Um ataque com mísseis balísticos iranianos, ocorrido na madrugada de 19 de junho de 2025, atingiu diretamente o Soroka Medical Center, o maior hospital do sul de Israel, localizado em Beersheba, causando danos extensos e ferindo mais de 70 pessoas. O ataque, parte de uma barragem de cerca de 30 mísseis lançados pelo Irã, também impactou as cidades de Ramat Gan e Holon, próximas a Tel Aviv, deixando um total de 271 feridos em todo o país, incluindo quatro em estado grave, segundo o Ministério da Saúde de Israel. A ofensiva, classificada como “crime de guerra” pelas autoridades israelenses, intensificou a crise entre Israel e Irã, que já dura sete dias, e reforça a percepção de que o regime iraniano busca atingir alvos civis para maximizar danos.
O Soroka Medical Center, que atende cerca de 1 milhão de pessoas na região do Negev, incluindo judeus, beduínos, cristãos e árabes, sofreu danos significativos em sua ala cirúrgica, evacuada previamente por ordem do Ministério da Saúde, o que evitou uma tragédia maior. Segundo o diretor do hospital, Shlomi Codish, o impacto causou a destruição de tetos, quebras de vidros e incêndios, com fumaça preta visível por horas. “Foi como um terremoto”, relatou o médico Vadim Bankovich, chefe do departamento de ortopedia, cuja sala fica a 100 metros do local atingido. A decisão de transferir pacientes para áreas protegidas e bunkers subterrâneos, implementada dias antes, foi crucial para minimizar vítimas, com a maioria dos feridos sofrendo lesões leves por estilhaços ou ondas de choque.
O Irã, por meio da Guarda Revolucionária Islâmica, afirmou que o alvo principal era um suposto centro de comando e inteligência militar próximo ao hospital, no Parque Tecnológico Gav-Yam, negando intenção de atingir a instalação médica. No entanto, autoridades israelenses, incluindo o porta-voz militar Effie Defrin, refutaram a alegação, destacando que não há bases militares ou de inteligência nas proximidades do Soroka, com o Comando Sul da IDF localizado a mais de 2 km de distância. “O regime iraniano alvejou deliberadamente um hospital, um ato de terrorismo estatal e violação do direito internacional”, afirmou Defrin, apontando que o míssil utilizado dispersou submunições, ampliando o potencial de danos a civis.
A resposta israelense foi imediata. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que visitou o local do ataque, prometeu que “os tiranos de Teerã pagarão o preço total” e destacou a precisão dos ataques de Israel contra alvos nucleares e militares iranianos, como as instalações de Arak, Natanz e Isfahan. O ministro da Defesa, Israel Katz, foi além, declarando que o líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, “não pode mais existir” por ordenar ataques contra civis. Israel intensificou sua campanha aérea, destruindo lançadores de mísseis iranianos e alvos estratégicos em Teerã, enquanto o presidente americano Donald Trump, que aprovou ataques com bombardeiros B-2 contra as usinas nucleares iranianas, alertou que qualquer retaliação será respondida com força ainda maior.
O ataque ao Soroka ocorre em um momento de fragilidade do regime iraniano, que enfrenta protestos internos e perdas significativas, incluindo a morte de comandantes militares e danos a infraestruturas críticas. A economia do Irã, já abalada por sanções que reduziram as exportações de petróleo em 70% desde 2018, sofre com os impactos dos bombardeios, que causaram mais de 600 mortes, segundo a Associated Press. A decisão de atacar um hospital, mesmo que acidental, reforça a imagem de um regime desesperado, incapaz de responder eficazmente à superioridade militar de Israel e dos EUA. Enquanto isso, a comunidade internacional, incluindo o secretário-geral da ONU, António Guterres, clama por diplomacia, com uma reunião marcada em Genebra entre ministros europeus e o chanceler iraniano Abbas Araghchi para discutir o programa nuclear.
A destruição no Soroka Medical Center, que agora opera apenas para casos de emergência, simboliza os custos humanos do conflito. A evacuação de 200 pacientes para outros hospitais e a mobilização de equipes de resgate refletem a resiliência de Israel, mas também o peso de uma guerra que ameaça se intensificar. A determinação de Israel em continuar sua campanha, apoiada pela clareza estratégica de Trump, sinaliza que a pressão sobre o Irã não diminuirá até que suas ambições nucleares sejam eliminadas.