Cerco a Vorcaro nos EUA avança: Justiça intima 4 empresas e mira mansões de R$ 843 milhões

O cerco judicial ao patrimônio ligado a Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, ganhou força nos Estados Unidos. Uma apuração nos registros da Justiça Federal americana identificou duas novas ações de recuperação patrimonial, protocoladas em outubro, envolvendo quatro empresas, mansões de luxo e recursos relacionados à venda de um jato.

As movimentações representam um novo capítulo do processo de liquidação do Banco Master no exterior. Depois de meses de investigações sobre contas bancárias, operações financeiras e bens ligados ao empresário, o liquidante passou a buscar diretamente na Justiça americana a recuperação de patrimônio que considera pertencente à instituição financeira.

As ações foram apresentadas nos dias 2 e 7 de outubro. Na quinta-feira (8), o tribunal expediu citações judiciais contra duas empresas apontadas como proprietárias de imóveis em Miami, na Flórida, e Aspen, no Colorado, adquiridos por aproximadamente US$ 169 milhões, o equivalente a R$ 843 milhões.

Os procedimentos estão vinculados ao processo principal de número 25-24568-SMG, conduzido pelo juiz federal Scott M. Grossman, no Tribunal Federal de Falências do Distrito Sul da Flórida, em Fort Lauderdale.

Mansões milionárias na mira

A ação de número 26-01362 envolve as empresas Clear River Properties LLC e Goldbeach Properties LLC, registradas no estado americano de Delaware.

O liquidante tenta recuperar três propriedades de luxo. A primeira, localizada em Aspen, foi adquirida por US$ 77 milhões. As outras duas ficam na Sabal Palm Road, em Miami, e foram compradas por US$ 85,2 milhões e US$ 6,9 milhões.

Segundo as alegações apresentadas à Justiça, os recursos utilizados nas aquisições teriam passado por fundos de investimento e empresas com operações no Brasil, nas Bahamas e nas Ilhas Cayman.

Entre as estruturas mencionadas estão o Mosaic Short Duration Fund e o Fortress Legacy Trust, este último relacionado à família Vorcaro.

O liquidante sustenta que o dinheiro utilizado nas compras teria origem em operações envolvendo o Banco Master. Por isso, pede a recuperação dos imóveis ou, alternativamente, a devolução de pelo menos US$ 169,5 milhões.

As empresas foram citadas judicialmente em 8 de outubro e têm até 9 de novembro para apresentar suas respostas.

Transferências milionárias mesmo após a liquidação

Outro ponto levantado pelo liquidante envolve operações financeiras realizadas depois de o Banco Central brasileiro decretar a liquidação do Banco Master, em 18 de novembro de 2025.

De acordo com as alegações descritas na ação, aproximadamente US$ 37,5 milhões teriam sido transferidos entre dezembro de 2025 e março de 2026 de uma conta vinculada à estrutura Mosaic, no Bank of New York Mellon, para empresas relacionadas aos imóveis.

Entre as movimentações apontadas estão duas transferências de US$ 5,5 milhões cada, realizadas em março deste ano, cerca de quatro meses depois da liquidação.

O liquidante busca esclarecer a origem dos recursos, identificar os beneficiários e demonstrar se os valores deveriam integrar o patrimônio destinado ao pagamento dos credores do Banco Master.

As transferências são mencionadas na documentação judicial, mas as alegações sobre sua origem e eventual irregularidade ainda dependem de análise do tribunal.

Nova frente judicial envolve US$ 42 milhões

A apuração da Jovem Pan também identificou uma segunda ação, protocolada em 2 de outubro, envolvendo recursos relacionados à venda de uma aeronave. O processo, registrado sob o número 26-01351, foi apresentado contra a PS-MGG Administração de Bem Próprio S.A. e a Insured Aircraft Title Services, empresa americana especializada em serviços de registro e transferência de propriedade de aeronaves.

O procedimento é identificado em registros jurídicos como uma disputa envolvendo aproximadamente US$ 42 milhões em receitas relacionadas à venda de um jato. As duas empresas foram citadas em 5 de outubro e têm até 4 de novembro para apresentar suas respostas.

A identificação do processo não permite concluir, por enquanto, que a aeronave tenha sido apreendida, nem que o valor reivindicado já tenha sido recuperado. Os detalhes da operação e os fundamentos completos do pedido ainda precisam ser confrontados com a íntegra da petição.

Vorcaro tentou limitar investigação patrimonial

As novas ações ocorrem após decisões judiciais que permitiram ampliar as investigações sobre ativos relacionados ao Banco Master nos Estados Unidos.

Em janeiro, o juiz Scott Grossman reconheceu o procedimento brasileiro de liquidação com base no Capítulo 15 da legislação americana de falências, permitindo ao liquidante buscar documentos e informações sobre patrimônio localizado no país.

Em abril, a defesa de Vorcaro tentou restringir o alcance das diligências. O magistrado rejeitou a maior parte dos pedidos e permitiu a continuidade da investigação envolvendo bancos, galerias de arte, empresas de artigos de luxo e outras instituições.

Uma tentativa posterior de recurso também foi rejeitada pela Justiça Federal americana em maio.

Quatro empresas terão que responder à Justiça

As próximas movimentações estão previstas para novembro, quando terminam os prazos de resposta das empresas envolvidas nas duas ações.

A PS-MGG Administração de Bem Próprio e a Insured Aircraft Title Services deverão se manifestar até o dia 4. Já a Clear River Properties e a Goldbeach Properties têm prazo até 9 de novembro.

A abertura dos processos não representa uma decisão definitiva sobre a propriedade dos bens. Até o momento, não foi identificada ordem judicial determinando o confisco das três mansões ou a transferência dos recursos reivindicados pelo liquidante.

Em setembro, esta coluna já havia mostrado o avanço das investigações patrimoniais e a previsão de depoimentos na Flórida. Agora, os novos registros judiciais revelam uma mudança de etapa: da coleta de provas para ações específicas destinadas à recuperação de bens e dinheiro.

Com propriedades milionárias, transferências internacionais e uma disputa envolvendo recursos da venda de uma aeronave, o caso Banco Master amplia suas frentes judiciais nos Estados Unidos.

As próximas manifestações das empresas e decisões do juiz Scott Grossman poderão definir os rumos da recuperação patrimonial no território americano.

Jovem Pan

Foto: Reprodução / Youtube

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