A 6ª edição da Feira de Tecnologias e Conhecimentos para Agricultura Familiar (Tecnofam) começou nesta terça-feira (9), na sede da Embrapa Agropecuária Oeste, em Dourados, reunindo produtores rurais, pesquisadores, instituições financeiras, cooperativas, entidades do setor agropecuário e lideranças políticas. Durante a solenidade de abertura, o prefeito Marçal Filho ressaltou a importância da união entre os diversos segmentos para fortalecer a agricultura familiar e impulsionar o desenvolvimento econômico e social da região. Ao lado de representantes do setor agropecuário, o prefeito destacou a credibilidade da Embrapa e o papel estratégico da instituição na geração de conhecimento e tecnologias voltadas ao campo. “Temos aqui as mais variadas matrizes ideológicas unidas por um só objetivo, pela credibilidade que a Embrapa tem”, enfatiza. “Nós sabemos da importância da instituição principalmente para a nossa agricultura e que ajuda Dourados a avançar muito”, afirmou. Marçal Filho também destacou o trabalho conjunto entre os governos Federal, Estadual e Municipal por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), que vem garantindo renda aos produtores e segurança alimentar para famílias em situação de vulnerabilidade. No PAA Indígena, a última etapa registrou a entrega de mais de 185 mil quilos de alimentos produzidos por 224 agricultores indígenas. Já no programa voltado à agricultura familiar, foram distribuídos mais de 8 mil quilos de hortifrúti e mais de 20 mil litros de leite para os Centros de Referência de Assistência Social (Cras). No PAA Quilombola, seis produtores participaram da entrega de mais de 4 mil quilos de alimentos. Somente para as aldeias de Dourados foram destinados mais de 10 mil litros de leite. O desempenho alcançado pelo município também garantiu reconhecimento nacional. Segundo o prefeito Marçal Filho, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social vai destinar cerca de R$ 500 mil para a implantação do primeiro PAA Municipal Indígena do Brasil, que será desenvolvido em Dourados. “Isso demonstra um trabalho integrado e eficiente que tem gerado resultados”, apontou Marçal Filho. A diretora da Embrapa Agropecuária Oeste, Ana Margarida Euler, destacou o crescimento da Tecnofam e a abrangência das ações voltadas para diferentes públicos, incluindo jovens, mulheres e crianças. Ela ressaltou a relevância de Mato Grosso do Sul para a agricultura familiar e o papel da feira na disseminação de conhecimento e inovação. “Hoje não é qualquer feira. É a maior feira de tecnologias da agricultura familiar do Centro-Oeste, já expandindo sua influência para outros estados, que enviam representantes para conhecer a diversidade de experiências apresentadas aqui”, afirmou. Segundo ela, a programação foi estruturada para levar ciência, tecnologia e inovação aos produtores, incentivando a agregação de valor à produção rural por meio da agroindustrialização, da capacitação técnica e da adoção de novas tecnologias. Representando os produtores rurais, Antonio Paulo Ribeiro destacou que a Tecnofam vai além da apresentação de tecnologias, consolidando-se como um espaço de construção de parcerias, acesso a informações e aproximação entre agricultores, instituições financeiras e órgãos de apoio ao setor. Ele incentivou os participantes a aproveitarem as oportunidades de aprendizado e de contato com experiências inovadoras capazes de contribuir para o crescimento da produção familiar. A programação da Tecnofam segue até quinta-feira (11) com demonstrações em campo experimental, onde pesquisadores e analistas da Embrapa apresentarão tecnologias em cultivares, manejo de culturas e sistemas produtivos adaptados às condições de solo e clima da região Centro-Sul do país. O público também poderá participar de oficinas e palestras sobre temas como enxertia de mudas frutíferas, agroindustrialização da mandioca, elaboração de temperos naturais, cultivo de orquídeas, manejo agroecológico, produção em pequenos espaços, pecuária leiteira, piscicultura e diversas outras atividades. O Sebrae/MS promove oficinas gratuitas nas áreas de gastronomia e tecnologia, enquanto a Mostra de Tecnologias e Máquinas reúne equipamentos, insumos e soluções desenvolvidas especialmente para a realidade da agricultura familiar.
Dourados recebe R$ 500 mil do MDS e cria 1º PAA Municipal Indígena do Brasil
O município de Dourados está consolidado como a grande referência estadual na execução de políticas públicas voltadas à segurança alimentar e ao fomento agropecuário da agricultura familiar. Gerido pelo Governo do Estado e executado com rigor pela Prefeitura Municipal, por meio da Secretaria Municipal de Agricultura Familiar (Semaf), o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) local atingiu um desempenho histórico sob a gestão do prefeito Marçal Filho. O sucesso obtido na execução do PAA culminou em um marco nacional: a publicação da Portaria Nº 54 do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). A medida destinou R$ 500 mil em recursos federais exclusivos para a criação do primeiro PAA Municipal Indígena do Brasil executado por um município. “Trata-se de uma grande conquista para a gestão do prefeito Marçal Filho e um reconhecimento direto ao ótimo desempenho da equipe municipal na aplicação dos recursos federais”, comemora Bruno Pontim, secretário municipal de Agricultura Familiar. Os números revelam que mais de 220 mil quilos de alimentos foram adquiridos e distribuídos de graça em Dourados. Iniciadas as operações em 3 de dezembro de 2025, as entregas conjuntas evidenciam a força da agricultura familiar douradense. “Somando as três modalidades de atuação, o programa já entregou 220.718,3 quilos e litros de alimentos”, apontam Bruno Pontim. “São 254 produtores rurais fornecendo 60 variedades de produtos, movimentando mais de R$ 1,5 milhão”, ressalta o secretário de Agricultura Familiar. O desempenho detalhado de cada programa comprova a capilaridade da ação: PAA Indígena (Referência Estadual), considerado um dos melhores executados em Mato Grosso do Sul, este pilar conta com R$ 1.276.000,00 em recursos. Sozinho, engajou 224 produtores das comunidades originárias, que cultivaram 52 tipos de alimentos diferentes e entregaram 186.808,2 kg de hortifrúti. PAA Ampla Concorrência (Doação Simultânea): Com 24 produtores e 36 tipos de produtos, a modalidade somou 8.422,2 kg de hortifrúti e 20.820 litros de leite. O programa, que contava com R$ 180.000,00, recebeu um aporte estratégico de R$ 40.000,00 para a aquisição complementar de leite. “Esse volume teve um papel crucial na saúde pública”, enfatiza Bruno Pontim. “A maior parte do leite foi destinada às aldeias indígenas, garantindo nutrição essencial, especialmente durante o pico do surto de chikungunya que atingiu as comunidades”, ressalta o secretário. PAA Quilombola: Atendendo às raízes das comunidades tradicionais, 6 produtores cultivaram 23 variedades de produtos, somando 4.667,9 kg de alimentos entregues. “O fomento saltou de R$ 50.400,00 para R$ 67.200,00, fortalecendo a segurança alimentar dessa população”, explica Bruno Pontim. FIXAÇÃO DO HOMEM NO CAMPO Na avaliação de Bruno Pontim, muito além da entrega de alimentos, as políticas públicas promovidas pela atual gestão atuam como um motor para movimentar a economia da agricultura familiar — englobando o pequeno, o médio e o grande produtor. “A conquista da Portaria 54 e a execução recorde representam um incentivo governamental, nas esferas estadual e municipal, para buscar a sustentabilidade financeira das comunidades”, analisa o secretário. Segundo ele, a estratégia cria um ciclo virtuoso porque fornece apoio para que o produtor permaneça em sua propriedade, desenvolva suas terras com dignidade, produza com qualidade e veja o seu produto sendo comercializado e consumido dentro do próprio município. “Todo esse recurso federal e estadual é injetado diretamente na economia das famílias indígenas, quilombolas e tradicionais”, ressalta. “Fazer com que o dinheiro gerado no campo circule e fique em Dourados é um dos principais elos da cadeia produtiva elaborada pela Prefeitura, alavancando a economia interna e comprovando que investir na agricultura familiar é a resposta mais rápida e eficiente para combater a fome e gerar desenvolvimento local”, finaliza Bruno Pontim.
Forças de segurança definem percurso e estratégias para a 7ª Meia Maratona do Fogo
A Prefeitura de Dourados, através da Fundação de Esportes (Funed), reuniu representantes de diversas instituições na manhã desta segunda-feira (8) para definir o trajeto e as estratégias de segurança da 7ª Meia Maratona do Fogo, que neste ano será disputada exclusivamente pelas ruas do município. A reunião aconteceu no quartel do 2º Grupamento de Bombeiros Militar com a presença da tenente-coronel Cláudia Caroline, comandante do 2º GMB, da diretora-presidente da Fundação de Esportes de Dourados, Sandra Giselly Amaral, além de representantes da Guarda Municipal, Departamento Estadual de Trânsito (Detran), Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) e Polícia Militar. Durante o encontro foram discutidos e definidos pontos importantes para a realização da prova, entre eles o percurso oficial, os bloqueios e desvios de trânsito, os pontos de hidratação, o suporte de emergência e as estratégias de segurança que serão adotadas ao longo do trajeto. “Estamos trabalhando todos os detalhes, com muito planejamento, para que a prova seja realizada com o máximo de segurança para os atletas e para a população”, explica Sandra Giselly Amaral. “Essa é uma determinação expressa do prefeito Marçal Filho, para que a segurança das pessoas seja colocada em primeiro lugar”, completa a diretora-presidente da Funed. Segundo ela, a integração entre os órgãos envolvidos visa garantir a segurança dos atletas, equipe de apoio e público participante, proporcionando uma prova organizada e segura para todos. A 7ª Meia Maratona do Fogo integra o calendário esportivo do município e reforça o compromisso da administração municipal com a promoção do esporte, da saúde e da qualidade de vida da população. A 7ª edição da Meia Maratona do Fogo será realizada no dia 12 de julho, a partir das 6h, com largada e chegada no Quartel do Corpo de Bombeiros Militar, na Avenida Presidente Vargas. As inscrições já estão abertas e a expectativa é reunir atletas, famílias e a comunidade em uma grande celebração ao esporte, à saúde e ao Dia Nacional do Bombeiro, comemorado em 2 de julho. A prova será 100% pelas ruas de Dourados, com os atletas passando por importantes vias até retornar ao Corpo de Bombeiros para a chegada. A principal novidade deste ano é a criação da Corrida Kids “Foguinho”, modalidade recreativa voltada às crianças, pensada para incentivar a participação das famílias e despertar na infância o interesse pela prática esportiva. A proposta é transformar a Meia Maratona do Fogo em um evento ainda mais inclusivo, reunindo competidores profissionais, corredores amadores e famílias em um momento de integração através do esporte. A diretora-presidente da Funed, Sandra Giselly Amaral, ressalta a importância da participação popular no evento. “Nossa expectativa é envolver toda a comunidade em um momento de lazer, integração e incentivo à prática esportiva, fortalecendo os hábitos saudáveis entre crianças, jovens e adultos”, afirmou. A programação contará com provas de 21 quilômetros, 10 quilômetros e a Corrida Kids Foguinho. Para a Meia Maratona do Fogo, de 21 quilômetros, serão disponibilizadas 200 vagas, com inscrição no valor de R$ 100. Já a Corrida do Fogo, de 10 quilômetros, terá 100 vagas e inscrição de R$ 80. A Corrida Kids Foguinho contará com 50 vagas e inscrição de R$ 50. A organização também disponibilizará valor promocional de R$ 60 para participantes das provas de 21 km e 10 km que sejam militares da ativa e reserva, doadores regulares de sangue, pessoas com deficiência (PCD) e idosos acima de 60 anos, mediante comprovação. Os benefícios não são cumulativos. As provas de 21 km e 10 km terão largada e chegada no Quartel do Corpo de Bombeiros de Dourados, localizado na Avenida Presidente Vargas, nº 1167, na Vila Progresso. Os percursos completos, mapas, horários e orientações logísticas serão divulgados em breve pela organização. As competições contarão com cronometragem eletrônica por chip obrigatório, enquanto a Corrida Kids terá caráter participativo e recreativo.Os atletas disputarão categorias gerais masculina e feminina, além de categorias militares e divisões por faixa etária. Todos os participantes que concluírem as provas receberão medalha de participação. Os melhores colocados poderão receber troféus, medalhas especiais e premiação em dinheiro, conforme divulgação oficial da organização.
Vacinas do Butatan enviadas a Dourados imunizaram 70 trabalhadores da Atenção Primária a Saúde
Diante da decisão do Ministério da Saúde de suspender temporariamente a aplicação da vacina Butantan-DV contra dengue, a Secretaria Municipal de Saúde esclarece que não existe motivo para preocupação entre a população. “A Prefeitura de Dourados recebeu apenas 70 doses da vacina Butantan-DV tendo como público preferencial pelo Ministério da Saúde os trabalhadores na linha de frente das UBS”, explica o secretário municipal de Saúde, Márcio Figueiredo. “As doses foram aplicadas em 70 profissionais da saúde, sem nenhuma reação alérgica, sem nenhuma intercorrência e não temos nenhum caso de reação adversa em investigação”, completa o secretário. Ele ressalta que a estratégia de vacinação com o imunizante Butantan-DV estava voltada exclusiva para profissionais de saúde da Atenção Primária à Saúde e, de forma ampliada, para o público de 15 a 49 anos, de quatro cidades brasileiras, nenhuma delas de Mato Grosso do Sul. “Os únicos municípios que estavam aplicando a vacina no público-alvo eram Botucatu, no interior de São Paulo, Maranguape, no Ceará e Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte, em Minas Gerais, e da região de Araguaína, em Tocantins”, explica Márcio Figueiredo. “Não existe qualquer motivo para preocupação em Dourados”, conclui. Márcio Figueiredo ressalta que a vacina que vinha sendo aplicada contra a Chikungunya, que também era produzida pelo Instituto Butantan e que teve pouca procura nas Unidades Básicas de Saúde de Dourados, não tem qualquer relação com a Butantan-DV, que foi suspensa pelo Ministério da Saúde nessa segunda-feira. “As doses gerais, que seriam destinadas ao público alvo, nem foram enviadas ao município de Dourados, de forma que não existe motivo para preocupação”, ressalta. “Em relação à vacina contra Chikungunya, a imunização está paralisada porque as doses que foram encaminhadas ao município venceram no começo do mês e o Ministério da Saúde ainda não enviou um novo lote”, conclui. A medida de suspensão da vacina Butantan-DV foi adotada por precaução e a partir de consenso entre o Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), após o registro de 42 casos com sinais de alerta, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos. Dentre esses casos, três foram classificados como graves, incluindo dois óbitos. A identificação desses episódios foi feita pela farmacovigilância – procedimento padrão de monitoramento adotado sempre que um novo insumo desse topo passa a ser usado no Sistema Único de Saúde (SUS). São eventos raros que correspondem a 0,008% de um total de 500 mil doses aplicadas até 30 de maio – e ainda não há resultado conclusivo sobre a correlação deles com a vacina. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, explica que a descontinuidade é uma ação de precaução que deve sempre orientar quem respeita a vida e quem respeita a ciência, ainda mais quando se fala de vacinação. “A medida permite que o Ministério da Saúde, a Anvisa e o Instituto Butantan aprofundem a investigação dos casos, em especial dos óbitos registrados, para os quais ainda não há informações suficientes que permitam estabelecer uma relação de causalidade com a vacina”, destacou Alexandre Padilha. COMBATE À DENGUE O Ministério da Saúde mantém todas as demais estratégias de combate à dengue em operação, com o objetivo de reduzir a circulação do vírus, prevenir casos graves, diminuir hospitalizações e evitar óbitos. Até o fim de maio deste ano, o país registrou queda de 94% no número de casos em relação ao mesmo período de 2024. Foram 365 mil casos prováveis, bem abaixo dos 5,8 milhões contabilizados no mesmo intervalo de 2024. Em relação aos óbitos, a redução foi de 97%, com registro de 178 óbitos em 2026 e, mais de 6,3 mil em 2024. Entre as medidas estratégicas adotadas pelo Ministério da Saúde estão o fortalecimento da vigilância epidemiológica, o monitoramento contínuo dos casos suspeitos e confirmados, a identificação e eliminação de criadouros do mosquito Aedes aegypti, campanhas permanentes de conscientização da população e o apoio técnico e financeiro aos estados e municípios para ações de controle vetorial. O Ministério também mantém a distribuição de inseticidas, larvicidas e equipamentos para as equipes locais de vigilância, além da capacitação contínua de profissionais de saúde para o diagnóstico precoce e o manejo adequado dos pacientes. Outra frente importante é o monitoramento laboratorial dos sorotipos circulantes do vírus da dengue, permitindo respostas mais rápidas diante do aumento da transmissão em determinadas regiões. A participação da população continua sendo fundamental para o controle da doença. A recomendação é eliminar recipientes que possam acumular água parada, manter caixas d’água devidamente fechadas, limpar calhas, descartar corretamente resíduos e permitir o acesso dos agentes de combate às endemias quando necessário.
Tecnofam 2026: transformação digital a serviço do campo vai ampliar eficiência dos serviços
A transformação digital a serviço do campo foi tema de seminário no primeiro dia da Tecnofam 2026. Esta inovação será usada na Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater). A atividade aconteceu no espaço Pitch Tecnofam, instalado no Pavilhão da Agricultura Familiar, em Dourados. Organizado pelo Governo de Mato Grosso do Sul, por meio da Agraer (Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural) e Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação) o seminário teve como tema “Anater Tecnologias Digitais para Ater: Minha Ater Digital, IARAA e Meu Imóvel Rural”. O encontro reuniu extensionistas da Agraer, gestores públicos, pesquisadores da Embrapa e representantes de instituições ligadas ao desenvolvimento rural para apresentar ferramentas digitais que prometem ampliar a eficiência dos serviços de assistência técnica, fortalecer a gestão das propriedades rurais e aproximar os agricultores familiares das políticas públicas. A presidente da Anater (Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural), Loroana Coutinho, destacou que a transformação digital é um caminho sem volta e fundamental para ampliar o alcance das ações de Ater em todo o País. “A agricultura familiar brasileira precisa estar inserida nesse novo ambiente digital. As plataformas que estamos desenvolvendo permitem maior integração de dados, acompanhamento das propriedades e monitoramento das ações de assistência técnica. A longo prazo, essas ferramentas vão possibilitar um cruzamento mais eficiente das informações, contribuindo para a formulação de políticas públicas mais assertivas, além de facilitar o acesso dos agricultores aos serviços oferecidos pelas instituições. O objetivo é que a tecnologia seja uma aliada da inclusão produtiva, social e econômica das famílias rurais”, afirmou. Durante o seminário, a diretora-executiva da Anater, Ana Euler, ressaltou que a ampliação do acesso à assistência técnica precisa caminhar junto com a inclusão digital no campo. “Temos o desafio de levar conhecimento de forma mais rápida e eficiente para quem está na ponta. Sabemos das dificuldades de conectividade e de letramento digital presentes na agricultura familiar e nas comunidades tradicionais, mas se não começarmos essa transformação agora, o distanciamento entre os pequenos produtores e os sistemas mais modernos de produção só tende a aumentar”, enfatizou. Ana Euler também ressaltou que a inclusão digital precisa ser encarada como uma ferramenta de justiça social. “A tecnologia pode ser um instrumento poderoso de transformação, especialmente para os jovens do campo. Mas, se não houver políticas públicas voltadas à inclusão digital, ela também pode ampliar desigualdades. Por isso, estamos construindo, em parceria com ministérios, instituições de pesquisa e entidades de assistência técnica, soluções que garantam conectividade, capacitação e acesso às ferramentas digitais para todos os agricultores familiares.” Tecnologia Lançada em abril deste ano, em Brasília, a plataforma Minha Ater Digital foi criada para impulsionar a transformação digital da Assistência Técnica e Extensão Rural no Brasil. Desenvolvida por meio de uma articulação entre o MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar), por meio da SAF (Secretaria de Agricultura Familiar e Agroecologia), com apoio da Embrapa, Anater, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a plataforma reúne cursos, conteúdos técnicos, vídeos, trilhas de aprendizagem e ferramentas digitais em um único ambiente. A plataforma conecta extensionistas, agricultores, pesquisadores e gestores públicos, integrando soluções já utilizadas pelo setor, como o Zarc, o Mecaniza e o e-Campo. A ferramenta também aborda temas estratégicos para a agricultura familiar, como agroecologia, bioinsumos, manejo sustentável e inovação produtiva, contribuindo para sistemas agrícolas mais resilientes e sustentáveis. O acesso é realizado por meio do Gov.br e, neste primeiro momento, está direcionado principalmente aos extensionistas e profissionais da Ater. O coordenador de Articulação e Transferência de Tecnologia da Anater, Marcelo Alexandrino, explicou que a plataforma está em fase de aprimoramento e que a participação dos extensionistas é fundamental para aperfeiçoar a ferramenta. “Esta primeira etapa é voltada especialmente aos extensionistas porque queremos construir uma plataforma cada vez mais alinhada às necessidades de quem está no dia a dia do atendimento aos agricultores. Estamos ouvindo sugestões, identificando pontos de melhoria e avaliando novas funcionalidades que podem ser incorporadas ao sistema”. Outro destaque do seminário foi a apresentação da IARAA (Inteligência Artificial de Referência para Agricultura e Agroecologia) ferramenta desenvolvida pelo MST em parceria com a Marcha Mundial das Mulheres e a Associação Baobab. “A IARAA nasceu da percepção de que a inteligência artificial precisa estar a serviço da agricultura familiar e da agroecologia. Ela foi construída para funcionar como uma ferramenta de apoio, reunindo conteúdos técnicos, científicos e experiências acumuladas por diversas instituições. Nosso objetivo é facilitar o acesso à informação confiável, permitindo que agricultores, extensionistas e organizações encontrem respostas de forma rápida e segura, fortalecendo a produção sustentável e a tomada de decisões no campo”, destacou a engenheira agrônoma Karen Oliveira, coordenadora do Plano Nacional Plantar Árvores, Produzir Alimentos Saudáveis e integrante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O diretor-presidente da Agraer, Fernando Nascimento, destacou a importância da tecnologia como aliada para ampliar o atendimento aos agricultores familiares sul-mato-grossenses. “Nosso grande desafio é fazer com que as políticas públicas cheguem a quem realmente precisa. Mato Grosso do Sul possui cerca de 70 mil agricultores familiares e, mesmo com uma equipe de aproximadamente 500 profissionais entre servidores e contratados, sabemos que não conseguimos estar fisicamente em todos os lugares ao mesmo tempo. Por isso, a Ater Digital é fundamental. Ela amplia nossa capacidade de atendimento, melhora a qualidade dos serviços e permite que o conhecimento chegue mais rapidamente ao produtor rural.” Fernando também ressaltou que a tecnologia e a inteligência artificial já fazem parte da rotina da Agraer e podem contribuir para tornar os serviços públicos mais eficientes. “Firmamos uma parceria com a Famasul para utilizar inteligência artificial no processo de ratificação dos imóveis rurais da faixa de fronteira. Um trabalho que atualmente pode levar até três meses será realizado em poucos dias. Estamos falando de análise documental que remonta ao século XIX. Essa inovação demonstra o potencial da tecnologia para aumentar a eficiência dos serviços públicos e reforça a
Saúde ambiental em foco: evento debate desafios climáticos e vigilância em Mato Grosso do Sul
As mudanças climáticas, os desastres ambientais, a contaminação por agrotóxicos, a qualidade da água e o surgimento de novos desafios sanitários estão no centro dos debates da Semana da Saúde Ambiental e Toxicológica, promovida pela SES (Secretaria de Estado de Saúde) em Campo Grande. Reunindo gestores, técnicos, pesquisadores e representantes de instituições parceiras, o evento promove três dias de capacitação, troca de experiências e discussão sobre estratégias para proteger a população diante dos impactos ambientais na saúde. Saúde e meio ambiente caminham juntos Na abertura do evento, a secretária-adjunta de Estado de Saúde, Crhistinne Maymone, destacou a importância da integração entre diferentes instituições e profissionais para fortalecer ações que promovam qualidade de vida e proteção ambiental. “Este é um ano muito especial e também desafiador para o Brasil. Todos nós acompanhamos os impactos dos eventos climáticos extremos que atingiram diferentes regiões do país, especialmente as fortes chuvas registradas no Sul e no Sudeste. Esses acontecimentos reforçam a importância de estarmos preparados para enfrentar as mudanças que já estão acontecendo e que impactam diretamente a saúde da população”, afirmou. A gestora também ressaltou que a conscientização ambiental ainda é um desafio coletivo e que os profissionais da saúde têm papel fundamental nesse processo. “Como profissionais da saúde, como formadores de opinião e como cidadãos, temos o dever de estimular e incentivar a preservação ambiental. Precisamos compreender que fazemos parte desse processo e que nossas ações têm impacto direto sobre a qualidade de vida das atuais e futuras gerações”, acrescentou. Programação aborda vigilância, intoxicações e emergências em saúde Com uma programação abrangente, a Semana da Saúde Ambiental e Toxicológica reúne especialistas de Mato Grosso do Sul e de órgãos federais para discutir temas estratégicos da vigilância em saúde ambiental. Entre os assuntos abordados estão os impactos dos agrotóxicos na saúde humana, a vigilância da qualidade da água para consumo humano, a relação entre saneamento básico e doenças diarreicas, a preparação da área da saúde para as mudanças climáticas, além das ações voltadas ao monitoramento da poluição atmosférica, contaminação do solo e exposição a substâncias químicas. O coordenador de Vigilância em Saúde Ambiental da SES, Karyston Machado, explicou que a iniciativa foi organizada em alusão ao Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho, e tem como principal objetivo fortalecer as ações integradas desenvolvidas pela área. “A Secretaria de Estado de Saúde está promovendo essa iniciativa com o objetivo de fortalecer as ações integradas da Vigilância em Saúde Ambiental e das áreas relacionadas à toxicologia”, destacou. Segundo ele, a programação contempla temas ligados às intoxicações por agrotóxicos e acidentes envolvendo animais peçonhentos, além de dedicar um dia inteiro à discussão da brucelose humana e animal. “O evento também reúne iniciativas, projetos e estratégias voltados à vigilância em saúde ambiental, promovendo discussões sobre monitoramento, prevenção, preparação para emergências e proteção da população diante dos diferentes riscos ambientais, fortalecendo cada vez mais essa pauta dentro da SES”, explicou. Mudanças climáticas ampliam desafios para a saúde pública Um dos destaques da programação é a discussão sobre os impactos das mudanças climáticas na saúde pública e a necessidade de adaptação dos serviços diante do aumento da frequência de eventos extremos. Consultora técnica do Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador do Ministério da Saúde, Rafaela Ferreira ressaltou que a área da saúde passou a ocupar posição estratégica nesse debate nos últimos anos. “Até pouco tempo atrás, a área da saúde não era vista como protagonista dentro do contexto das mudanças climáticas. Hoje, porém, existe um movimento internacional muito forte que tem colocado essa discussão em evidência”, afirmou. De acordo com a especialista, o aumento da ocorrência de desastres, as alterações no comportamento de vetores e a mudança na dinâmica de circulação de agentes causadores de doenças têm provocado impactos cada vez maiores sobre os sistemas de saúde. “Os dados epidemiológicos mostram o crescimento de diferentes agravos e doenças, além do aumento da demanda sobre os serviços de saúde. Por isso, reunir os municípios para discutir as mudanças ambientais e sua relação direta com a saúde é extremamente importante”, pontuou. Rafaela também destacou o AdaptaSUS, Plano de Adaptação da Saúde às Mudanças Climáticas, que recebeu financiamento internacional e estabelece metas para fortalecer a preparação dos serviços de saúde em todo o país. “Nosso objetivo é preparar os serviços de saúde para que, diante de desastres, emergências ou epidemias, possamos oferecer uma resposta rápida, organizada e eficiente, minimizando os impactos para a população”, enfatizou. Participação do público e troca de experiências Além das palestras técnicas, a programação conta com mesas-redondas, debates e espaços para interação entre os participantes, promovendo a troca de experiências entre municípios e instituições. Outra atração é a exposição de animais peçonhentos e não peçonhentos, realizada em parceria com o biotério da UCDB (Universidade Católica Dom Bosco), permitindo aos participantes ampliar conhecimentos sobre identificação, prevenção de acidentes e manejo adequado desses animais. Durante os três dias de evento, a iniciativa reforça a importância da integração entre dados, pessoas e ações para fortalecer a vigilância em saúde ambiental e ampliar a capacidade de resposta do SUS (Sistema Único de Saúde) diante dos desafios impostos pelas transformações ambientais e climáticas. André Lima, Comunicação SES
Zé Teixeira cobra policiamento e cerco a receptadores em Campo Grande
Com foco na proteção do comércio local e na tranquilidade aos moradores, o deputado estadual Zé Teixeira (PL) exigiu nesta quarta-feira (10) o reforço imediato do policiamento ostensivo no Centro de Campo Grande. A cobrança, oficializada por meio de indicação na Assembleia Legislativa, mira a repressão estruturada ao furto de cabos de energia e propõe um cerco estratégico aos receptadores do material. A mobilização responde a um cenário de insegurança crescente, documentado por dezenas de matérias veiculadas na imprensa e vídeos registrados pelas próprias vítimas. Durante pronunciamento na tribuna, o parlamentar destacou o peso econômico suportado pelos empresários, que lidam com aluguéis e impostos elevados enquanto amargam prejuízos diários causados por vândalos. Zé Teixeira classificou a situação atual como assustadora e alertou para a degradação da região central, afetada de forma direta pela dependência química e pela ação de criminosos. Segundo o parlamentar, o custo de manutenção de um negócio se tornou insustentável diante da desordem. Ele apelou ao Governo do Estado, ressaltando a capacidade da gestão estadual para reverter o quadro. “Sei da competência do secretário de Segurança Pública e quero fazer esse apelo para mostrar a preocupação dos empresários, pois o Centro sofre com a falta de efetivo para trazer sossego”, afirmou o deputado. O documento apresentado na Casa de Leis foi encaminhado aos secretários de Estado Rodrigo Perez Ramos (Governo e Gestão Estratégica) e Antônio Carlos Videira (Justiça e Segurança Pública). A medida solicita rigor nas ações operacionais. Zé Teixeira enfatizou que o poder público precisa atacar a raiz financeira do delito, focando em identificar e punir quem compra o cobre furtado, visto que a receptação alimenta diretamente o ciclo contínuo de criminalidade. A escalada desse crime desde o início de 2026 resultou na triplicação das ocorrências em Campo Grande, com registros de prisões em flagrante de indivíduos portando armas brancas para a extração do cobre. O endurecimento das penas para furto e receptação de cabos elétricos aprovado no Senado oferece respaldo legal essencial, contudo, a efetividade da lei depende da presença policial nas ruas. Para o parlamentar, a combinação de ampliação de forças-tarefas locais, uso de tecnologia de vigilância e fiscalização rigorosa constitui o caminho urgente para proteger o patrimônio privado, garantir oportunidades justas de trabalho aos comerciantes e devolver a dignidade à população sul-mato-grossense. *Com informações de Fernanda Kintschner, da Agência ALEMS.
MapBiomas: Mato Grosso do Sul tem a menor área desmatada do Brasil nos últimos 7 anos
Mato Grosso do Sul tem a menor área de desmatamento sem licença ambiental nos últimos sete anos, entre todas as unidades da federação. Os dados estão no Relatório Anual de Desmatamento 2026 do MapBiomas, uma rede colaborativa que reúne organizações não governamentais, universidades e empresas de tecnologia que analisam dados sobre os biomas e temas transversais. Entre 2019 e 2025 foi suprimida uma área de 368.931 hectares de vegetação nativa no Estado, sendo que desse total, 277.357 hectares estavam legalmente autorizados, conforme dados cruzados pelos pesquisadores do MapBiomas com as licenças ambientais emitidas pelo Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul). Essa área representa 75,2% do total desmatado, o maior percentual do País. O Estado tem aumentado significativamente o controle e combatido o desmatamento ilegal ao longo dos anos, conforme demonstram os dados do MapBiomas. Em 2019 a área suprimida com autorização ambiental representava apenas 31,6% da área total desmatada e no ano passado, passou a representar 94,3% desse universo. É o maior percentual do País. O bioma Pantanal, com mais de 84% de sua cobertura vegetal nativa preservada, foi também o que apresentou o segundo menor número de alertas de desmatamento entre todos os biomas brasileiros no ano passado (163) e registrou apenas 12.260 hectares suprimidas. Desse total, 10.042 hectares tiveram licença ambiental emitida, conforme o MapBiomas. “Não há um fator sozinho que explique esse resultado”, ponderou o secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Artur Falcette. “Primeiro, a Lei do Pantanal trouxe mais segurança jurídica, mais clareza com relação a alguns aspectos e também reduziu a possibilidade de conversão de novas áreas. A gente tem na lei um conjunto de novas vedações que protegem ambientes específicos do Pantanal. Segundo, a incorporação dos corredores ecológicos na legislação, que passam a ser protegidos e limitam a conversão nessas áreas importantes de integração ecológica”, afirmou. Lei do Pantanal Mato Grosso do Sul detém dois terços da área total do Pantanal. O Governo do Estado tem ampliado as ações de controle sobre o território para garantir a preservação da vegetação nativa e sustentabilidade às atividades econômicas desenvolvidas na região. A Lei do Pantanal, em vigor desde fevereiro de 2024, alterou significativamente as normas de conservação, proteção, restauração e exploração ecologicamente sustentável em toda área de uso restrito do Pantanal (AUR-Pantanal). A lei inovou ao definir como áreas de proteção permanente (APP) os landis, as salinas, as veredas e os meandros abandonados (espécies de ilhas por onde passavam rios e que, com a mudança de curso, ficaram cercadas por água). Capões e cordilheiras também receberam proteção especial da área coberta com vegetação arbórea-arbustiva. A lei veda o cultivo de soja, cana-de-açúcar, eucalipto e quaisquer outras culturas exóticas ao meio, excetuando apenas àquelas áreas em que já está consolidado o plantio, que não poderão ser ampliadas nem rotacionado e dependerá de licenciamento ambiental para o replantio. É permitido, entretanto, a atividade da pecuária extensiva nessas áreas, desde que não provoquem nenhum tipo de degradação ambiental. Também estão fora da proibição o cultivo de gêneros alimentícios por agricultores familiares e de culturas não destinadas ao comércio, como forrageiras para o gado. Serviços Ambientais Além de ampliar os ambientes protegidos, o Governo do Estado criou o Programa de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) que se traduz num mecanismo eficiente de preservação. Um dos meios do produtor rural receber recursos do Programa é abrir mão das licenças de supressão vegetal legalmente emitidas pelo órgão ambiental. Também pode se comprometer a não desmatar determinada área a qual teria direito legal de fazê-lo, sendo remunerado por isso. No primeiro edital, o PSA Conservação e Valorização da Biodiversidade contemplou 40 produtores rurais com o valor total de R$ 2.961.274,95 que se comprometeram a preservar 112.098,79 hectares de área de excedente de vegetação nativa em suas propriedades. O segundo edital está em andamento. Todas as 23 inscrições foram deferidas e agora as propriedades estão sendo avaliadas pela equipe técnica da Semadesc, sendo previsto a divulgação do resultado final em meados de julho. O secretário Artur Falcette cita, ainda, outra razão para redução do desmatamento ilegal no Pantanal: a consolidação da mentalidade do produtor rural de produzir e preservar. “Por séculos, o homem pantaneiro está acostumado a conviver com o Pantanal de forma harmoniosa”, ponderou. João Prestes, Comunicação Semadesc
Agricultores de MS geram renda e perdem o medo da tecnologia com apoio da Fundect
Durante muito tempo, a hidroponia parecia distante da realidade de pequenos produtores rurais de Naviraí. Para muitos agricultores familiares, o sistema era visto como caro, complicado e difícil de operar. Esse cenário, descrito pelo professor Daniel Zimmermann Mesquita, começou a mudar quando o projeto dele, apoiado pelo Governo de Mato Grosso do Sul, por meio da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação) e da Fundect (Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia), levou tecnologia, capacitação e acompanhamento técnico diretamente às propriedades rurais. Agora, agricultores que antes tinham receio de investir em sistemas hidropônicos – cultivo em que as plantas crescem sem solo, recebendo água e nutrientes diretamente – já ampliam as próprias estruturas com recursos próprios, após aprenderem a produzir hortaliças de forma automatizada, com menos esforço físico e maior produtividade. O trabalho faz parte do projeto “Hidroponia para Todos”, coordenado pelo professor Daniel, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso do Sul (IFMS), com recursos do edital de Extensão Tecnológica da Fundect voltado a agricultores familiares, povos originários e comunidades tradicionais, realizado em parceria com a Secretaria-Executiva de Agricultura Familiar, de Povos Originários e Comunidades Tradicionais (Seaf). Segundo o pesquisador, um dos principais desafios era justamente quebrar a resistência inicial à tecnologia. “Muitos tinham medo, conheciam o sistema de hidroponia, mas achavam que era muito caro, tinham medo de adotar a tecnologia e não saber mexer”, relata. Menos enxada A hidroponia implantada pelo projeto utiliza o sistema NFT, da sigla em inglês “Nutrient Film Technique”, método em que as plantas crescem em tubos por onde circula constantemente uma solução com água e nutrientes. Segundo o professor, o sistema funciona quase como uma horta automatizada: bombas e temporizadores controlam a circulação da água e o agricultor monitora apenas indicadores simples, como pH e nutrientes. “Na prática, isso muda completamente a rotina de trabalho no campo. Na hidroponia, você praticamente não tem esforço físico nenhum. Não tem incidência de plantas daninhas, não precisa ficar com enxada arrancando mato. As bancadas ficam na altura das mãos das pessoas, então é um sistema muito ergonômico”, explica Daniel. O pesquisador destaca ainda que a ausência de contato com o solo reduz doenças nas plantas e melhora a qualidade das hortaliças. O projeto Foram selecionadas quatro propriedades familiares da região de Naviraí, sendo duas no Distrito Verde e duas no assentamento Juncal. Cada família recebeu três bancadas hidropônicas completas, além de equipamentos, insumos e capacitação prática. O conjunto entregue possui capacidade de produção para 600 plantas por ciclo produtivo. Segundo o pesquisador, o cultivo de alface, principal produto comercializado pelos agricultores, já vem gerando retorno financeiro importante para as famílias. “Eles estão produzindo bem, tiveram capacitação, aprenderam a manejar o sistema e estão vendendo. Alguns já comercializam em feiras, supermercados e programas de alimentação escolar”, relata. De acordo com Daniel, os resultados mais importantes apareceram justamente após o encerramento do projeto. “Eles pegaram gosto, aprenderam a tecnologia, viram que é muito mais simples e seguro produzir e agora estão reinvestindo para aumentar o sistema produtivo”, destaca. O professor explica que os próprios produtores começaram a ampliar as estruturas. “Cada um recebeu três bancadas, mas já tem agricultor que está com seis bancadas, outros com quatro. Isso mostra que realmente foi um trabalho muito satisfatório”, afirma. Papel da Fundect Para o pesquisador, o apoio da Fundect foi essencial para transformar a proposta em realidade. O edital financiou equipamentos, materiais, implantação dos sistemas e as ações de capacitação junto às famílias atendidas. O diretor-presidente da Fundect, professor Cristiano Carvalho, destaca que o projeto representa o impacto social que a ciência pode gerar quando chega diretamente às pessoas. “O projeto Hidroponia para Todos mostra como a ciência e a tecnologia podem transformar a realidade de famílias produtoras. O mais importante não é apenas a instalação das estruturas com recursos da Fundect, mas a autonomia construída ao longo do projeto. Quando o agricultor perde o medo da tecnologia, aprende a utilizar o sistema e passa a investir por conta própria, nós vemos a inovação cumprindo seu papel social. Esse é o tipo de iniciativa que o Governo do Estado, por meio da Semadesc e da Fundect, busca apoiar”, afirma Cristiano. Esta é mais uma reportagem da série “Fundect: MS ama Ciência”. Ao longo das publicações, serão divulgadas informações sobre os relatórios técnicos dos projetos financiados pela Fundação, acompanhadas de entrevistas com os pesquisadores responsáveis, destacando como o investimento público em ciência tem contribuído para o desenvolvimento científico e tecnológico de Mato Grosso do Sul. Comunicação, Fundect








