O Supremo Tribunal Federal (STF) fixou novas regras para limitar os chamados “penduricalhos”, verbas extras que elevam salários no Judiciário e no Ministério Público. A Corte afirma que a medida organiza um sistema considerado desordenado, aumenta a transparência e pode gerar economia de até R$ 7 bilhões por ano aos cofres públicos. Apesar disso, especialistas apontam que a decisão mantém exceções relevantes e permite, na prática, o pagamento de valores acima do teto constitucional. Isso ocorre porque o STF reafirmou o teto do funcionalismo em R$ 46.366,19, valor correspondente ao salário dos ministros da Corte, mas definiu que parte das verbas pode ser paga além desse limite ao ser classificada como indenizatória. Entre essas verbas está o adicional por tempo de carreira, conhecido como quinquênio, além de diárias, ajuda de custo e gratificações. 🔍 O quinquênio é um adicional pago a cada cinco anos de carreira, que pode aumentar a remuneração em até 35% ao longo do tempo. Esses valores podem chegar a até 35% do teto. Somados a outros adicionais, podem ultrapassar R$ 32 mil além do valor mensal, permitindo pagamentos totais próximos de R$ 78 mil. Mais transparência em tribunais Uma das principais mudanças é a proibição de benefícios criados por decisões administrativas ou leis estaduais sem base em legislação federal. Segundo especialistas, era comum que tribunais e órgãos locais criassem ou ampliassem vantagens sem respaldo uniforme, o que contribuía para distorções nos pagamentos. “Você acaba com verbas indenizatórias criadas por atos administrativos e por leis estaduais, e isso é muito positivo”, afirma Cristiano Pavini, da Transparência Brasil. Outra medida é a definição de um rol fechado de verbas que podem ser pagas. Na prática, isso significa que apenas os benefícios listados pelo próprio STF poderão ser concedidos, sem possibilidade de criação de novos penduricalhos por interpretação. “Você passa a ter um rol específico, taxativo. Ou seja, é só o que está ali, não pode criar novas interpretações”, afirma o jurista Max Telesca. Outro ponto central é a transparência. A decisão determina que tribunais e órgãos do Ministério Público publiquem mensalmente, em seus sites, os valores detalhados recebidos por cada membro, com identificação clara de cada tipo de verba. Ao justificar a decisão, o STF afirmou que havia uma “regulamentação descoordenada de verbas”, o que dificultava o controle dos gastos públicos. O presidente da Corte, ministro Edson Fachin, afirmou que a medida não é definitiva, mas necessária para organizar o sistema: “Longe de ser ideal, mas factível nesse momento de transição”, disse. Verbas tratadas como indenização permitem pagamentos fora do teto A Constituição determina que o teto do funcionalismo só pode ser ultrapassado por verbas de natureza indenizatória, ou seja, aquelas destinadas a ressarcir gastos do servidor, como diárias e ajuda de custo. Na decisão, o STF colocou nesse grupo vários pagamentos que, segundo especialistas, funcionam como parte do salário. Entre eles estão o quinquênio, gratificações e outros adicionais ligados ao exercício da função. Na prática, isso significa que parcelas que funcionam como complemento salarial passam a ser tratadas como indenização, o que permite que sejam pagas fora do teto. “Quinquênio não é verba de natureza indenizatória. Assim como outras gratificações listadas ali também não são”, diz o jurista Max Telesca. “Você não pode dizer que algo é indenização se ele não tem essa natureza”. Além disso, especialistas apontam que a decisão cria, na prática, mais uma diferenciação entre o Judiciário e outras carreiras do serviço público. Enquanto o teto constitucional permanece o mesmo para todos, a possibilidade de pagamentos adicionais fora desse limite amplia a remuneração efetiva dessas categorias. “Você cria essas carreiras como um grupo à parte, porque elas passam a ter um teto pelo menos 70% maior do que o teto praticado para o restante do funcionalismo”, afirma Pavini. Indenização abre brecha para evitar imposto A classificação dessas verbas como indenizatórias também tem impacto na tributação. Pela regra geral, o Imposto de Renda incide sobre rendimentos salariais. Já verbas indenizatórias, por terem caráter de compensação, não entram nessa base. “O imposto de renda incide sobre aquilo que é renda. Já a indenização tem outra natureza e não sofre essa incidência”, afirma Telesca. Com isso, ao enquadrar esses pagamentos como indenização, a decisão abre espaço para que fiquem fora da cobrança de imposto, dependendo da forma como a regra será aplicada. Especialistas apontam que isso pode gerar questionamentos, já que parte dessas verbas tem características típicas de remuneração. “Quinquênio não é verba de natureza indenizatória. Assim como outras gratificações listadas ali também não são”, diz o jurista. Órgãos que pagam retroativos vão decidir sobre liberação de bilhões suspensos A decisão do STF determinou a suspensão de pagamentos retroativos anteriores a fevereiro de 2026 e estabeleceu que esses valores só poderão ser liberados após auditoria e autorização dos conselhos responsáveis, como o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), além do próprio Supremo. Na prática, isso significa que caberá a esses órgãos avaliar quais valores poderão ou não ser pagos. Especialistas apontam que esse modelo levanta dúvidas sobre a efetividade do controle, já que as instituições responsáveis por autorizar os pagamentos são as mesmas que, historicamente, participaram da concessão dessas verbas. “Há o risco de que os próprios órgãos responsáveis por pagar essas verbas acabem decidindo quais valores podem ou não ser mantidos, o que pode limitar a efetividade do controle”, afirma Cristiano Pavini. Segundo levantamento da Transparência Brasil, o Ministério Público pagou R$ 2,9 bilhões em retroativos entre 2023 e 2024. Esses valores são pagos de uma só vez, após o reconhecimento de direitos referentes a períodos anteriores, e estão entre os principais fatores que elevam os valores recebidos acima do teto, já que podem concentrar grandes quantias em um único mês. Decisão é provisória e depende do Congresso O próprio STF reconhece que a decisão não é definitiva. A tese fixada pela Corte deixa claro que cabe ao Congresso Nacional editar uma lei para disciplinar de forma permanente quais verbas podem ou não ficar fora do teto constitucional. Ou seja, as regras valem
Papa Leão XIV diz que Deus não ouve orações de líderes que promovem guerras
O Papa Leão XIV disse neste domingo (29) que Deus rejeita as orações de líderes que promovem guerras e que eles têm “mãos cheias de sangue”. As declarações aconteceram enquanto a guerra do Irã entrou em seu segundo mês. Dirigindo-se a dezenas de milhares de pessoas na Praça de São Pedro no Domingo de Ramos, a celebração que abre a Semana Santa que antecede a Páscoa para os 1,4 bilhão de católicos do mundo, o pontífice chamou o conflito de “atroz” e disse que Jesus não pode ser usado para justificar quaisquer guerras. “Este é o nosso Deus: Jesus, Rei da Paz, que rejeita a guerra, a quem ninguém pode usar para justificar a guerra”, disse Leão. “(Jesus) não ouve as orações daqueles que fazem guerras, mas as rejeita, dizendo: ‘Ainda que façais muitas orações, não ouvirei: as vossas mãos estão cheias de sangue’”, disse ele, citando uma passagem bíblica. Leão não nomeou especificamente nenhum líder mundial, mas tem intensificado as críticas à guerra do Irã nas últimas semanas. Durante um apelo ao final da celebração de domingo, o papa lamentou que os cristãos no Oriente Médio “estejam sofrendo as consequências de um conflito atroz” e possam não conseguir celebrar a Páscoa. O papa, que é conhecido por escolher suas palavras com cuidado, tem pedido repetidamente um cessar-fogo imediato no conflito e disse na segunda-feira que os ataques aéreos militares são indiscriminados e devem ser proibidos. Algumas autoridades dos EUA invocaram a linguagem cristã para justificar os ataques conjuntos dos EUA e Israel contra o Irã em 28 de fevereiro, que deram início à guerra em expansão. O Secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, que começou a liderar serviços de oração cristã no Pentágono, rezou em um culto na quarta-feira por “violência de ação avassaladora contra aqueles que não merecem misericórdia”. Em sua homilia no domingo, Leão referenciou uma passagem bíblica na qual Jesus, prestes a ser preso antes de sua crucificação, repreendeu um de seus seguidores por golpear com uma espada a pessoa que o prendia. “(Jesus) não se armou, nem se defendeu, nem lutou qualquer guerra”, disse Leão. “Ele revelou o rosto gentil de Deus, que sempre rejeita a violência. Em vez de salvar a si mesmo, ele permitiu ser pregado na cruz.” Por Reuters
Indonésia passa a barrar menores nas redes sociais a partir deste sábado e afeta quase 70 milhões
Quase 70 milhões de crianças e adolescentes na Indonésia ficaram oficialmente excluídos das redes sociais após a entrada em vigor, neste sábado (28), de uma norma que proíbe o uso dessas plataformas por menores de 16 anos. O arquipélago asiático, com 284 milhões de habitantes, passa a integrar a lista de países que adotaram leis para proteger os mais jovens dos efeitos da exposição prolongada a conteúdos viciantes nas plataformas digitais. As contas de menores de 16 anos devem começar a ser desativadas a partir deste sábado em redes consideradas “de alto risco”, como YouTube, TikTok, Facebook, Instagram, Threads, X, Bigo Live — voltada a transmissões ao vivo — e o jogo Roblox. X e Bigo já aplicaram a nova regra e elevaram a idade mínima para 16 e 18 anos, respectivamente, informou a ministra das Comunicações, Meutya Hafid, na noite de sexta-feira, pouco antes da entrada em vigor da proibição. As demais plataformas devem “adaptar imediatamente seus produtos, funcionalidades e serviços à norma em vigor”, acrescentou a ministra em entrevista coletiva. Ela afirmou que não haverá “margem para concessões” às redes sociais que operam no país. O TikTok afirmou, em comunicado divulgado na sexta-feira (27), que cumprirá a medida, incluindo “adotar ações adequadas em relação às contas de menores de 16 anos”. O governo indonésio, no entanto, não explicou como pretende fiscalizar o veto. A responsabilidade por restringir o acesso de menores recai sobre as próprias plataformas, que podem sofrer multas e até suspensão caso não cumpram as novas regras. “Improdutivo” Antes da entrada em vigor da norma, alguns jovens já pensavam em formas de contornar a restrição. “Talvez eu me dedique a outras atividades, mas acho que pedirei ajuda ao meu pai ou à minha mãe para poder entrar” nas redes, admitiu Bradley Rowen Liu à AFP. Usuário frequente do TikTok, o menino de 11 anos afirma que, durante as férias ou nos fins de semana, pode passar até cinco horas por dia no celular. Já Maximillian, de 15 anos, reconhece que o tempo gasto nas redes o faz sentir-se “improdutivo” e apoia a proibição para que “os jovens possam se concentrar mais nos estudos”. Vários países, entre eles a Austrália, têm endurecido as restrições de idade nas redes sociais diante da crescente preocupação com a exposição de menores a conteúdos prejudiciais e com o aumento do tempo diante das telas. Nos Estados Unidos, um júri determinou na quarta-feira (25) que Instagram e YouTube são responsáveis pelo caráter viciante de suas plataformas e pelos problemas de saúde mental enfrentados por uma jovem californiana na adolescência, que recebeu uma indenização de vários milhões de dólares. A Meta, controladora de Facebook e Instagram, já havia sido condenada nesta semana em outro veredicto sem precedentes, no Novo México, onde foi considerada responsável por expor deliberadamente crianças a conteúdos perigosos e até a predadores sexuais. G1
Butantan produzirá remédio contra câncer para o SUS
O Instituto Butantan e a farmacêutica norte-americana MSD firmaram uma parceria para que o laboratório público brasileiro passe a produzir medicamento avançado contra o câncer a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). O acordo é resultado de um edital lançado em 2024 pelo Ministério da Saúde. O pembrolizumabe é uma terapia que estimula o sistema imunológico para identificar e combater as células cancerígenas. Além disso, é uma alternativa de tratamento menos tóxica do que a quimioterapia tradicional, e tem demonstrado grande eficácia. O remédio já vem sendo comprado pelo Ministério de Saúde, diretamente da MSD, e é usado no SUS, para o tratamento de alguns pacientes com melanoma metastático, tipo de câncer de pele agressivo e que se espalha para outros órgãos. De acordo com a Secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde, Fernanda De Negri, aproximadamente 1,7 mil pessoas são atendidas por ano, a um custo de R$ 400 milhões. A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (SUS) vai avaliar a inclusão no tratamento de casos de câncer de colo do útero, esôfago, mama triplo-negativo e pulmão. A MSD calcula que isso aumente a demanda para cerca de 13 mil pacientes por ano. Fernanda de Negri explica que um dos benefícios da parceria é a possibilidade de diminuição de custos, pois o contrato prevê a transferência gradual de tecnologia, para que, em alguns anos, o Butantan possa assumir a produção do medicamento. Outros benefícios são a prioridade no fornecimento e o desenvolvimento tecnológico. “O objeto dessa parceria é uma molécula nova, e o Butantan vai desenvolver a capacidade de produzir esta molécula e acima de tudo desenvolver a competência para produzir outras moléculas similares no futuro.” Segundo ela, a produção nacional deixa o paciente mais seguro. “A gente produzir aqui deixa o paciente brasileiro com mais garantias de que esse medicamento não vai faltar por conta de eventos externos que causem a interrupção de cadeias logísticas.” Concorrência A parceria é resultado de edital com o objetivo de promover a cooperação entre entidades privadas, públicas e científicas com o objetivo de desenvolver ou absorver tecnologias que favorecem o SUS. O edital faz parte de uma estratégia nacional que pretende nacionalizar a produção de 70% dos insumos de saúde utilizados no SUS, em até 10 anos. O diretor executivo de Relações Governamentais da MSD Brasil, Rodrigo cruz, explica que o processo de transferência de tecnologia do pembrolizumabe para o Butantan vai começar assim que as novas inclusões do medicamento no SUS forem aprovadas. A incorporação das etapas de produção será feita gradualmente ao longo de dez anos. “No começo, a é que eles aprendam como se faz a rotulagem, o envase, para depois passar para formulação e aí sim chegar à etapa final que é a produção do medicamento em si. Todas as etapas estão previstas dentro do projeto. Leva até oito anos para produzir o Ifa [ingrediente farmacêutico ativo] nacional e, a partir daí, finalizar o remédio 100% nacional.” O anúncio da parceria foi feito durante o evento Diálogo Internacional – Desafios e Oportunidades para a Cooperação em Tecnologias em Saúde, realizado no Rio de Janeiro. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, participou da abertura de maneira remota, e ressaltou a importância das parcerias para o desenvolvimento do país. “Não tem como enfrentar esses desafios sem forte cooperação internacional. A saúde deixou de ser apenas uma política social e passou também a ser um eixo central do desenvolvimento econômico, inovação tecnológica e geração de empregos qualificados.” O ministro destacou ainda a cadeia estrutural do sistema público de saúde brasileiro. “O SUS não é apenas o maior sistema público universal do mundo, mas também um dos maiores mercados estruturados do planeta em escala, previsibilidade, demanda e capacidade de absorção tecnológica.” Agência Brasil
Saúde libera R$ 900 mil para combate ao Chikungunya em Dourados
O Ministério da Saúde liberou aporte emergencial de R$ 900 mil para ações de vigilância, assistência e controle do Chikungunya na região da Grande Dourados, no Mato Grosso do Sul. Em nota, a pasta informou que o valor será transferido em parcela única, do Fundo Nacional de Saúde (FNS) ao fundo municipal. “Os recursos poderão ser utilizados para intensificar estratégias como vigilância em saúde, controle do mosquito Aedes aegypti, qualificação da assistência e apoio às equipes que atuam diretamente no atendimento à população”, informa o ministério. A liberação do montante, segundo o ministério, se soma a outras iniciativas em curso, como a instalação de mil Estações Disseminadoras de Larvicida (EDLs), compostas por armadilhas com recipiente plástico e tecido impregnado com larvicida. “Ao entrar em contato com o produto, o inseto passa a disseminar o larvicida em outros criadouros, contribuindo para interromper o ciclo de reprodução”, detalhou o comunicado. Ainda de acordo com a pasta, agentes municipais passaram por capacitação conduzida por técnicos da Coordenação-Geral de Vigilância de Arboviroses, com foco no uso das novas tecnologias de controle vetorial. Outra medida adotada na região é a busca ativa em territórios indígenas de Dourados, realizada de forma conjunta pela Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) e pela Secretaria de Saúde Indígena (Sesai), com 106 atendimentos domiciliares nas aldeias Jaguapiru e Bororó. Força-tarefa Na última semana, o ministério instalou uma sala de situação com o objetivo de coordenar as ações federais de combate ao Chikungunya. “Posteriormente, a estrutura será levada ao território, com atuação integrada entre áreas técnicas, gestores estaduais e municipais e outros órgãos públicos, fortalecendo a tomada de decisão”, informou a nota. Desde o início de março, agentes de saúde e de combate às endemias realizaram visitas a mais de 2,2 mil residências nas aldeias da região. As ações incluem mutirões de limpeza, eliminação de criadouros, aplicação de larvicidas e inseticidas. O ministério autorizou ainda, em caráter emergencial, a contratação temporária de 20 agentes de combate a endemias. A admissão será feita por meio de análise curricular e a expectativa é que, nas próximas semanas, os profissionais já estejam atuando. Entenda Desde 18 de março, a Força Nacional do SUS atua no município em parceria com equipes locais. Segundo a pasta, há atualmente 34 profissionais mobilizados, entre médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem, com atuação nas áreas mais afetadas. A equipe foi enviada ao município depois que o Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde do Distrito Sanitário Especial Indígena de Mato Grosso do Sul emitiu alerta epidemiológico em razão do aumento de casos de arboviroses no município. As ações envolvem equipes das Secretarias de Saúde Indígena (Sesai) e de Vigilância em Saúde e Ambiente, do Distrito Sanitário Especial Indígena de Mato Grosso do Sul, e da Defesa Civil estadual. Doença A Chikungunya é uma arbovirose cujo agente etiológico é transmitido pela picada de fêmeas infectadas do gênero Aedes. No Brasil, até o momento, o vetor envolvido na transmissão é o Aedes aegypti. O vírus foi introduzido no continente americano em 2013 e foi responsável por uma epidemia em diversos países da América Central e nas ilhas do Caribe. No segundo semestre de 2014, o Brasil confirmou, por métodos laboratoriais, a presença da doença nos estados do Amapá e da Bahia. Atualmente, todos os estados registram transmissão do arbovírus. Em 2023, o ministério cita uma importante dispersão territorial do vírus no país, principalmente em estados da Região Sudeste. Anteriormente, as maiores incidências de chikungunya concentravam-se no Nordeste. As principais características clínicas da infecção são edema e dor articular incapacitante, mas também podem ocorrer manifestações extra articulares. Casos graves de chikungunya podem demandar internação hospitalar e evoluir para óbito.
COP15 aprova maior proteção de bagres gigantes da Amazônia e ariranhas
O Plano de Ação para Grandes Bagres Migratórios Amazônicos e a inclusão da ariranha na Convenção de Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS) foram aprovados pela plenária da 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15), em Campo Grande. As decisões aumentam a cooperação internacional para proteger as espécies. A iniciativa com medidas para preservar os habitats de bagres como a dourada e a piramutaba e garantir a conectividade dos rios amazônicos foi liderada pelo Brasil. Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela também participaram por meio da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA). Segundo a analista de conservação da organização social WWF-Brasil, Mariana Frias, a medida traz proteção para toda a biodiversidade aquática e a segurança alimentar das comunidades humanas, além de manter a conectividade dos rios amazônicos. “Os grandes bagres, assim como os golfinhos de rio, são espécies sentinelas que dependem dos rios de livre fluxo para viajar centenas de quilômetros e cumprir seu ciclo de vida”, explica. A estratégia prevê medidas que assegurem a proteção das espécies por meio de pesquisas, integração de conhecimento e das políticas nacionais entre os países, implementação de monitoramento das rotas migratórias, promoção das cadeias produtivas sustentáveis na pesca e participação de comunidades locais e indígenas. Mariana acrescenta que a decisão indica que é necessário priorizar a conservação dos ambientes aquáticos de água doce nos países. “Os rios e sua biodiversidade são ameaçados por duas razões: a falta de conhecimento de dados, chamado gap informacional, e as atividades antropogênicas [promovida por seres humanos] de alto impacto como as barragens hidroelétricas”, diz. Ariranha Com programação até este domingo (29), a COP15 chega aos últimos dias de negociações para novos acordos internacionais com consenso alcançado para a inclusão de diversas espécies migratórias nos anexos I e II da CMS, que trazem as listas de espécies ameaçadas de extinção e que precisam de acordos internacionais respectivamente. Entre as espécies que passam a ser protegidas pelas medidas da CMS está a ariranha, maior lontra do mundo e que habita regiões alagadas por ser um mamífero semiaquático. Estão presentes apenas na América do Sul, sendo que, no Brasil, vivem principalmente no Pantanal e na Amazônia. A caça predatória para abastecer o mercado de peles para confecção de vestuário e ornamentos promoveu a extinção da espécie em alguns países, como a Argentina. Com a decisão na COP15, a ariranha integrará a lista de espécies ameaçadas de extinção da CMS. Nas redes sociais, a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, comentou a decisão. “Fico muito feliz com essa conquista. O alerta amplia a proteção internacional e reforça que precisamos agir, juntos, e agora, para garantir a sobrevivência da ariranha, tão importante para o equilíbrio dos nossos rios”, destaca. Agência Brasil
Operário volta a enfrentar o Vila Nova em Goiânia, agora pela Copa Verde
O Operário FC entra em campo mais uma vez pela Copa Verde em busca de manter a invencibilidade na temporada 2026. Neste sábado (28), às 19h30 (MS), o Galo enfrenta o Vila Nova-GO, em Goiânia (GO), pela segunda rodada da primeira fase, chamada de Copa Centro-Oeste. A partida no Estádio Onésio Brasileiro Alvarenga (OBA) tem arbitragem de Arthur Gomes Rabelo, auxiliado pelos assistentes Guthieri Javarini Rodrigues e Douglas da Silva Moreira, todos do Espírito Santo. O jogo tem transmissão com imagens pelo canal Sportynet, no YouTube. Esse é o segundo jogo entre os dois times no ano. No dia 12 de março, também no OBA, Vila Nova e Operário se enfrentaram pela terceira fase da Copa do Brasil. O confronto terminou igual em 1 a 1, e o time goiano conquistou a classificação vencendo nos pênaltis por 5 a 4. Na Copa Centro-Oeste, os dois times começaram com resultados diferentes. Enquanto o Vila foi batido pelo Rio Branco-ES por 1 a 0, em Cariacica (ES), o Galo visitou o Araguaína FR-TO e saiu com a vitória por 1 a 0, gol do zagueiro Gabriel Teixeira. No ano, o time campo-grandense já entrou em campo 15 vezes, com nove vitórias e seis empates. Excursão A delegação do Operário saiu de Campo Grande na última segunda-feira (23), para Tocantins. Depois da vitória em Araguaína, o time fez um treino de regeneração na quinta (26), em Palmas, capital do Estado. Foram direto para Goiânia, onde fechou a preparação com treino nesta sexta (27). O retorno para o Mato Grosso do Sul acontece domingo (29), com início de preparação para o jogo da volta pela final do Campeonato Sul-Mato-Grossense, quinta (2), contra AA Bataguassu, e a estreia na Série D do Campeonato Brasileiro, domingo (5), contra o Betim-MG. Os dois jogos no Estádio Jacques da Luz, em Campo Grande.
Bioparque Pantanal celebra quatro anos colocando Mato Grosso do Sul em destaque internacional
Ao completar quatro anos de atuação, neste sábado (28), o Bioparque Pantanal se consolida como o maior aquário de água doce do mundo e uma referência em turismo científico, acessível e sustentável. Com resultados expressivos nas áreas de conservação, pesquisa, acessibilidade e educação ambiental, o empreendimento coloca Mato Grosso do Sul em evidência no cenário internacional. Ao longo desse período, o Bioparque acumulou conquistas que vão além dos números e demonstram um modelo inovador de atuação. A certificação internacional ouro de sustentabilidade, concedida pela Green Destinations, por exemplo, atesta que o complexo segue rigorosos critérios ambientais, sociais e de governança, com práticas que incluem gestão eficiente de recursos hídricos, inclusão social, uso consciente de energia, destinação correta de resíduos e promoção de educação ambiental para visitantes e comunidades. Outro marco é a consolidação do maior banco genético vivo de água doce do mundo. Atualmente, o Bioparque Pantanal já alcançou a reprodução de mais de 100 espécies, incluindo espécies ameaçadas de extinção como o cascudo-viola. Esse trabalho envolve manejo técnico especializado, monitoramento constante e estudos científicos que contribuem diretamente para a conservação da ictiofauna, possibilitando a manutenção da diversidade genética e ampliando as chances de preservação dessas espécies a longo prazo. O alcance global do Bioparque também se reflete na visitação. Mais de 1,5 milhão de pessoas já passaram pelo empreendimento, com registros de visitantes oriundos de mais de 140 países. Esse fluxo demonstra não apenas o potencial turístico, mas também o papel do espaço como vitrine da biodiversidade pantaneira para o mundo. O empreendimento turístico ainda foi referendado pelo Google como o aquário com a melhor avaliação do Brasil e do mundo. Na área educacional, o impacto é significativo, mais de 130 mil estudantes já foram atendidos por meio de visitas e ações lúdicas pedagógicas. As atividades vão além da contemplação, promovendo aprendizado sobre conservação ambiental, ecossistemas aquáticos e a importância da sustentabilidade, contribuindo para a formação de uma consciência ambiental nas novas gerações. O reconhecimento institucional se fortalece com a escolha do Bioparque como sede do Congresso da Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil (AZAB), considerado o maior evento do setor no país. A realização do encontro no empreendimento será em maio deste ano e reforçará sua relevância técnica e científica no cenário nacional. Além disso, o Bioparque também foi palco de discussões internacionais ao recepcionar um dos eventos da COP15 voltado aos peixes migratórios de água doce. O encontro reuniu especialistas, pesquisadores e representantes de diferentes países, consolidando o espaço como um ambiente estratégico para o debate de temas globais ligados à conservação. No campo científico, o empreendimento mantém uma atuação contínua por meio de intercâmbios técnicos e científicos com universidades, centros de pesquisa e organizações governamentais e não governamentais. Essas parcerias possibilitam o desenvolvimento de projetos de pesquisa voltados à biodiversidade aquática, especialmente do Pantanal, além da produção e publicação de artigos científicos que contribuem para o avanço do conhecimento e embasam estratégias de conservação, bioeconomia e sustentabilidade. Para a diretora-geral do complexo, Maria Fernanda Balestieri, os resultados refletem o compromisso institucional. “Chegar aos quatro anos com resultados tão consistentes mostra que o Bioparque Pantanal cumpre seu papel como agente de transformação. Aqui, conectamos pessoas à ciência, a educação e a conservação, com impactos reais na preservação da biodiversidade e na formação de uma sociedade mais consciente”, destacou. A moradora de Corumbá, Inês Gonçalves, ressalta o orgulho em ver o empreendimento ganhar projeção.“É um lugar que representa muito para o nosso Estado. Além de ser lindo, ensina e faz a gente refletir sobre a importância de cuidar do meio ambiente”, afirmou. A experiência também impressiona visitantes internacionais, como o turista alemão Gunter Schneider.“O Bioparque Pantanal é um exemplo de como turismo e conservação podem caminhar juntos. É uma experiência educativa e inspiradora, com padrão internacional”, comentou. Rosana Moura, Comunicação Bioparque Pantanal
Trump diz que “Cuba é a próxima” em discurso
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta sexta-feira (28) que “Cuba é a próxima”, durante um discurso em um fórum de investimentos em Miami, quando elogiou os sucessos da ação militar dos EUA na Venezuela e no Irã. Embora o presidente não tenha especificado exatamente o que planeja fazer com a nação insular, ele tem dito com frequência que acredita que o governo de Havana, que enfrenta uma grave crise econômica, está à beira do colapso. Seu governo iniciou negociações com lideranças de Cuba nas últimas semanas, enquanto o próprio Trump deu a entender que uma ação cinética poderia ser possível. “Eu construí esse grande exército. Eu disse ‘Você nunca terá que usá-lo.’ Mas, às vezes, é preciso usá-lo. E, a propósito, Cuba é a próxima”, disse Trump na conferência. Embargo Cuba sofre um forte embargo por parte do governo dos Estados Unidos. Trump impede que a Venezuela forneça petróleo para a ilha, causando assim uma forte crise energética na ilha. Nos últimos meses, o país sofreu uma série de apagões de energia elétrica, deixando mais de 10 milhões de pessoas sem luz. Além de hospitais, escolas e outros lugares. Agência Brasil * Com informações da Reuters








