A Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF), completa seis meses nesta segunda-feira (18). As seis fases executadas até 14 de maio trouxeram à luz o que pode ser a maior fraude contra o Sistema Financeiro Nacional já registrada no Brasil, causadora de potencial prejuízo de dezenas de bilhões de dólares. A operação também revelou a intrincada teia de relações que o principal alvo da apuração, o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, estabeleceu com políticos; criminosos e servidores públicos de alto escalão. Na lista, figuram diretores do Banco Central (BC), órgão responsável por fiscalizar o sistema bancário, e agentes da própria PF. As investigações acerca do esquema que, segundo a PF, era chefiado por Vorcaro, começou no início de 2024, a pedido do Ministério Público Federal (MPF). Desde então, as provas reunidas motivaram o Poder Judiciário, sobretudo o Supremo Tribunal Federal (STF), a decretar 21 prisões temporárias (de até cinco dias, prorrogáveis pelo mesmo período) ou preventivas (sem prazo para ser revogada), incluindo a do próprio banqueiro. Também foram expedidos 116 mandados de busca e apreensão de provas e autorizações judiciais para o bloqueio e o sequestro de bens em valores próximos a R$ 27,71 bilhões. Os mandados foram cumpridos em sete unidades da Federação: Primeira fase Na primeira etapa da Compliance Zero, em 18 de novembro de 2025, Daniel Vorcaro, 42 anos, foi um dos sete presos. Os agentes federais já vinham investigando os indícios de “fabricação de carteiras de crédito sem lastro financeiro” há quase um ano. Concluíram que tais títulos tinham sido vendidos a outro banco, o Banco de Brasília (BRB), e que após fiscalização do BC, foram substituídos por outros ativos sem avaliação técnica adequada. Além de Vorcaro, outros seis investigados foram presos, incluindo o ex-CEO e sócio no Banco Master Augusto Ferreira Lima. Na ocasião, a 10ª Vara Federal de Brasília também determinou o afastamento dos cargos do então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa (PHC), e do então diretor financeiro do banco estatal do Distrito Federal, Dario Oswaldo Garcia. A primeira fase da operação foi deflagrada um dia após a Fictor Holding Financeira anunciar a intenção de comprar o Banco Master em conjunto com investidores dos Emirados Árabes Unidos. Sete meses antes, a diretoria do BRB tentou comprar o Master por cerca de R$ 2 bilhões, mas o Banco Central (BC) barrou o negócio no início de setembro – dois meses antes de a PF e o Poder Judiciário exporem o que analistas do mercado financeiro já comentavam há tempos: a falta de lastro do Master. Em meio a essas revelações, o BC oficializou a liquidação extrajudicial de instituições financeiras do conglomerado Master, como os bancos Master de Investimento, Letsbank, a Master Corretora de Câmbio, Will Financeira e o Banco Pleno. O BC também decretou indisponíveis os bens dos controladores e ex-administradores do grupo e o Regime Especial de Administração Temporária (Raet) do banco Master Múltiplo S/A. Até o momento, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) gastou aproximadamente R$ 49,5 bilhões para ressarcir clientes do Grupo Master, do Will Bank e do Banco Pleno. Mantido por contribuições obrigatórias das entidades financeiras associadas, o FGC tem o propósito de proteger o sistema financeiro, prevenir crises e resguardar os clientes, garantindo o pagamento de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ em caso de intervenção ou liquidação pelo Banco Central. Segunda Em 14 de janeiro, o Supremo Tribunal Federal (STF) expediu 42 mandados judiciais de busca e apreensão, durante a segunda fase da Compliance Zero. As autoridades também buscavam provas de lavagem de dinheiro. Com autorização do ministro Dias Toffoli, do STF, mais de R$5,7 bilhões dos investigados foram bloqueados. O pastor da igreja Lagoinha de Belo Horizonte Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, chegou a ser detido quando tentava embarcar em um voo para os Emirados Árabes, mas foi liberado na sequência. Entre os alvos dos mandados de busca e apreensão estavam o empresário Nelson Tanure e o ex-presidente da gestora de fundos Reag Investimentos João Carlos Mansur, entre outros. Terceira Solto após determinação do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região dez dias após ter sido preso, na primeira fase da operação, Vorcaro voltou a ser detido em 4 de março, na terceira etapa da Compliance Zero. A PF encontrou no celular apreendido de Vorcaro mensagens em que ele discute com interlocutores a possibilidade de simularem um assalto contra o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, e outras ações violentas contra ex-empregados. Segundo a corporação, o dono do Master controlava uma milícia particular para intimidar e coagir seus desafetos. “A Turma”, como Vorcaro se referia ao grupo, era chefiada por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário”. Detido em Belo Horizonte, Mourão foi levado à Superintendência da PF. Horas depois, foi encontrado desacordado na cela onde foi deixado sozinho. A PF afirma que Sicário tentou se suicidar e, embora tenha sido encontrado com vida e recebido os primeiros socorros no local, antes de ser levado às pressas para um hospital, não resistiu e morreu. Além das prisões de Vorcaro e de Mourão, foram cumpridos outros dois mandados de prisão preventiva (contra o cunhado do banqueiro, Zettel, e contra o policial aposentado Marilson Silva); 15 de busca e apreensão e o sequestro e bloqueio de cerca de R$ 22 bilhões em bens e contas de pessoas investigadas. O STF também determinou que o Banco Central afastasse o ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária da Diretoria de Fiscalização, Belline Santana, e o ex-chefe adjunto do mesmo departamento, Paulo Sérgio Neves de Sousa. De acordo com o BC, os dois são suspeitos de atuar ilegalmente em favor dos interesses do Banco Master. Quarta A quarta fase da operação ocorreu em 16 de abril, principalmente para aprofundar as investigações sobre a corrupção de agentes públicos. Com autorização do STF, os agentes federais prenderam, preventivamente, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, e o advogado de Vorcaro Daniel Monteiro. Também foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão. De acordo com as investigações, Costa teria combinado com o banqueiro Daniel Vorcaro o recebimento de R$ 146,5 milhões em propina. O valor seria repassado por meio de imóveis. A PF garante ter provas de que ao menos R$ 74 milhões foram pagos – o que Costa nega. Quinta Em 7 de maio, a quinta
Policia apreende mais de 2,6 toneladas de drogas e recupera veículos roubados
Policiais militares do DOF (Departamento de Operações de Fronteira) apreenderam, nesta sexta-feira (15), mais de 2,6 toneladas de maconha e skunk, além de recuperarem dois veículos roubados, em Sete Quedas. Os militares realizavam bloqueio policial na MS-299, região conhecida como Vila Sulina, quando os condutores de uma Toyota SW4 e uma Fiat Strada desobedeceram a ordem de parada e avançaram em direção à equipe policial. Após acompanhamento por alguns quilômetros os motoristas abandonaram os automóveis e fugiram em meio à vegetação. Buscas foram realizadas, porém nenhum suspeito foi localizado. Em vistoria nos veículos, os policiais encontraram 2.580 quilos de maconha e 21,8 quilos de skunk. Durante checagem, foi constatado que os dois automóveis utilizavam placas falsas. A Toyota SW4 havia sido furtada em Paranavaí (PR) e a Fiat Strada roubada em São Paulo (SP). Os veículos e os entorpecentes foram encaminhados à Defron (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Fronteira), em Dourados. O prejuízo estimado ao crime foi de aproximadamente R$ 5,7 milhões.
Água tratada nas aldeias avança com abertura de licitação cobrada por Zé Teixeira
A população das aldeias indígenas Jaguapiru e Bororó, em Dourados, está mais perto de ter acesso regular a saneamento básico e saúde com o lançamento das licitações para a implantação do sistema de abastecimento de água potável na região. Os avisos foram publicados pela Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul) na edição desta segunda-feira (18) do Diário Oficial do Estado. O investimento total estimado é de R$ 8,9 milhões com recursos destinados à perfuração de poços. A abertura do processo licitatório atende a uma cobrança do deputado estadual Zé Teixeira (PL). O parlamentar articula a implantação dessa melhoria desde 2023, quando apresentou indicação formal ao Governo do Estado mostrando a urgência de garantir infraestrutura hídrica digna para cerca de 20 mil indígenas que sofrem historicamente com a escassez de água tratada na reserva. A intervenção assegura qualidade de vida e proteção à saúde das famílias, reduzindo a vulnerabilidade de crianças e idosos a doenças provocadas pelo consumo de água não tratada. O projeto executivo prevê duas obras paralelas, orçadas em R$ 4.496.822,93 cada uma, que vão transformar a realidade local ao suprir a necessidade fundamental de consumo e higiene na comunidade. O processo será conduzido pela Agesul por meio de concorrência eletrônica, adotando o critério de menor preço no modo de disputa aberto.
Dourados torna obrigatória educação sobre proteção e bem-estar animal na Reme
A Prefeitura de Dourados oficializou a implementação da Educação para a Proteção e Bem-Estar Animal na Rede Municipal de Ensino. A medida foi publicada no Diário Oficial do Município da última sexta-feira (15), por meio da Resolução Semed nº 115, assinada pelo secretário municipal de Educação, Nilson Francisco da Silva. A medida segue determinação do prefeito Marçal Filho que tem incentivado e apoiado as mais diferentes ações em defesa e proteção dos pets em Dourados. A nova diretriz torna obrigatória a abordagem do tema nas escolas da Rede Municipal de Ensino (Reme) de forma transversal, interdisciplinar e contínua, abrangendo todas as etapas da Educação Básica. Segundo a resolução, a proposta busca fortalecer valores como empatia, responsabilidade socioambiental, respeito à vida e combate aos maus-tratos contra animais. Conforme o texto publicado, as unidades escolares deverão incluir a temática nos Projetos Político-Pedagógicos (PPP), com definição de objetivos formativos, estratégias pedagógicas, ações interdisciplinares e parcerias com a comunidade. “Investir em conscientização e educação sobre proteção e bem estar animal nesta fase do aprendizado escolar é formar cidadãos conscientes em relação a convivência entre as pessoas e os bichinhos de estimação”, salienta Nilson Francisco da Silva. A resolução estabelece ainda que os conteúdos deverão ser adaptados conforme a faixa etária dos estudantes. Na Educação Infantil, o foco será o estímulo à empatia e ao cuidado com os animais. Já no Ensino Fundamental serão trabalhados temas como guarda responsável, combate ao abandono, preservação da fauna, sustentabilidade e as implicações legais dos maus-tratos. Entre as ações previstas estão campanhas educativas, concursos de desenho e redação, projetos interdisciplinares e palestras em parceria com órgãos como o Centro de Controle e Zoonoses (CCZ), associações de proteção animal e conselhos profissionais ligados à medicina veterinária. A Secretaria Municipal de Educação também deverá promover formação continuada para os profissionais da rede, integrando o tema à educação ambiental e aos direitos humanos. As escolas municipais terão prazo de 60 dias para adequar os documentos pedagógicos e implementar as novas práticas previstas na resolução.
Prefeito leva à senadora pedidos para obras de recapeamento e custeio da saúde
O prefeito Marçal Filho entregou na manhã desta segunda-feira (18) à senadora Tereza Cristina Corrêa da Costa projetos com pedidos de recursos federais para obras de recapeamento asfáltico em diversos bairros de Dourados e, também, para o custeio dos serviços de saúde no muncípio. Caso a senadora atenda o pedido do prefeito e apresente as emendas ao Orçamento Geral da União (OGU), ruas que hoje estão em situação delicada em razão do elevado tempo de uso do asfalto serão totalmente recapeadas, assim como a Prefeitura de Dourados já tem feito em pontos críticos da cidade. Marçal Filho está nesta segunda-feira em Campo Grande mantendo agendas com diversos integrantes da bancada federal na busca por recursos para infraestrutura e saúde. “Não temos na nossa arrecadação própria nenhuma margem para fazer as obras que a população tanto precisa, por isso a saída é contar os deputados federais, senadores e deputados estaduais no encaminhamento de emendas que garantam essas obras, sobretudo na questão do asfalto e drenagem”, explica o prefeito. Na audiência com Tereza Cristina, o prefeito Marçal Filho recebeu a garantia que a senadora encaminharia uma emenda de R$ 2 milhões para o custeio da saúde em Dourados. “Perto do universo de gastos que temos para atender 34 municípios, esse valor é uma gota no oceano, mas já é uma gota e vamos continuar correndo atrás de emendas para que outras gotas cheguem e a gente consiga aliviar essa pressão que recai integralmente sobre as finanças da Prefeitura de Dourados”, explica Marçal Filho. O prefeito voltou a defender que na questão da saúde, quando um parlamentar encaminha emenda para Dourados não está atendendo apenas a população da segunda maior cidade de Mato Grosso do Sul, mas, também, de outros 33 municípios que são atendidos pela Prefeitura de Dourados. “Voltarei a cobrar do governador Eduardo Riedel um olhar mais atento para a nossa saúde, mas é importante que a bancada federal nos ajude a sensibilizar o Governo Federal por uma repactuação nos repasses que chegam ao município, porque da forma que está hoje caminhamos para uma situação insustentável no médio prazo”, alerta Marçal Filho. O chefe do Executivo Municipal apontou ainda que alguns parlamentares da bancada federal e, também da Assembleia Legislativa, já atentaram para essa pressão que o custeio da saúde exerce sobre o orçamento da Prefetura de Dourados. “Temos exemplos claro de parlamentares que têm demonstrado essa preocupação, com destaque para o senador Nelsinho Trad, que tem sido um dos grandes parceiros nesse ponto, bem como o deputado federal Rodolfo Nogueira, e os deputados estaduais Lia Nogueira, Renato Câmara, Zé Teixeira, Gleice Jane e Neno Razuk, que sempre estão direcionando emendas para amenizar essa questão da saúde em nossa cidade”, finaliza Marçal Filho.
Justiça determina recontagem dos votos de 2022 e deputado Neno Razuk deve perder seu mandato
Quase três anos e oito meses depois da eleição de 2 de outubro de 2022, a Justiça Eleitoral decidiu anular os 21.784 votos do Tio Trutis e os 10782 de sua companheira, Raquelle Trutis, ambos do PL. Por conta desta decisão, nesta quinta-feira (21) o presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), Carlos Eduardo Contar, fará o reprocessamento dos votos e esta recontagem deve fazer com que o deputado Neno Razuk perca seu mandato. E, se isso acontecer, ele perde a imunidade parlamentar e corre o risco de ser preso ou ser obrigado a usar tornozeleira, já que em dezembro do ano passado ele foi condenado a 15 e sete meses de prisão por participação em organização criminosa e envolvimento com o jogo do bicho. Mesmo assim, ele ainda pode disputar uma vaga à Câmara dos Deputados, já que a condenação é de primeira instância. Tio Trutis, que em 2018 foi eleito deputado federal em meio à onda de votos do bolsonarismo e ao longo do mandato se envolveu em uma série de escândalos, como atentado a tiros contra si mesmo, foi condenado por desvio de R$ 776 mil do fundo partidário durante a campaanha eleitoral de 2022. A mesma punição também coube a Raquelle, que era sua assessora em Brasília e acabou virando sua esposa e posterior candidata a deputada estadual por Mato Grosso do Sul. Com a recontagem dos votos, a vaga do PL será herdada pelo PSDB. E o primeiro suplente dos tucanos João César Mattogrosso, que atualmente ocupa o cargo de diretor-executivo no Detran, a segunda mais importante função do Departamento de Trânsito. Tio Trutis e a esposa foram condenados porque, segundo a Justiça Eleitoral, receberam R$ 2,026 milhões para a campanha eleitoral e, em tese, embolsaram parte destes recursos. Deste montante, R$ 336 mil foram repassados à empresa JC Hipólito Taques Comunicação, e R$ 440 mil para Cid Nogueira Fidelis. Mas, conforme a investigação, as empresas não existiam. Não tinham sede e nem funcionários. Ou seja, a prestação de contas dos candidatos do PL foram forjadas e por isso haverá a recontagem dos votos nesta quinta-feira. Em 2022, o PL elegeu o Coronel David, o deputato João Henrique Catan e Neno Razuk. Atualmente, porém, a bancada é bem maio. De olho na eleição de outubro, entraram no partido os deputados Zé Teixeira, Mara caseiro, Paulo Corrêa, Lucas de Lima e Márcio Fernandes. João Henrique Catan, por sua vez, migrou para o Novo e pretende se candidatar a governador. Correio do Estado
Irrigação é aposta para elevar produtividade do milho e driblar irregularidades de chuvas
As mudanças climáticas têm causado irregularidades no regime de chuvas, deslocando a distribuição regional e os períodos de maiores ou menores índices de precipitação. A aposta dos agricultores sul-mato-grossenses para driblar essas incertezas está na produção irrigada, como demostra o produtor rural Luiz Carlos Roos, de Maracaju, que quinta-feira (14) passada sediou em sua fazenda o Dia de Campo da Cultura do Milho Safrinha, evento promovido em parceria pela Associação dos Irrigantes de Mato Grosso do Sul (AIMS), a empresa de pesquisa e consultoria rural MS Integração e o Governo do Estado, através da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação). O secretário adjunto da Semadesc, Alex Melotto, representou o Governo do Estado e falou sobre a expectativa dos participantes e a importância do evento. “A produtividade de nossas lavouras é diretamente proporcional ao conhecimento investido nelas. Esse tipo de evento, que difunde, que demonstra tecnologias para o produtor rural é de suma importância. É através deles que os produtores rurais podem absorver e adquirir conhecimento e tomar as melhores decisões para suas lavouras. É o momento de se falar sobre isso. Já estamos pensando sobre a próxima safra e é hora de aprender para tomar boas decisões”, disse. O Dia de Campo aconteceu na Fazenda Real, distante a apenas cerca de 6 quilômetros da cidade de Maracaju, que tem 700 hectares de extensão, das quais 580 ocupadas por lavouras de milho. O proprietário Luiz Carlos Roos, que também preside a Associação de Irrigantes de Mato Grosso do Sul, conta que investiu em um projeto com cinco pivôs, tendo dois já implantados em área de aproximadamente 260 hectares. “A produtividade da soja no sequeiro chega a 60 sacas por hectare, com a irrigação vai para 85 sacas. Já o milho salta de 110 para 160 sacas por hectare irrigado”, disse. No Dia de Campo foram demonstradas amostras de mais de 80 variedades de milho desenvolvidas por diversas empresas, adaptadas para atender exigências de solo e variações climáticas e resistentes a pragas. O prefeito de Maracaju, José Marcos Calderan, frisou que o município é privilegiado pelo tamanho da área cultivada, por sediar importantes instituições de pesquisas no campo, como a MS Integração e a Fundação MS, e pelos recursos que o Governo do Estado investe para impulsionar o desenvolvimento de tecnologias como a irrigação, que reverte em benefícios para toda a população. “Como gestor público, fico muito contente e confiante porque o município, independente do poder público, segue no desenvolvimento e no crescimento econômico uma vez que as pessoas se dedicam a isso. E nessa área específica é visível. É uma constância, os produtores estão sempre buscando aprimoramento através dessas novas tecnologias”, disse. Cerca de 300 produtores e profissionais da área participaram do Dia de Campo na Fazenda Real. O secretário executivo de Desenvolvimento Econômico Sustentável da Semadesc, Rogério Beretta, e técnicos da pasta, também estavam presentes. MS Irrigação O Governo do Estado lançou em 2024 o Programa Estadual de Irrigação, o MS Irriga, para fomentar a expansão da área irrigada, aumentando a diversificação da produção e a produtividade de forma sustentável. Conforme dados recentes, o Estado já conta com 320.304, quase o triplo do que havia há duas décadas (120 mil ha). Há, entretanto, 4,7 milhões de hectares que podem ser adicionados a essa área irrigada, o que poderia provocar um aumento substancial no volume de commodities produzidos no Estado. João Prestes, Comunicação Semadesc
Mudanças climáticas: MS lança ação integrada e fortalece municípios para enfrentar eventos extremos
Mato Grosso do Sul deu mais um passo na construção de políticas públicas voltadas à adaptação climática. Nove municípios do Estado passam a integrar o AdaptaCidades, iniciativa do Governo Federal que apoia a elaboração de estratégias locais para enfrentamento dos impactos das mudanças do clima. Participam do programa Campo Grande, Dourados, Aquidauana, Paranaíba, Caarapó, Porto Murtinho, Miranda, Ponta Porã e Corumbá. As ações foram apresentadas quinta-feira (14), na sede do Sebrae-MS em Campo Grande, durante o lançamento da Oficina AdaptaCidades MS, promovida pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) em parceria com a Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação). A iniciativa conta ainda com apoio da Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ), agência de cooperação internacional Alemanha-Brasil, parceira na implementação do programa. A proposta busca preparar os municípios para lidar com desafios cada vez mais presentes no território, como secas, ondas de calor, incêndios florestais e eventos hidrológicos extremos, fortalecendo o planejamento local e a capacidade de resposta das cidades. O AdaptaCidades integra o Programa Cidades Verdes Resilientes e atualmente atende 581 municípios prioritários em todo o país. A meta nacional é ampliar esse alcance até 2035, priorizando regiões mais vulneráveis aos impactos climáticos. Em Mato Grosso do Sul, a adesão foi coordenada pela Semadesc, que atua na articulação entre Governo Federal e municípios sul-mato-grossenses. Entre as ações previstas estão capacitação técnica de gestores, acesso a dados sobre riscos climáticos, orientação metodológica e apoio na construção dos Planos Municipais de Adaptação. Para o superintendente de Mitigação e Adaptação Climática da Semadesc, Fábio Padilha Bolzan, a adaptação climática precisa estar integrada ao planejamento dos territórios. “Estamos falando de uma agenda que impacta diretamente segurança hídrica e alimentar, infraestrutura urbana, produção agropecuária e proteção das populações mais vulneráveis. O objetivo é apoiar os municípios na construção de instrumentos permanentes de planejamento e gestão climática que subsidiem a tomada de decisão e o desenvolvimento de políticas públicas mais assertivas e justas”, afirmou. O coordenador-geral de Integração Multinível e Análise de Riscos do MMA, Lincoln Alves, destacou o caráter colaborativo da proposta. “Estamos estruturando uma governança integrada entre municípios, estados e Governo Federal para enfrentar os impactos das mudanças climáticas de forma coordenada e contínua”, ressaltou. Representando a Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ), Isadora Buchala ressaltou a importância da cooperação internacional no fortalecimento das capacidades locais de adaptação climática e na construção de estratégias territoriais mais resilientes Ponto focal e coordenadora da iniciativa AdaptaCidades em Mato Grosso do Sul, Vanilva de Oliveira enfatizou que o programa busca ampliar a capacidade técnica das gestões locais. “A proposta é apoiar os municípios na identificação de vulnerabilidades e no desenvolvimento de estratégias mais eficientes para responder aos desafios climáticos”, explicou. Já o secretário-adjunto de Meio Ambiente de Porto Murtinho, Michel Saito, destacou a importância da iniciativa para municípios historicamente expostos a eventos extremos. “Essa construção fortalece nossa capacidade de planejamento e resposta diante de cenários climáticos cada vez mais desafiadores”, afirmou.
COE aponta que houve 8.655 notificações de Chikungunya com 3.948 confirmações
Números divulgados nesta segunda-feira (18) pelo Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública (COE), criado pela Prefeitura de Dourados para estruturar o enfrentamento à Chikungunya nas aldeias e no perímetro urbano do município, apontam que a situação epidemiológica em Dourados ainda é preocupante. Até o momento foram registradas 8.655 notificações da doença, com 5.146 casos prováveis, 3.509 casos confirmados e 3.948 casos confirmados. A taxa de positividade dos casos notificados está em 52,9%, o que revela a circulação intensa do vírus tanto no perímetro urbano quanto na Reserva Indígena de Dourados. A partir desta semana, o Informe Epidemiológico que estava sendo distribuído todos os dias para as equipes de saúde e veículos de comunicação, passará a ser emitido 3 vezes por semana, sempre às segundas, quartas e sextas-feiras. A medida ocorre diante da necessidade de apuração mais detalhadas das notificações e da necessidade de se alimentar os dados nacionais com os números da epidemia em Dourados. O Informe Epidemiológico desta segunda-feira (18) aponta que o panorama da doença na população indígena de Dourados segue preocupante com 3.189 casos notificados, 2.420 casos prováveis, 2.121 casos confirmados, 769 casos descartados e outros 299 casos em investigação. “A curva de positividade da Chikungunya em Dourados ainda se mantém em níveis elevados, permanecendo entre aproximadamente 52% e 57% ao longo dos últimos 17 dias, o que indica intensa circulação viral”, alerta trecho do Informe. De acordo com o documento, “ainda que haja leve redução, os valores permanecem muito acima dos parâmetros considerados adequados em vigilância epidemiológica, sugerindo que a epidemia segue ativa. A taxa de positividade é um importante indicador da intensidade de transmissão, sendo que valores elevados refletem maior circulação do agente infeccioso. Organismos internacionais como a World Health Organization indicam que taxas acima de 5% já sugerem transmissão não controlada, reforçando que os níveis observados no município são extremamente altos e compatíveis com cenário epidêmico. Por outro lado, indicadores apontam que apesar da alta circulação do vírus as complicações pela doenças estão recuando, tanto que Dourados, que já teve 52 pacientes internados com Chikungunya na fase aguda da epidemia, tem nesta segunda-feira (18) exatos 28 leitos ocupados por pacientes com a doença. Detalhe importante é que pela primeira vez o Hospital Indígena Porta da Esperança (Missão Caiuá) não tem nenhum paciente internado com Chikungunya desde o início da epidemia. Os internados estão no Hospital Universitário HU-UFGD, com 19 leitos; Hospital Regional de Dourados, com 1 ocupado; Hospital Unimed com 2 internações; Hospital da Vida, com 3 internados e Hospital Evangélico Mackenzie, com outros 3 leitos ocupados. Em relação aos óbitos, há 11 casos confirmados e 3 em investigação. Entre os óbitos confirmados, 9 ocorreram em indígenas e 2 em não indígena. Quanto aos óbitos em investigação, os casos envolvem 1 criança indígena de 12 anos; 1 idoso não indígena de 84 anos, portador de doença arterial coronariana; 1 homem de 50 anos que informou não possuir doenças crônicas no momento da classificação de risco, tendo evoluído para óbito na UPA em 27/04/2026.








