Foi deflagrada nesta quinta-feira (23) a Operação Illuminati, voltada à apuração do crime de extorsão praticado em ambiente digital (art. 158 do Código Penal).
No curso da operação, foram cumpridos quatro mandados judiciais, sendo dois de prisão preventiva e dois de busca e apreensão, expedidos pelo Núcleo das Garantias de Campo Grande, em desfavor dos investigados, nos Estados de Rondônia e no Distrito Federal. Na diligência, foram apreendidos telefones celulares e demais dispositivos eletrônicos, que serão submetidos à extração forense para aprofundamento das investigações.
Entenda o caso
A investigação teve origem em representação formalizada por uma vítima do Estado de Mato Grosso do Sul que, desde maio de 2023, passou a ser alvo de sucessivas exigências financeiras formuladas por indivíduos que se apresentavam como integrantes de suposta organização internacional denominada “Illuminati”, supostamente sediada no Estado da Califórnia, nos Estados Unidos da América.
Os investigados, valendo-se de engenharia social e de aparente sofisticação transnacional — com utilização de números telefônicos estrangeiros, sítios eletrônicos próprios e linguagem de suposta “fraternidade” —, induziram a vítima a realizar o pagamento de taxas de “iniciação”, “manutenção” e “cancelamento” de filiação, sob a promessa de obtenção de benefícios financeiros e profissionais.
Após perceber a fraude e manifestar intenção de se desligar do grupo, a vítima passou a sofrer ameaças de morte contra si e seus familiares, bem como ameaças de divulgação pública de vídeo gravado durante a suposta cerimônia de “iniciação”, o que caracterizou, de forma inequívoca, o crime de extorsão mediante grave ameaça.
Modus operandi
Os valores exigidos eram transferidos para contas bancárias de titularidade dos investigados, mantidas em instituições financeiras tradicionais, e, posteriormente, convertidos em criptoativos por meio de exchange internacional.
A Unidade de Combate aos Crimes Cibernéticos logrou identificar os investigados por meio da análise integrada de chaves Pix, dados cadastrais bancários, registros telefônicos, biometria facial e pesquisas em fontes abertas, consolidando o nexo entre os agentes e a estrutura criminosa.
A Operação Illuminati contou com a colaboração do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (Gaeco/MPDFT) e da Polícia Civil do Estado de Rondônia, responsáveis pelo apoio logístico e operacional no cumprimento dos mandados fora do território sul-mato-grossense.
