensidade do atendimento.

Márcio Pudim defende solução com diálogo

O vereador Márcio Pudim afirmou que conversou com a deputada Lia Nogueira sobre o caso. Segundo ele, a Câmara deve buscar uma alternativa para dar destinação adequada às camas e evitar prejuízo à saúde pública.

Pudim defendeu diálogo entre os vereadores, a deputada e os responsáveis pela gestão municipal. Para ele, a prioridade deve ser encontrar uma saída que permita aproveitamento correto dos equipamentos, desde que haja segurança para os pacientes.

“Vamos encontrar uma solução, uma alternativa. Quando eu falo nós, eu coloco a Câmara de Vereadores e aqueles vereadores responsáveis que querem o melhor para nossa cidade”, afirmou.

Requerimento deve cobrar compra e responsabilização

Após ouvir os relatos de Elias Ishy, Alex Cadeirante, Isa Marcondes e Márcio Pudim, Inspetor Cabral afirmou que o requerimento será ampliado. Segundo ele, a cobrança deve incluir informações sobre a origem da compra, o processo licitatório, a qualidade do material e eventuais responsabilidades.

Cabral disse que, se os equipamentos foram comprados sem condições adequadas de uso, o caso precisa ser tratado como possível desperdício de dinheiro público.

“Queremos saber quem fez a compra desse material, quando fez e quem será penalizado pela compra desse material”, afirmou.

Caso pressiona gestão da saúde em Dourados

A cobrança aumenta a pressão sobre a administração municipal em uma área sensível. O Hospital da Vida atende Dourados e pacientes de outros municípios da região, o que amplia o impacto de qualquer falha na estrutura hospitalar.

Agora, os vereadores cobram respostas sobre três pontos centrais: onde estão as camas, por que parte dos equipamentos foi retirada de uso e quem autorizou a compra do material questionado.

A discussão, que começou com a denúncia sobre armazenamento inadequado, passou a envolver também a qualidade dos equipamentos. Com isso, a Câmara quer explicações sobre licitação, fiscalização e destinação do patrimônio público.

A Prefeitura de Dourados já havia informado ao Portal RCN67 que não responderia releases de vereadores, deputados ou senadores pela imprensa. Segundo a manifestação atribuída ao secretário de Comunicação, eventual resposta seria encaminhada por ofício à deputada Lia Nogueira.


Adriano Hany

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