Nos últimos dias, a Grécia enfrentou um aumento significativo no fluxo de migrantes provenientes do Norte da África, especialmente da Líbia, com mais de 2 mil pessoas chegando às ilhas de Creta e Gavdos em embarcações precárias, como barcos infláveis. Diante desse cenário, o governo grego, liderado pelo primeiro-ministro Kyriakos Mitsotakis, anunciou a suspensão temporária, por três meses, do processamento de pedidos de asilo para migrantes que chegam por via marítima do Norte da África. A medida, aprovada pelo parlamento grego em 10 de julho de 2025, também prevê a detenção de indivíduos que ingressarem no país ilegalmente, sinalizando uma postura firme na gestão da crise migratória.
A decisão foi justificada como uma resposta a uma “situação de emergência” que exige “medidas excepcionais”, conforme declarado por Mitsotakis em discurso no parlamento. O governo destaca que a Grécia, como principal porta de entrada para a União Europeia (UE), enfrenta desafios desproporcionais para acolher e processar os migrantes, especialmente em ilhas como Creta, que não possuem centros de acolhimento permanentes. Autoridades locais relatam dificuldades para fornecer serviços básicos, como abrigo e alimentação, aos recém-chegados, que incluem pessoas de países como Somália, Sudão, Egito e Marrocos.
A Grécia também busca cooperação internacional para conter o fluxo migratório. Recentemente, representantes gregos, ao lado de autoridades de Itália e Malta, reuniram-se com o governo da Líbia em Trípoli para discutir estratégias de combate ao tráfico humano e à migração irregular. A Líbia, imersa em instabilidade desde 2011, tornou-se um ponto de partida crítico para traficantes que organizam travessias perigosas no Mediterrâneo. Durante o encontro, o governo líbio anunciou planos para uma campanha nacional contra o tráfico de pessoas, com apoio de países parceiros. No entanto, tensões regionais, como a expulsão de uma delegação europeia do leste da Líbia por questões de autorização, complicam os esforços conjuntos.
A suspensão dos pedidos de asilo e a promessa de detenções refletem a prioridade do governo grego em reforçar a segurança nas fronteiras e desencorajar novas travessias. “A passagem para a Grécia está fechada”, afirmou Mitsotakis, enfatizando que as medidas visam enviar uma mensagem clara aos migrantes e às redes de tráfico humano. Dados da Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) indicam que, entre janeiro e junho de 2025, cerca de 19 mil pessoas chegaram irregularmente à Grécia, sendo 7.140 apenas em Creta. O recente pico de chegadas, com 520 migrantes resgatados em um único barco ao sul da ilha, evidencia a pressão contínua sobre o país.
Embora a Grécia defenda a necessidade de ações rigorosas, a medida gerou críticas de organizações de direitos humanos, que alegam que a suspensão de pedidos de asilo pode violar o princípio de non-refoulement, previsto na Convenção de Genebra de 1951, que proíbe a devolução de refugiados a locais onde possam enfrentar perigo. Apesar das controvérsias, o governo grego mantém que as políticas são essenciais para proteger a soberania nacional e gerenciar os recursos limitados do país, enquanto busca apoio da UE para uma abordagem mais integrada à crise migratória.