Acordo de paz com Irã “não foi fácil”, diz Trump; China comemora

José Ricardo

Memorando de entendimento entrou em vigor após ser assinado pelo presidente americano e seu homólgo iraniano na quarta-feira (17)

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou na noite de quarta-feira (17) que o acordo de paz firmado entre Washington e Teerã “não foi fácil”, ao comentar a assinatura do memorando de entendimento entre os dois países.

A declaração foi feita durante um jantar no Palácio de Versalhes, na França, oferecido pelo presidente francês, Emmanuel Macron.

“Não foi fácil”, disse Trump após assinar o documento, segundo vídeo divulgado por Macron. Em publicação nas redes sociais, o líder francês afirmou que o plano de 14 pontos “abre caminho para uma paz duradoura” e poderá contribuir para a redução dos preços da energia.

O acordo também foi recebido com entusiasmo pela China. Em conversa telefônica com o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, o ministro das Relações Exteriores chinês, Wang Yi, declarou que “chegou o alvorecer da paz”.

Segundo a agência estatal chinesa Xinhua, Wang afirmou que o próximo passo será garantir que todas as partes cumpram os compromissos assumidos. Ele também destacou a importância de uma solução para a navegação no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de energia.

Para Pequim, o entendimento entre EUA e Irã representa uma notícia positiva. Além de preservar um governo aliado da China em Teerã, a possível reabertura plena do Estreito de Ormuz reduz riscos ao abastecimento energético chinês, já que o país importa grandes volumes de petróleo e gás que passam pela hidrovia.

Acordo já está em vigor

Uma versão física do memorando de entendimento foi assinado por Trump e pelo presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, na quarta-feira e, segundo autoridades iranianas e paquistanesas, entrou em vigor imediatamente.

O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, afirmou que o chamado “Memorando de Entendimento de Islamabad” determina como medidas iniciais a reabertura do Estreito de Ormuz pelo Irã e o início do fim do bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos.

Sharif disse ainda que Paquistão e Catar atuarão como mediadores da próxima fase das negociações, que deverá ocorrer nas próximas semanas.

O que prevê o memorando

O texto divulgado por um alto funcionário dos Estados Unidos estabelece 14 pontos principais, entre eles:

  1. Fim imediato da guerra entre EUA, Irã e aliados, incluindo o Líbano.
  2. Respeito mútuo à soberania e não interferência nos assuntos internos.
  3. Prazo de 60 dias para negociar um acordo definitivo.
  4. Fim gradual do bloqueio naval dos EUA e retirada de forças da região.
  5. Reabertura do Estreito de Ormuz com passagem segura e sem taxas.
  6. Plano de reconstrução do Irã de pelo menos US$ 300 bilhões.
  7. Suspensão gradual das sanções impostas ao Irã.
  8. Compromisso iraniano de não desenvolver armas nucleares.
  9. Manutenção do status quo até o acordo final, sem novas sanções.
  10. Autorização para exportações iranianas de petróleo e serviços relacionados.
  11. Liberação de ativos e fundos iranianos congelados no exterior.
  12. Criação de mecanismo de monitoramento para fiscalizar o acordo.
  13. Início das negociações finais após implementação das medidas iniciais.
  14. Validação do acordo final pela ONU, por meio do Conselho de Segurança.

O memorando também prevê a criação de um mecanismo de monitoramento para acompanhar o cumprimento das medidas e a elaboração de um acordo final, que deverá ser submetido ao Conselho de Segurança da ONU.

Apesar do anúncio, o entendimento enfrenta resistência nos Estados Unidos. Parlamentares democratas criticaram o texto por considerarem que ele oferece vantagens excessivas ao Irã.

Entre os republicanos, as reações foram divididas: enquanto alguns classificaram o acordo como um erro estratégico, aliados de Trump afirmaram que o documento pode fortalecer a posição americana na região.

Autoridades dos dois países ressaltam que o memorando é apenas a primeira etapa de um processo que deverá ser aprofundado nas negociações técnicas previstas para os próximos 60 dias.

CNN

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