A Câmara Municipal de Dourados realizou, nesta segunda-feira (30), a 22ª Sessão Ordinária do ano legislativo, que marcou o encerramento da campanha Junho Prata, um marco no calendário estadual que propõe ampliar a conscientização da sociedade sobre a importância de combater todas as formas de violência contra a pessoa idosa, além de promover o respeito, a inclusão e a troca de experiências entre gerações. Neste tema, a Tribuna Livre teve a presença da Dra. Alair Larranhaga Tebar, presidente da Comissão dos Direitos da Pessoa Idosa da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), explicando as ações do órgão. “Temos que visar o bem estar da pessoa idosa que é uma população que cresceu demais e precisa de um olhar mais atento. Nós temos que promover campanhas que se adaptem a essa nova população. A OAB é parceira nessas ações e tivemos uma conferência intermunicipal neste mês na Unigran, com a presença de alguns vereadores, e saíram propostas debatidas e estudadas por várias instituições e representação dos idosos presentes. Essas propostas foram encaminhadas às esferas estadual e federal e a gente espera que se transformem em ações para melhoria da vida da pessoa idosa”. A Câmara de Dourados apresentou os vereadores que compõem a recém criada Comissão Permanente de Direitos da Pessoa Idosa, aprovada por unanimidade na última sessão ordinária. A 21ª comissão da casa será presidida pelo vereador Sérgio Nogueira (PSDB), um dos propositores. O vereador Elias Ishy (PT) é o vice-presidente e o vereador Laudir Munaretto (MDB) é membro. Durante a sessão, também foram aprovados outros projetos. Em segunda votação foram aprovados o Projeto de Lei nº 056/2025, de autoria do Poder Executivo, que altera dispositivo na Lei nº 2.999 de 18 de outubro de 2007 que Cria o “Conselho Municipal do Direitos da pessoa com deficiência”; Projeto de Lei nº 069/2025, de autoria do Vereador Márcio Pudim, que declara utilidade pública municipal a Associação Esportiva Douradense de Árbitros – AEDA; Já em primeira votação, foram analisados outros três projetos. Projeto de Lei Complementar nº 014/2025, de autoria do Vereador Cemar Arnal, que altera o anexo V – sistema viário da Lei Complementar 205, de 19 de outubro de 2012, que dispõe sobre zoneamento, uso e ocupação do solo e o sistema viário do Município de Dourados e dá outras providências; Projeto de Lei nº 091/2025, de autoria do Vereador Laudir Munaretto, que denomina Antônio Ribeiro da Silva o logradouro público atualmente identificado como Corredor Público 04 OF em toda a sua extensão, localizada no Loteamento Sitioca Ouro Fino; Projeto de Lei nº 094/2025, de autoria do Vereador Daniel Junior, que declara utilidade pública o Instituto AYDE de Comunicação de Dourados, com sede no Município de Dourados e dá outras providências.
Mato Grosso do Sul empregou 3.087 trabalhadores formais em maio e no ano já supera 20,8 mil novas vagas
O saldo de empregos formais gerados em Mato Grosso do Sul no mês de maio foi de 3.087 novas vagas, conforme dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego nessa segunda-feira (30). No ano, já são 20.898 novos empregados com carteira de trabalho, o que elevou para 691.203 o universo de trabalhadores e trabalhadoras formais no Estado. Os dados mostram uma distribuição mais equilibrada entre os setores da economia, sexo dos novos contratados e também entre os municípios. Dos 3.087 empregos formais gerados no Estado em maio, 1.991 foram preenchidos por homens e 1.096 por mulheres. O setor de Serviços continua sendo o mais competitivo com 1.007 novas vagas, porém é seguido de perto pela Construção Civil (838) e pela Indústria (723). Comércio somou 319 novos trabalhadores e a Agricultura, outros 200. Com relação à distribuição regional das novas vagas, Campo Grande mantém-se na liderança com 840 postos de trabalho gerados em maio. Mas municípios do Vale da Celulose localizados na região leste ultrapassaram a Capital nesse quesito. Inocência (291), Ribas do Rio Pardo (244), Aparecida do Taboado (203), Três Lagoas (168), Chapadão do Sul (138) e Aparecida do Taboado (151) criaram, juntos, 1195 vagas de empregos formais no mês passado. Dourados, a segunda maior cidade do Estado, ficou na terceira colocação com 276 vagas, enquanto São Gabriel (138) e Nova Andradina (105) completam o ranking dos 10 municípios com melhor desempenho no Caged no mês de maio. Com o saldo de maio, Mato Grosso do Sul completa 20.898 empregos formais gerados no ano. Em janeiro o saldo foi positivo em 3.297 vagas, fevereiro apresentou o melhor desempenho com 8.240, em março foram 1.309 e em abril, 4.965. Os dados comentados do Caged do mês de maio estão no Boletim Mercado de Trabalho elaborado pela Assessoria de Economia e Estatística da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação). João Prestes, Comunicação Semadesc
Fluminense bate Inter de Milão e vai enfrentar o Al-Hilal nas quartas de final da Copa do Mundo
Com uma atuação de gala, o Fluminense venceu a Inter de Milão por 2 a 0 na noite desta segunda-feira (30) e se classificou para as quartas de final da Copa do Mundo de Clubes. A partida foi realizada na cidade de Charlotte, na Carolina do Norte, nos EUA. O Flu é o segundo representante brasileiro na próxima fase da competição: o outro é o Palmeiras. Agora, o Tricolor enfrentará o Al-Hilal, da Arábia Saudita, na sexta-feira, em Orlando. Germán Cano e Hércules marcaram os gols do Fluminense, que jogou com autoridade e ousadia, sem se deixar impressionar pelo fato de a Internazionale ser a atual vice-campeã da Europa. “Foi uma partida fantástica do Fluminense. Venceu com todos os méritos, com uma atuação que nos enche de orgulho. Parabéns ao Fluminense, a sua diretoria, atletas, comissão técnica e torcedores. Agora o futebol brasileiro vai para as quartas de final com dois representantes. E queremos avançar ainda mais”, disse o presidente da CBF, Samir Xaud. O primeiro gol surgiu logo aos 2 minutos, num lance que teve a participação de Martinelli e Arias. Na sequência, Cano, de cabeça, completou. O Fluminense começava avassalador e poderia ter ampliado o placar ainda no primeiro tempo. Com uma defesa segura, um meio bem organizado e um ataque veloz e criativo, o time carioca soube cadenciar o jogo e suportou bem a pressão da Inter, que chegou a finalizar duas bolas na trave. Nos instantes finais, aos 47 do segundo tempo, numa jogada rápida, Hércules chutou de esquerda e decretou a classificação do Tricolor.
Reino Unido Reforça Capacidade Nuclear com Aquisição de Caças F-35A
O governo britânico anunciou, em 25 de junho de 2025, a compra de 12 caças F-35A Lightning II, fabricados pela Lockheed Martin, marcando o retorno da Royal Air Force (RAF) à capacidade de lançar armas nucleares a partir do ar, algo não visto desde o fim da Guerra Fria. A decisão, revelada durante a cúpula da OTAN em Haia, insere o Reino Unido na missão nuclear aérea da aliança, utilizando bombas táticas B61-12 armazenadas na Europa. A medida fortalece a dissuasão nuclear britânica em um contexto de crescentes tensões globais, especialmente com a Rússia, e reflete um alinhamento estratégico com aliados como Estados Unidos e França. Os caças F-35A, diferentemente dos F-35B já operados pelo Reino Unido, são projetados para missões nucleares, com capacidade de transportar internamente a bomba termonuclear B61-12, de baixo rendimento. Essa aquisição complementa o sistema de dissuasão nuclear Trident, baseado em submarinos, que atualmente é a única vertente nuclear britânica. O governo destacou que a medida responde à necessidade de se preparar para ameaças diretas ao território britânico, em um cenário global marcado por competição entre potências, agressões autoritárias e modernização de arsenais nucleares por países como Rússia e China. “Pela primeira vez em décadas, devemos nos preparar para a possibilidade de conflito em nosso solo”, afirmou o documento oficial do governo. A decisão também tem implicações econômicas, com a promessa de apoiar cerca de 20 mil empregos no Reino Unido, envolvendo mais de 100 empresas na cadeia de produção dos F-35. As aeronaves serão baseadas em RAF Marham, Norfolk, e integrarão a missão de Aeronaves de Dupla Capacidade (DCA) da OTAN, reforçando o compromisso britânico com a defesa coletiva prevista no Artigo V da aliança. O primeiro-ministro Keir Starmer enfatizou que, em uma era de incertezas, a paz não pode ser dada como garantida, justificando o investimento em defesa. Críticos, no entanto, apontam riscos na expansão nuclear. Alguns analistas, como os do jornal The Guardian, alertam que a presença de armas nucleares em caças aumenta o risco de acidentes aéreos com potencial radioativo, embora incidentes desse tipo nunca tenham causado contaminação significativa. Além disso, a dependência de bombas americanas B61, que exigem autorização conjunta dos EUA e do Reino Unido para uso, levanta questões sobre a autonomia estratégica britânica. A aquisição também ocorre em um momento de tensões diplomáticas, com especulações de que a compra visa fortalecer laços com os EUA, especialmente após declarações do presidente Donald Trump questionando o compromisso americano com a OTAN. O Reino Unido se junta a sete outros membros da OTAN, como Alemanha e Itália, que já operam aeronaves com capacidade nuclear. A decisão alinha o país com a França, que mantém capacidades nucleares aéreas, marítimas e terrestres, e reflete uma resposta às incertezas sobre o papel dos EUA na segurança europeia. A compra dos F-35A é parte de um plano maior de modernização das forças armadas britânicas, que inclui a renovação dos submarinos nucleares da classe Dreadnought e um aumento nos gastos com defesa para 5% do PIB até 2035, conforme meta da OTAN.
Trump Anuncia Novo Acordo Comercial com a China para Reduzir Tensões e Promover Comércio
Em 26 de junho de 2025, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a assinatura de um novo acordo comercial com a China, descrito como um passo significativo para aliviar as tensões econômicas entre as duas maiores potências mundiais. O entendimento, finalizado após negociações em Londres, consolida um pacto preliminar alcançado em Genebra, em maio, que reduziu tarifas retaliatórias e estabeleceu um cronograma de 90 dias para negociações mais amplas. Trump celebrou o acordo como uma vitória para os trabalhadores e empresas americanas, destacando que ele garante o fornecimento de minerais de terras raras pela China e mantém o acesso de estudantes chineses às universidades dos EUA, enquanto preserva tarifas estratégicas para proteger a indústria nacional. As negociações, lideradas pelo secretário do Tesouro, Scott Bessent, e pelo representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, resultaram em um “acordo-quadro” que reverte medidas punitivas adotadas por ambos os lados desde abril de 2025. A China concordou em suspender restrições à exportação de terras raras, essenciais para indústrias como automotiva, eletrônica e de defesa, enquanto os EUA removeram tarifas adicionais impostas em abril, mantendo, porém, uma tarifa base de 30% sobre produtos chineses, que inclui 25% de tarifas pré-existentes da primeira administração Trump. O acordo também prevê a retomada de compras chinesas de produtos agrícolas americanos e a continuidade do acesso de estudantes chineses às instituições educacionais dos EUA, uma medida que Trump destacou como benéfica para as relações bilaterais. O anúncio veio após meses de uma guerra comercial intensificada, iniciada quando Trump impôs tarifas de até 145% sobre importações chinesas, com a China retaliando com taxas de 125% e restrições a exportações de minerais críticos. O pacto de Genebra, em maio, reduziu essas tarifas para 30% (EUA) e 10% (China), mas a implementação enfrentou obstáculos, com Washington acusando Pequim de atrasar licenças de exportação de terras raras. As negociações em Londres, descritas como intensas por fontes próximas, culminaram em um compromisso mútuo de cumprir o acordado, embora detalhes adicionais dependam da aprovação final de Trump e do presidente chinês, Xi Jinping. O secretário de Comércio, Howard Lutnick, classificou o acordo como um “avanço prático” para evitar uma ruptura econômica, enquanto o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, enfatizou a necessidade de diálogo baseado em “respeito mútuo”. O acordo tem sido visto como uma tentativa de estabilizar as relações comerciais, que impactam diretamente a economia global. A China, que controla cerca de 80% da produção mundial de terras raras, usou essas exportações como alavanca nas negociações, enquanto os EUA buscaram proteger sua indústria e reduzir o déficit comercial, que atingiu US$ 295,4 bilhões em 2024. Apesar do otimismo de Trump, que descreveu a relação com a China como “excelente”, analistas alertam que o acordo não resolve questões estruturais, como proteção de propriedade intelectual e barreiras não tarifárias, que continuam a desafiar as negociações. A imprensa chinesa, como a agência Xinhua, celebrou o entendimento como uma vitória diplomática, enquanto críticos nos EUA, como a ex-negociadora Wendy Cutler, sugerem que os ganhos são limitados, retornando as relações a um status quo anterior à escalada de tarifas. A iniciativa reflete a abordagem de Trump de usar tarifas como ferramenta de negociação, uma estratégia que, segundo ele, protege os interesses americanos e promove a reindustrialização. O acordo também sinaliza a intenção dos EUA de competir com a influência chinesa em cadeias de suprimento globais, especialmente em setores estratégicos como tecnologia e energia renovável. Enquanto as negociações prosseguem, com uma possível extensão do prazo de 90 dias para países que negociem de boa-fé, o impacto do acordo será avaliado pela sua capacidade de reduzir custos para empresas americanas e garantir estabilidade econômica em meio a um cenário global volátil.
Trump Celebra Acordo de Paz entre Congo e Ruanda como Marco para Estabilidade Global
Em 27 de junho de 2025, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a assinatura de um acordo de paz mediado pelos EUA entre a República Democrática do Congo (RDC) e Ruanda, um marco para encerrar um conflito de três décadas na região dos Grandes Lagos, que resultou em milhões de mortes e deslocamentos. A cerimônia, realizada no Departamento de Estado em Washington, contou com a presença do secretário de Estado, Marco Rubio, e dos ministros das Relações Exteriores da RDC, Thérèse Kayikwamba Wagner, e de Ruanda, Olivier Nduhungirehe. Trump destacou a conquista como parte de uma série de sucessos diplomáticos, incluindo esforços para apaziguar tensões entre Índia e Paquistão e Israel e Irã, afirmando que “em poucos meses, alcançamos a paz em conflitos que pareciam insolúveis”. O acordo, assinado sob o nome preliminar de “Acordo de Washington”, compromete ambos os países a respeitar a soberania e a integridade territorial um do outro, cessar hostilidades e suspender o apoio a grupos armados, como o M23, acusado pela RDC e pela ONU de receber suporte de Ruanda, uma alegação que Kigali nega. O documento prevê a retirada de tropas ruandesas do leste do Congo em 90 dias e a criação de um mecanismo conjunto de coordenação de segurança em 30 dias, além de um quadro de integração econômica regional para atrair investimentos ocidentais em minerais estratégicos, como cobalto, cobre e lítio, abundantes na RDC. Trump destacou que o acordo beneficia não apenas a região, mas também os Estados Unidos, ao garantir acesso a minerais críticos, essenciais para tecnologias como veículos elétricos e smartphones, em um esforço para contrabalançar a influência chinesa no setor. Durante o evento no Salão Oval, Trump descreveu o tratado como “um triunfo glorioso”, enfatizando que a paz trará “esperança, harmonia e prosperidade” à região, que sofreu com a violência desde o genocídio de Ruanda em 1994. O conflito, que escalou com a ofensiva do M23 em 2025, capturando cidades como Goma e Bukavu, deixou milhares de mortos e deslocou mais de um milhão de pessoas desde janeiro. A ministra congolesa Wagner reforçou a importância do acordo, afirmando que “a paz é uma escolha e uma responsabilidade”, enquanto Nduhungirehe chamou a assinatura de um “ponto de virada”, embora tenha alertado que acordos anteriores não foram implementados. Ambos os lados expressaram compromisso com a desmobilização de grupos armados, incluindo as Forças Democráticas para a Libertação de Ruanda (FDLR), que Ruanda acusa o Congo de tolerar. A mediação dos EUA, apoiada pelo Catar, foi conduzida pelo conselheiro sênior para a África, Massad Boulos, que trabalhou diretamente com os presidentes Félix Tshisekedi, da RDC, e Paul Kagame, de Ruanda. A iniciativa começou em abril de 2025, com a assinatura de uma Declaração de Princípios, e culminou após intensas negociações que superaram impasses, como a exigência inicial do Congo por uma retirada imediata das tropas ruandesas. Trump, que se reuniu com os líderes no Salão Oval, anunciou que Tshisekedi e Kagame visitarão Washington em breve para finalizar o protocolo completo, reforçando o compromisso com a implementação. Ele também prometeu “penalidades severas” para qualquer violação do acordo, embora detalhes sobre a fiscalização permaneçam vagos. A conquista foi elogiada por aliados de Trump, que veem na diplomacia um exemplo de liderança prática e eficaz, priorizando resultados concretos em vez de retórica. O acordo também abre portas para investimentos americanos em uma região rica em recursos naturais, promovendo parcerias que, segundo Rubio, beneficiarão tanto os países africanos quanto os EUA. Apesar de críticas de analistas, como Denis Mukwege, que questionam a ausência de menções a justiça e reparações, a iniciativa é vista como um passo ousado para estabilizar uma área marcada por violência, corrupção e exploração de recursos, oferecendo uma chance de reconstrução econômica e social.
Venezuela Intensifica Repressão a Economistas e Cidadãos por Divulgação de Dados Econômicos
O governo de Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, ordenou a prisão de pelo menos oito economistas, analistas e cidadãos em junho de 2025, em uma ofensiva para silenciar vozes que expõem a grave deterioração econômica do país. A medida, que incluiu a detenção do ex-ministro das Finanças Rodrigo Cabezas, de 68 anos, na cidade de Maracaibo, visa coibir a publicação de dados independentes sobre inflação, desvalorização cambial e colapso econômico. A repressão tem gerado críticas de organizações de direitos humanos, que apontam a tentativa de ocultar a realidade de uma crise que já levou mais de 7,8 milhões de venezuelanos a deixar o país em busca de melhores condições de vida. Entre os detidos, estão profissionais ligados ao Observatório Venezuelano de Finanças, que divulgou uma taxa de inflação anual de 229% em maio de 2025. O Banco Central da Venezuela, controlado por aliados de Maduro, parou de publicar dados oficiais de inflação em outubro de 2024, quando os preços começaram a disparar novamente. Segundo o economista José Guerra, exilado e diretor do observatório, o governo tenta “eliminar o mercado paralelo sem fornecer dólares suficientes, o que é impossível”. Ele destacou que a impressão desenfreada de dinheiro, com um aumento de 250% na liquidez monetária até maio, alimenta a hiperinflação, agravando a crise. As detenções, segundo fontes anônimas próximas aos casos, ocorreram sem mandados judiciais, e alguns presos permanecem sob custódia do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin), sem acesso a advogados ou contato com familiares. A repressão também atingiu plataformas digitais como o Monitor Dólar, que publicava cotações não oficiais do dólar, essenciais para empresas e cidadãos em um país marcado pela instabilidade cambial. Em abril de 2025, Maduro declarou um “estado de emergência econômica”, concedendo a si mesmo poderes para suspender impostos, centralizar a arrecadação e forçar a compra de bens nacionais. A medida foi justificada como uma resposta às sanções dos Estados Unidos, que incluem tarifas de 25% sobre países que compram petróleo venezuelano e a suspensão da licença da Chevron para operar no país. O vice-presidente do Partido Socialista Unido da Venezuela, Diosdado Cabello, defendeu as prisões, classificando os economistas como “inimigos do povo” e acusando-os de “sabotagem econômica” em seu programa de TV semanal. A crise econômica venezuelana, uma das piores da história moderna fora de contextos de guerra, é marcada por uma contração de mais de 60% do PIB desde 2013, segundo o Fundo Monetário Internacional. A hiperinflação, que atingiu 9.500% em 2019, continua a devastar o poder de compra, com o dólar no mercado paralelo alcançando 100 bolívares em março de 2025, contra 70 na taxa oficial. A dependência do petróleo, que representa a maior parte da receita do governo, foi agravada por má administração, corrupção na estatal PDVSA e sanções internacionais, que limitam o acesso a mercados globais. Apesar de uma breve recuperação econômica entre 2021 e 2023, com a dolarização parcial e maior abertura a investimentos, a retomada não chegou às comunidades mais pobres, e a infraestrutura do país, como o sistema elétrico, segue em colapso. Organizações como a Human Rights Watch e a Anistia Internacional denunciam que as prisões fazem parte de uma estratégia mais ampla de repressão, que inclui detenções arbitrárias, desaparecimentos forçados e violência contra opositores. Desde 2014, mais de 15.800 pessoas foram presas por motivos políticos, com cerca de 270 ainda detidas em outubro de 2024. A ONU relatou que as condições em prisões venezuelanas são desumanas, com falta de água, alimentos e cuidados médicos. A retórica do governo, que atribui a crise às sanções ocidentais, ignora o impacto de políticas como controles de preços, nacionalizações e impressão de dinheiro sem lastro, implementadas desde o governo de Hugo Chávez. A comunidade internacional, incluindo os Estados Unidos e a União Europeia, intensificou sanções após as eleições de julho de 2024, consideradas fraudulentas por observadores independentes. A oposição, liderada por figuras como Edmundo González, alega que venceu o pleito, mas a falta de transparência nos resultados e a repressão a protestos, que deixaram 24 mortos, dificultaram contestações. Enquanto Maduro mantém o apoio de aliados como China e Rússia, a perseguição a quem expõe a crise econômica reforça a imagem de um regime que prioriza o controle político sobre a recuperação do país.
Trump Mantém Sanções ao Irã Após Declarações de Khamenei Sobre Conflito com Israel
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou em 27 de junho de 2025 que suspendeu planos de aliviar sanções econômicas contra o Irã, decisão motivada por declarações do líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei. Em um discurso televisionado, Khamenei afirmou que o Irã venceu a recente guerra de 12 dias contra Israel e que havia dado um “tapa na cara” dos Estados Unidos com um ataque a uma base militar americana no Catar. As falas, interpretadas como desafiadoras, levaram Trump a interromper negociações que poderiam facilitar a recuperação econômica iraniana, mantendo a política de pressão máxima sobre o país. No dia 26 de junho, Khamenei, falando de um local não revelado, celebrou o que classificou como uma vitória iraniana no conflito com Israel, iniciado em 13 de junho. Ele minimizou os danos causados pelos ataques aéreos dos EUA e de Israel a três sítios nucleares iranianos — Fordow, Natanz e Isfahan —, afirmando que os bombardeios “não alcançaram seus objetivos”. O líder iraniano também ameaçou novos ataques a bases americanas na região caso houvesse novas agressões. Em resposta, Trump usou sua plataforma Truth Social para criticar Khamenei, chamando suas declarações de “falsas e tolas” e afirmando que as instalações nucleares do Irã foram “obliteradas”. Ele também destacou que os EUA mantêm “controle total dos céus iranianos” e que poderia autorizar novos bombardeios se o Irã retomasse o enriquecimento de urânio a níveis preocupantes. Fontes próximas à Casa Branca revelaram que Trump considerava oferecer incentivos, como alívio limitado de sanções, para iniciar negociações com o Irã sobre seu programa nuclear. A proposta incluía permitir que a China comprasse petróleo iraniano, ajudando na reconstrução do país após o conflito. No entanto, as declarações de Khamenei, que rejeitaram qualquer rendição e exaltaram a resistência iraniana, levaram Trump a abandonar essas iniciativas. Em uma coletiva de imprensa, ele afirmou que o Irã está “exausto” e focado em “sobreviver ao caos”, descartando preocupações sobre possíveis sítios nucleares secretos. “Eles não estão pensando em armas nucleares agora, estão pensando em como viver amanhã”, declarou. A decisão de manter as sanções reflete a estratégia de “pressão máxima” adotada por Trump desde seu primeiro mandato, quando retirou os EUA do acordo nuclear de 2015 (JCPOA) e reimpôs duras restrições econômicas ao Irã. Essas medidas, segundo o Congresso americano, estão entre as mais abrangentes aplicadas a qualquer país, bloqueando ativos do governo iraniano nos EUA e restringindo quase todo o comércio bilateral. A economia iraniana, já abalada por décadas de sanções e má administração, enfrenta agora os impactos da guerra recente, com infraestrutura militar e econômica severamente danificada. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, respondeu às críticas de Trump, pedindo que o presidente americano abandonasse o tom “desrespeitoso” em relação a Khamenei, que, segundo ele, tem “milhões de seguidores devotos”. Araghchi afirmou que um diálogo construtivo exige respeito mútuo, mas reafirmou a posição iraniana de não negociar sob pressão. O Irã também aprovou uma lei suspendendo a cooperação com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), dificultando inspeções em seus sítios nucleares, o que foi condenado por países como França e Alemanha. A tensão entre os dois líderes ocorre em um momento delicado para o Irã, que enfrenta protestos internos e pressões econômicas crescentes. Apesar das ameaças de Khamenei, analistas apontam que a capacidade militar iraniana foi significativamente reduzida pelos ataques recentes, limitando sua habilidade de resposta. Trump, por sua vez, mantém a retórica combativa, mas sinalizou interesse em negociações, desde que o Irã abandone completamente o enriquecimento de urânio. A possibilidade de um novo acordo nuclear permanece incerta, com a postura de confronto mútuo dificultando avanços diplomáticos.
Venezuela: Jovem Recebe Pena de 10 Anos por Crítica a Programa Social nas Redes
Em 23 de junho de 2025, a Justiça venezuelana condenou Merlys Oropeza, uma jovem de 25 anos, a dez anos de prisão por uma publicação no Facebook considerada ofensiva ao governo de Nicolás Maduro. A frase que motivou a sentença, “Que ruim que uma pessoa dependa de uma bolsa”, fazia referência ao programa estatal CLAP, que distribui alimentos subsidiados em comunidades carentes. A decisão, proferida no estado de Monagas, no nordeste do país, reacende preocupações sobre a liberdade de expressão na Venezuela, onde o regime tem intensificado a repressão a vozes críticas. Merlys Oropeza foi detida em 9 de agosto de 2024, poucos dias após as eleições presidenciais de julho, marcadas por denúncias de irregularidades e protestos que resultaram em 28 mortes, cerca de 200 feridos e mais de 2.400 prisões, segundo organizações de direitos humanos. A jovem, que dirigiu sua crítica a uma líder comunitária chavista responsável pela entrega de alimentos, foi enquadrada na Lei Contra o Ódio, aprovada em 2017. Essa legislação, que prevê penas de até 20 anos por “incitação ao ódio”, é frequentemente criticada por organizações internacionais como um instrumento para silenciar opositores do governo. A sentença não foi oficialmente comunicada pelas autoridades judiciais, mas detalhes do caso foram divulgados por uma fonte próxima à jovem à agência AFP. A família de Merlys optou por não se pronunciar publicamente. Uma carta escrita à mão pela jovem, que circulou nas redes sociais, revelou seu desespero: “Estou quebrada, mamãe. Estou vazia, papai. Não tenho mais forças para continuar vivendo.” O texto expressa o impacto emocional da prisão e reflete o clima de intimidação enfrentado por dissidentes no país. O caso ocorre em um contexto de crescente tensão política. Após a reeleição de Maduro, contestada pela oposição e parte da comunidade internacional, a Venezuela registrou uma onda de detenções. A organização não governamental Provea relatou que, entre julho e agosto de 2024, pelo menos 2.400 pessoas foram presas, incluindo 293 mulheres, muitas em condições desumanas, sem acesso regular a água, cuidados médicos ou itens básicos de higiene. A ONU também denunciou violações de direitos humanos nas prisões venezuelanas, apontando que o sistema parece desenhado para isolar e esquecer os detidos. A condenação de Merlys Oropeza gerou críticas de entidades de direitos humanos, que veem na sentença uma tentativa de desestimular manifestações contra o governo. A frase publicada pela jovem, embora crítica, não continha ameaças diretas ou incitação à violência, levantando questionamentos sobre a proporcionalidade da pena. O programa CLAP, alvo do comentário, é um pilar das políticas assistencialistas do chavismo, mas enfrenta acusações de ser usado para controle social, com distribuição de alimentos condicionada à lealdade política. A decisão judicial reforça um padrão de repressão que preocupa a comunidade internacional. Casos semelhantes, envolvendo prisões por postagens em redes sociais, têm se multiplicado, e a Lei Contra o Ódio é apontada como uma ferramenta para criminalizar a dissidência. Enquanto o governo Maduro defende a legislação como necessária para manter a ordem, críticos argumentam que ela fere princípios fundamentais de liberdade de expressão, um direito essencial para a democracia.








