O artesanato indígena é valorizado pela Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, que proporciona a comercialização na Casa do Artesão, a participação em feiras nacionais e também vai até as aldeias para emitir a Carteira Nacional do Artesão. No estado são nove etnias indígenas catalogadas, todas produzindo artesanato,, cerâmica, fibra e produtos em sementes. Segundo Katienka Klain, diretora de Artesanato, Moda e Design da Fundação de Cultura, aqui em Mato Grosso do Sul, as etnias indígenas que mais comercializam, mais participam de eventos e de comercialização na Casa de Artesão são as etnias Terena,Kadiwéu e Kinikinaw, que são baseadas na questão da cerâmica. “Hoje está tendo uma maior venda da material do Guató, do Ofaié, mas ainda de forma muito devagar, mas as maiores vendas são a terena, que é referência cultural, que é patrimônio cultural, e elas vendem muito por associações, também, às vezes, não indígenas, porque tem essa dificuldade de acesso financeiro de participar em alguns eventos”. Katienka diz que os produtos que mais vendem nas feiras são artesanato indígena. “As feiras nacionais são vendidas, a grande maioria, através de associações de artesanato, nem sempre associações indígenas, também a participação de representação de pessoas não indígenas, e aí essa venda é realizada em grande número expressivo, mas a grande maioria está na cerâmica terena, ainda a gente tem que ter um trabalho maior no estado para aumentar a venda e qualificar mais os outros artesanatos”. “O artesanato indígena é o primordial, é o que começou, onde tudo começou. Então, assim, está e grande parte quando a gente realiza a Carteira Nacional do Artesanato nas aldeias indígenas. Eles deixam claro que eles vivem do artesanato, então é fundamental o apoio da Fundação de Cultura através de comercialização nos Festivais de Inverno de Bonito, América do Sul, que são espaços próprios para eles. As vagas também nos editais, que também são vagas específicas para a população indígena, para que eles possam escoar essas peças e ter representatividade e também começar a entender o que é o mercado do artesanato”. O artesanato indígena está presente há mais de 30 anos na Casa do Artesão, com a participação das etnias Kadwéu, Terena e Kinikinau. Segundo a coordenadora da Casa do Artesão, Eliane Torres, o artesanato indígena é “a nossa referência cultural, é a nossa identidade, é patrimônio histórico, tudo isso envolve, por isso que temos aqui nossos artesãos indígenas presentes na nossa casa”. A artesã Cleonice Roberto Veiga, mais conhecida como Cléo Kinikinau, expõe suas peças na Casa do Artesão, junto com as peças da sua mãe, Ana Lúcia da Costa, há um ano. São peças em cerâmica e argila, além de colares, brincos e pulseiras. Para ela, é muito importante o papel da Casa do Artesão na divulgação do trabalho indígena. “Para a gente é importante que vocês ajudem a gente a divulgar o nosso trabalho, a nossa cultura e também ajuda no custo financeiro, que isso é uma fonte de renda nossa, que muitas vezes a gente não tem um emprego fixo, não trabalha, e acaba ajudando isso para dentro de casa nossa. É muito importante, depois que a gente conheceu aí a Casa do Artesão, para a gente está sendo ótimo, está ajudando a gente, que de mês em mês, a Casa do Artesão, ela tem mandado para a gente o que tem vendido e valoriza mais o nosso trabalho. E é isso, é muito bom, muito importante mesmo para nós. Nosso artesanato Kinikinau é raro ver em lugares, mas está ajudando muito mesmo a gente”. Creusa Virgílio, da etnia Kadwéu, disse que conheceu a Casa do Artesão há 14 anos. “Eu seguia minha mãe e minha irmã para vender cerâmica. E hoje eu continuo. Elas partiram e eu continuo na Casa do Artesão. Eu entrego peças para casa do artesão a cada 30 dias. A importância é, para mim, a mulher Kadwéu sobre a valorização do nosso estado, também é o momento de a gente divulgar e fortalecer a arte Kadwéu. O artesanato, para mim, é a renda familiar e a valorização da cultura, para que a cultura Kadwéu sempre viva e seja fortalecida em nosso estado”. A artesã Rosenir Batista é da etnia Terena e foi homenageada na Semana do Artesão do ano passado. Ela sempre ministra oficinas em escolas, para os alunos conhecerem a cerâmica Terena. Durante a Semana do Artesão deste ano ministrou oficina para alunos na Escola Municipal Governador Harry Amorim Costa. Rosenir nasceu em 8 de março de 1967. Trabalha com a Cerâmica Tradicional Terena desde a infância, há mais de 49 anos. “O saber ancestral da arte em cerâmica Terena aprendi com minha avó, e das primeiras peças produzidas (Bichinhos do Pantanal, vasos) meu trabalho evoluiu para diversos tipos de peças utilitárias e decorativas, que se transformaram na minha principal fonte de renda. Este conhecimento ancestral que recebi de minha avó já repassei para minhas filhas e netas, e eles já trabalham comigo, e temos o compromisso de manter está técnica viva de geração em geração”. Rosenir mora na aldeia Cachoeirinha, município de Miranda, e trabalha com cerâmica desde quando tinha 12 anos. “Eu trabalhava com a minha mãe, minha mãe trabalhava já com cerâmica, eu ajudava. Na prática, hoje, eu tenho 25 anos na área de artesanato. A cerâmica para mim é um trabalho que minha mãe me deixou. Então eu não posso deixar morrer a cultura, o trabalho que ela deixou para mim, eu tenho que dar continuidade. É a cultura da aldeia onde eu moro, eu não posso deixar ser esquecido, toda a minha família hoje trabalha na cerâmica”. Karina Lima, Comunicação SetescFoto: Ricardo Gomes/FCMS
Com 3ª maior população indígena do país, MS revela quem são seus povos originários em painel inédito
Quem são, onde vivem e como estão os povos originários de Mato Grosso do Sul? A resposta, por muito tempo fragmentada ou invisível, ganha forma a partir de agora. Com o lançamento do Painel Povos Originários, o Estado passa a contar com uma ferramenta inédita que reúne dados sobre população, território, etnias e condições de vida. Um retrato necessário, em números, para transformar realidade em política pública. Mato Grosso do Sul abriga a terceira maior população indígena do Brasil: são 116.469 pessoas, o equivalente a 6,9% do total do país. Mais da metade (59%) vive em terras indígenas, em uma população majoritariamente jovem, entre 15 e 29 anos, e com leve predominância de mulheres. Mas é na diversidade que o painel revela sua maior força: são 139 etnias e 48 línguas indígenas presentes no Estado. Um dado que amplia o olhar e rompe com visões simplificadas sobre quem são esses povos. Importante destacar que, oficialmente, Mato Grosso do Sul tem oito etnias originárias reconhecidas pela Funai: Guarani Kaiowá, Guarani Ñandeva, Terena, Kadiwéu, Kinikinau, Guató, Ofaié e Atikum. O número mais amplo, de 139 etnias, reflete outro fenômeno, o Estado se consolidou como um polo de referência, especialmente nas áreas de educação e saúde, atraindo indígenas de diferentes regiões do país. Desenvolvido pelo Observatório da Cidadania, em parceria com a Secretaria de Estado da Cidadania e a UFMS, o painel organiza informações que vão desde natalidade e envelhecimento até educação, moradia e distribuição territorial nos 79 municípios sul-mato-grossenses. “Este painel tem como objetivo dar visibilidade à presença e à diversidade dos povos originários em Mato Grosso do Sul. Ao reunir informações sobre distribuição territorial, perfil populacional e condições socioeconômicas, ele contribui para o reconhecimento das especificidades culturais e históricas desses povos e para o fortalecimento de políticas públicas mais justas e direcionadas”, afirma o coordenador do Observatório da Cidadania, professor Samuel Leite de Oliveira. Para o secretário de Estado da Cidadania, José Francisco Sarmento, o acesso a esses dados marca um avanço histórico na forma de pensar políticas públicas. “Não existe política pública séria sem dados. Hoje, o que mais se valoriza em qualquer gestão é isso. Sem informação, a gente corre o risco de investir recursos onde não são mais necessários e deixar de atender quem realmente precisa. O Observatório funciona como uma lupa, que nos permite enxergar de verdade quem são essas pessoas”, afirmou. Em um discurso marcado pela emoção, Sarmento também relembrou o passado recente, quando essas informações simplesmente não existiam. “Por muito tempo, essas pessoas estavam no mundo, mas não apareciam nos dados. Eu fico imaginando quantas histórias poderiam ter sido diferentes se lá atrás a gente tivesse acesso a esse tipo de informação. O que estamos fazendo agora é olhar para essas pessoas com seriedade e responsabilidade”, disse. Histórico A construção desse retrato não começou com números, pelo contrário, foi justamente motivado pela ausência deles. O técnico da Subsecretaria de Políticas Públicas para Povos Originários, Josias Ramires Jordão, do povo Terena, lembra que houve um tempo em que era preciso recorrer diretamente às comunidades para tentar entender a própria realidade do Estado. “Lá atrás, a gente não tinha indicadores. Era ligar para as lideranças e perguntar quantas crianças, quantas mulheres havia nas comunidades. Era tudo muito disperso. Hoje, com esses dados, a gente consegue enxergar a população indígena como um todo, e isso muda completamente a forma de construir políticas públicas”, explicou. Ele também destaca que o painel também ajuda a ampliar a compreensão sobre a diversidade indígena em Mato Grosso do Sul. “Muita gente conhece apenas alguns povos, mas o Estado tem 139 etnias. Isso mostra a riqueza que temos e a necessidade de políticas que considerem essas diferenças.” Para quem vive nas aldeias e atua na ponta, o acesso a esses números têm um significado que vai além da gestão, de reconhecimento. Técnico da Subsecretaria de Políticas Públicas para Povos Originários, Heliton Cavanha, da etnia Kaiowá, define o momento como histórico. “São mais de 500 anos de luta. Hoje, a gente ter esses dados significa olhar para as pessoas de verdade. Não é sobre política partidária, é sobre atender quem precisa”, afirmou. Segundo ele, os números também fortalecem as próprias comunidades na busca por direitos. “A gente sempre fala: para pedir política pública, precisa ter dados. Quantas pessoas trabalham com agricultura? Quantas crianças precisam de escola? Sem esses números, a gente não consegue dialogar. Agora a gente começa a falar e a ser ouvido.” Olhar, reconhecer, transformar Para o secretário José Francisco Sarmento, o painel representa mais do que um avanço técnico, é uma mudança de postura. “A cidadania tem o papel de colocar luz sobre quem historicamente foi deixado de lado. Quando a gente conhece, a gente se responsabiliza. E é isso que estamos fazendo: olhando para essas pessoas como sujeitos de direitos, independentemente de qualquer outra condição”, afirmou. Disponível de forma gratuita e acessível, o Painel Povos Originários é o oitavo a ser divulgado pelo Observatório da Cidadania. Para visualizar o conteúdo completo, acesse: https://observatoriodacidadania.ufms.br/ Paula Maciulevicius, da Comunicação da Cidadania*com informações do Observatório da Cidadania
Instituto Penal de Campo Grande ganha salão de beleza para capacitação de população LGBTQIAPN+ privada de liberdade
Iniciativas que promovem dignidade e criam oportunidades concretas têm se consolidado como ferramentas estratégicas para a ressocialização. Nessa perspectiva, a Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) inaugurou, na semana passada, o projeto “Salão de Beleza Expressão da Liberdade”, no IPCG (Instituto Penal de Campo Grande). Voltado especialmente à população LGBTQIAPN+ custodiada na unidade, o espaço foi estruturado para oferecer qualificação profissional na área da beleza, ampliando as possibilidades de geração de renda e de reinserção no mercado de trabalho após o cumprimento da pena. Equipado com materiais doados pelo Instituto Ação pela Paz e insumos obtidos com apoio da Subsecretaria de Políticas Públicas LGBTQIA+, vinculada à Secretaria de Estado de Cidadania – a partir de projetos apresentados pela Divisão da Promoção Social, da Diretoria de Assistência Penitenciária da Agepen – o salão nasce com uma proposta que vai além da capacitação técnica. O projeto integra inclusão social, respeito à diversidade e enfrentamento ao preconceito, tendo o trabalho e a qualificação profissional como eixo central da ressocialização. Entre os serviços ofertados estão corte de cabelo, barbearia, unhas em gel, maquiagem e outros cuidados estéticos. As atividades contemplam prioritariamente a população LGBTQIAPN+, sem excluir os demais custodiados da unidade. A formação profissional será realizada em parceria com instituições como o Sistema S, fortalecendo a qualificação técnica dos participantes. A solenidade também marcou a ampliação do projeto “Som da Liberdade”, que utiliza a música como ferramenta terapêutica e de desenvolvimento pessoal. Com a doação de novos instrumentos, pelo Instituto Ação pela Paz, a iniciativa passou a atender um número maior de internos, promovendo autoestima, disciplina e expressão artística no ambiente prisional. Ambos os projetos são coordenados pela policial penal Patrícia Gabriela Magalhães, que alia acompanhamento técnico a práticas de acolhimento e desenvolvimento humano dos custodiados. Para o diretor do IPCG, Leoney Martins Barbosa, as iniciativas refletem uma diretriz institucional voltada à humanização do sistema. “É um compromisso da gestão e de toda a equipe viabilizar projetos que tragam transformações reais na vida dos custodiados”, destacou. O diretor-presidente da Agepen, Rodrigo Rossi Maiorchini, enfatizou que ações como essa demonstram o compromisso do Estado com a mudança de trajetórias. “O futuro não é decidido pelo passado. Nosso papel é garantir condições para que cada pessoa tenha a oportunidade de reconstruir sua história”, afirmou. Ele também ressaltou o pioneirismo de Mato Grosso do Sul na adoção do nome social nos registros do sistema prisional. A diretora de Assistência Penitenciária, Maria de Lourdes Delgado Alves, destacou o impacto direto das iniciativas. “São projetos que despertam sonhos e mostram que novos caminhos são possíveis, além de contribuírem para a redução da reincidência criminal”, pontuou. Oportunidade como ferramenta de transformação Representando os participantes do “Expressão da Liberdade”, a custodiada C. F. S. chamou atenção para as barreiras enfrentadas fora do sistema prisional. “Muitas vezes, as oportunidades nos são negadas simplesmente por quem somos. Esse projeto traz dignidade no presente e esperança para o futuro”, afirmou. A subsecretária estadual de Políticas Públicas LGBTQIA+, Mikaella Lima Lopes, reforçou que a ausência de oportunidades está diretamente relacionada à vulnerabilidade social. “Se essas portas tivessem sido abertas antes, talvez muitas dessas pessoas não estivessem aqui hoje. Por isso, é essencial investir em políticas públicas dentro e fora do sistema prisional”, disse. Já o juiz da 1ª Vara de Execução Penal, Luiz Felipe Medeiros Vieira, destacou o papel do Estado na oferta de condições para a mudança de vida. “Não é só obrigação da pessoa privada de liberdade sair melhor. É dever do Estado garantir meios para que isso aconteça”, afirmou. Segundo ele, iniciativas de trabalho, cultura e capacitação contribuem diretamente para a redução da criminalidade e ampliam as chances de reinserção social, inclusive com possibilidade de remição de pena. Representando o projeto musical, o interno L.G. A. ressaltou o impacto das ações no cotidiano prisional. “Projetos como esse ajudam a construir uma ponte para o retorno à sociedade. A qualificação e a expressão artística ampliam horizontes e resgatam a esperança de um recomeço”, declarou. Também participaram do evento o juiz titular da 4ª Vara Criminal, José Henrique Kaster Franco, representantes da Secretaria Municipal de Assistência Social e sua Gerência de Proteção Social Especializada de Alta Complexidade, e da Associação das Travestis e Transexuais de Mato Grosso do Sul, além de diretores de unidades prisionais e assistenciais da Agepen na capital. Keila Oliveira, Comunicação Agepen/MS
Prefeitura realiza ação emergencial contra Chikungunya no Jardim Carisma
Os trabalhos, que tiveram como foco recolher resíduos sólidos e materiais inservíveis que acabaram virando pontos de proliferação do mosquito Aedes aegypti, foram coordenados pelas equipes da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos, com apoio do Centro de Controle de Endemias (CCZ) da Secretaria Municipal de Saúde. A Prefeitura de Dourados realizou no sábado (18) uma ação emergência de limpeza para recolher entulhos e materiais inservíveis abandonados em quintais e terrenos baldios localizado no Jardim Carisma, uma das áreas de maior avanço de casos de Chikungunya nos últimos dias. Os trabalhos foram coordenados pelas equipes da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos, com apoio do Centro de Controle de Endemias (CCZ) da Secretaria Municipal de Saúde. Apesar do feriado prolongado pelo ponto facultativo em razão do Dia de Tiradentes, lembrando nesta terça-feira (21), as equipes não pararam. “No sábado percorremos todos o bairro orientando os moradores para que colocassem os materiais inservíveis nas calçadas e nesta segunda-feira (20) voltamos com os caminhões e máquinas para coletar e dar destino correto aos resíduos sólidos”, explica o secretário-adjunto de Serviços Urbanos, Angelo Augusto Gomes dos Santos. Os trabalhos seguem diretrizes do Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública (COE), criado pela Prefeitura de Dourados para coordenar o enfrentamento à epidemia de Chikungunya na Reserva Indígena e no perímetro urbano do município, bem como fazem parte do Plano de Ação de Incidente para o Enfrentamento da Chikungunya, um documento de 36 páginas com um conjunto de medidas fundamentais para conter o avanço da doença e superar a epidemia. O secretário-adjunto de Serviços Urbanos fala sobre a importância da participação direta das pessoas nessa luta contra a epidemia de Chikungunya. “Estamos fazendo a parte que compete à Prefeitura de Dourados, mas essa guerra contra o mosquito Aedes aegypti só será vencida com o envolvimento sério de toda população, que precisa acabar com os pontos de água parada, manter os quintais limpos e acondicionar o lixo em sacos apropriados”, ressalta Angelo Gomes dos Santos. Paralelamente aos trabalhos da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos, equipes do Centro de Controle de Zoonoses atuaram no Assentamento Santa Felicidade, onde foram localizados 12 focos do mosquito transmissor da doença. As equipes fizeram tratamento químico em 8 moradias e borrifaram larvicida com máquina costal em 16 residências. Além disso, foi aplicado larvicida com máquina Leco em 80 quarteirões do Jardim Agua Boa, Jardim Florida 1 e 2 e imediações. Até esta segunda-feira (20), a Secretaria Municipal de Saúde havia recebido 305 Estações Disseminadoras de Larvicida (EDL), também chamadas de “armadilhas” e os agentes de combate às endemias já tinham instalado 277 delas nos bairros Assentamento Santa Fé, Assentamento Santa Felicidade, Jockey Clube, Vila Mariana, Parque das Nações I e II, Terra Dourada, Comunidade Vitória, Parque do Lago I e II e imediações. AÇÕES DE SAÚDE Diante da epidemia de Chikungunya, a Secretaria Municipal de Saúde terminou que a UBS Seleta e UBS Santo André mantivessem atendimento durante o feriado prolongado. No sábado (18), a Unidade Básica de Saúde Seleta realizou 241 atendimentos, com 75 atendimentos médico, 7 deles para casos suspeitos de Chikungunya. No mesmo dia, a UBS Santo André realizou 68 atendimentos, com 47 atendimentos médicos, 4 deles de casos suspeitos de Chikungunya. No domingo (19), a UBS Seleta realizou 77 atendimentos, sendo 69 atendimentos médicos e 10 casos de pacientes com sintomas de Chikungunya. No mesmo dia, a UBS Santo André realizou 27 atendimentos, com 25 atendimentos médicos e 2 casos de pacientes com sintomas de Chikungunya. Nas aldeias Bororó e Jaguapiru, o final de semana também foi de trabalho para as equipes móveis de saúde. No sábado (18) foram 67 atendimentos de saúde, a maior parte na Aldeia Jaguapiru. No domingo (19) foram 38 atendimento na Aldeia Bororó e outros 38 na Jaguapiru; Já a Equipe 2 que atua na Aldeia Jaguapiru realizou 9 atendimentos no sábado (18), todos sintomáticos para Chikungunya.
Hospitais lotados e rede colapsada, leva Marçal a decretar situação de calamidade em saúde pública em Dourados
Decreto editado em razão da severa epidemia de Chikungunya, com colapso da rede assistencial do município, foi publicado em edição extraordinária do Diário Oficial do Município, na tarde desta segunda-feira; Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública alerta para o avanço da doença. O avanço da epidemia de Chikungunya, que começou pela Reserva Indígena de Dourados e avançou para os bairros, levou o prefeito Marçal Filho a editar o Decreto número 638, de 20 de abril de 2026, declarando situação de calamidade em saúde pública no município em razão da severa epidemia, com colapso da rede assistencial. No dia 20 de março, o prefeito Marçal Filho já havia editado o Decreto número 587, declarando situação de emergência da saúde pública do município. Logo depois, no dia 27 de março, o prefeito editou o Decreto número 608/2026, declarando situação de emergência em Defesa Civil nas áreas afetadas pela epidemia de Chikungunya. Esse terceiro decreto, publicado na edição extraordinária do Diário Oficial, segue orientações do Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública (COE), criado pela Prefeitura de Dourados para coordenar o enfrentamento à epidemia de Chikungunya na Reserva Indígena e no perímetro urbano do município. O Decreto 638/2026 também segue as diretrizes do Plano de Ação de Incidente para o Enfrentamento da Chikungunya, um documento de 36 páginas com um conjunto de medidas fundamentais para conter o avanço da doença e superar a epidemia. Para decretar situação de calamidade em saúde pública no município, o prefeito Marçal Filho considerou, ainda, que Dourados apresenta um cenário epidemiológico crítico, com elevado número de notificações de chikungunya, ultrapassando os 6.186 casos prováveis e a taxa de positividade de 64,9%. Também foram levados em consideração, os dados técnicos do Departamento de Gestão do Complexo Regulador do Município de Dourados, que demonstram a extrapolação da capacidade instalada, com taxa de ocupação de leitos de internação em aproximadamente 110%, configurando impossibilidade de resposta assistencial oportuna até mesmo para casos graves. Além das internações por complicação da Chikungunya, o prefeito levou em consideração o agravamento do cenário de saúde pública pela demanda extraordinária decorrente de outras enfermidades, notadamente a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), que pressiona simultaneamente o sistema público. O Decreto de Situação de Calamidade em Saúde Pública no Município de Dourados tem validade de 90 dias. A situação de calamidade em saúde pública ficou caracterizada em razão do aumento expressivo do número de casos suspeitos, prováveis e confirmados de Chikungunya; da ocorrência de hospitalizações e internações as quais extrapolam a capacidade instalada; da ocorrência de óbitos associados à doença; da expansão da transmissão para além do território indígena, com impacto assistencial sobre o território municipal; do crescimento da demanda por atendimento nas Unidades Básicas de Saúde, nos serviços de urgência e na rede hospitalar; da saturação ou risco de saturação da capacidade instalada de leitos e demais recursos assistenciais do município; da necessidade de adoção de medidas imediatas de vigilância, assistência, regulação, controle vetorial e mobilização da rede regional de saúde. O Artigo 3º do Decreto 638/2026 estabelece que caberá à Secretaria Municipal de Saúde coordenar a resposta à calamidade, ficando autorizada a adotar as medidas excepcionais previstas no Art. 3º e no art. 4º do Decreto nº 587/2026, incluindo a requisição administrativa de bens, contratações emergenciais e o ingresso forçado em imóveis.
Dourados inicia no dia 27 de abril campanha de vacinação contra Chikungunya
Esquema vacinal foi anunciado nesta segunda-feira (20) pelo secretário municipal de Saúde, Márcio Figueiredo; antes, os servidores da linha de frente da vacinação passarão por capacitação técnica, já que a vacina contra Chikunkunya traz uma variedade de contraindicações O Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública (COE), criado pela Prefeitura de Dourados para coordenar o enfrentamento à epidemia de Chikungunya na Reserva Indígena e no perímetro urbano do município, anunciou hoje que a Secretaria Municipal de Saúde inicia no dia 27 de abril a campanha de vacinação contra o vírus da Chikungunya. A campanha faz parte das estratégias definidas dentro do Plano de Ação de Incidente para o Enfrentamento da Chikungunya, um documento de 36 páginas com um conjunto de medidas fundamentais para conter o avanço da doença. “Nem todas as pessoas poderão tomar a dose em razão das contraindicações estabelecidas pelo Ministério da Saúde”, explica Marcio Figueiredo, secretário municipal de Saúde e coordenador-geral do COE. O primeiro caminhão com doses da vacina chegou em Dourados na noite da última sexta-feira (17). “Nesta quarta (22) e quinta-feira (23) vamos trabalhar na capacitação para todos os profissionais de enfermagem e vacinadores, preparando-os para esclarecer as pessoas sobre as restrições e identificar eventuais comorbidades antes de aplicação da vacina”, ressalta Marcio Figueiredo. “Esse esquema vacinal será mais lento, já que antes de receber a dose o público alvo precisa passar por avaliação do profissional de saúde”, alerta. Segundo o secretário municipal de Saúde, na sexta-feira (24) ocorrerá a distribuição das doses para todas as salas de vacinação do município, incluindo as unidades da saúde indígena. “Na segunda-feira (27) daremos início à vacinação em todas as unidades de saúde e no dia 1 de maio, Feriado do Dia do Trabalho, faremos uma ação de vacinação das 8h às 12h, em formato Drive-Thru, no pátio da Prefeitura de Dourados. De acordo com as regras definidas pelo Ministério da Saúde, apenas pessoas com mais de 18 anos e menos de 60 anos poderão receber a vacina contra Chikungunya. O imunizante, desenvolvido pela empresa farmacêutica Valneva em parceria com o Instituto Butantan, busca prevenir a doença que é transmitida pelo Aedes aegypti. A meta é vacinar no mínimo 27% da população-alvo (moradores de Dourados de 18 a 59 anos), o que corresponde a cerca de 43 mil pessoas. Aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em abril de 2025, a vacina começa a ser administrada de forma estratégica nas regiões de potencial risco de transmissão da doença nos próximos anos. No total, devem ser envolvidos cerca de 20 municípios de seis estados, conforme planejamento alinhado com o Ministério da Saúde. A seleção dos municípios considerou desde fatores epidemiológicos, relacionados à potencial ocorrência de casos de chikungunya em regiões onde o vírus já está circulando, até o tamanho populacional dos municípios e a facilidade operacional de se implementar uma nova vacina no sistema local de saúde em um curto prazo. Informativo Epidemiológico divulgado hoje pelo Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública aponta que Dourados tem 4.972 casos prováveis da doença, com 2.074 casos confirmados, 1.212 casos descartados e outros 2.900 casos em investigação. Até o momento foram confirmadas 8 mortes em razão de complicações pela Chikungunya, sendo 7 delas de moradores da Reserva Indígena de Dourados. VACINA SEGURA A segurança da vacina e sua capacidade de gerar anticorpos foram demonstradas em estudos clínicos feitos nos Estados Unidos e no Brasil, publicados em revistas científicas internacionais. Nos EUA, aproximadamente 99% dos voluntários apresentaram resposta imunológica com anticorpos neutralizantes. As contraindicações seguem as orientações da bula aprovada pela Anvisa, incluindo pessoas imunodeficientes, imunossuprimidas, com hipersensibilidade aos componentes da vacina e gestantes. Além do Brasil, o imunizante já foi aprovado para uso no Canadá, Reino Unido e Europa. A Chikungunya é uma doença viral transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, o mesmo que transmite dengue e Zika. Costuma causar febre de início súbito (acima de 38,5°C) e dores intensas nas articulações de pés e mãos, além de dor de cabeça, dor muscular e manchas vermelhas na pele. Em casos mais raros, o vírus pode atingir o sistema nervoso central e gerar problemas neurológicos. O principal impacto da Chikungunya é a dor nas articulações, que pode se tornar crônica, com duração de meses a anos. Sem um antiviral específico disponível, o tratamento é feito com antitérmicos e analgésicos, além de repouso e hidratação. Nos estudos clínicos, a vacina foi geralmente bem tolerada, com eventos adversos em sua maioria de intensidade leve a moderada, e induziu resposta imunológica após uma única dose. CONTA-INDICAÇÕES A vacina contra Chikungunya não pode ser aplicada em gestantes ou lactantes; em pessoas que façam uso de medicamentos imunossupressores, como corticóides em altas doses; pessoas com imunodeficiência congênita; pessoas que estão em tratamento de câncer com uso de quimioterapia e radioterapia; transplantados de órgão sólido; transplantados de medula óssea há menos de 2 anos; pessoas com HIV/Aids; pessoas com doenças autoimunes, como lúpus e artrite reumatóide; pessoas com duas dessas condições médicas crônicas: diabetes, hipertensão, insuficiência cardíaca, arritmia cardíaca, doença pulmonar crônica, doença renal crônica, obesidade (maior que IMC 30), doença hepática crônica, câncer (tratamento ou remissão). A vacina também não pode ser aplicada em casos de pessoas que tenham tido Chikungunya nos últimos 30 dias; que estejam em estado febril grave; que tenha recebido outra vacina de vírus atenuado nos últimos 28 dias; que tenha recebido vacina de vírus inativado nos últimos 14 dias. ESTUDOS COMPLEMENTARES A vacinação em regiões endêmicas (onde o vírus circula) será crucial para avaliar a efetividade do imunizante – ou seja, sua capacidade de reduzir casos da doença em contexto de mundo real. Para isso, o Instituto Butantan irá monitorar os casos positivos e negativos de chikungunya nos municípios participantes da estratégia, comparando os dados entre vacinados e não vacinados. É fundamental que toda a população de Dourados fique atenta aos sintomas da doença e procure uma unidade de saúde em caso de febre acompanhada de dor nas articulações e/ou dor no corpo. Isso contribuirá para que os
PF apreende cerca de uma tonelada de maconha em Ponta Porã
A Polícia Federal apreendeu, na noite da última sexta-feira (17/4), aproximadamente uma tonelada de substância análoga à maconha em uma área desabitada no município de Ponta Porã/MS. A ação teve início após o plantão da Polícia Federal receber uma denúncia anônima, informando sobre a existência de um possível depósito de entorpecentes em uma região com intensa movimentação suspeita. Ao chegarem ao local para averiguação, as equipes policiais constataram que o imóvel situava-se em uma área erma e sem ocupação aparente, informação que foi corroborada por moradores da vizinhança. Durante a inspeção técnica no perímetro, os agentes identificaram indícios da presença de material ilícito. Ao acessarem o interior do imóvel, confirmaram a existência da droga, que foi devidamente apreendida. Não houve prisões no local. As investigações prosseguem com o objetivo de identificar e responsabilizar os envolvidos no crime de tráfico de drogas.
Pedro Juan Caballero receberá Santos de Neymar pela Sulamericana
A capital do departamento de Amambay já vive clima de grande expectativa para um dos eventos esportivos mais aguardados do ano na fronteira, que estava na definição.Foi oficialmente confirmado que o jogo de volta da Copa Sul-Americana entre o Deportivo Recoleta e o Santos FC será disputado no Estádio Río Parapití. A partida está marcada para terça-feira, 5 de maio, às 21h30. A confirmação foi feita pelo presidente do clube paraguaio, Luis Antonio Vidal, durante entrevista ao programa Fútbol a lo Grande, consolidando Pedro Juan Caballero como palco de um confronto internacional de grande relevância. Como parte de uma estratégia logística para evitar deslocamentos até Assunção, o Deportivo Recoleta decidiu fixar sua base de operações na região de fronteira. Antes do duelo continental, a equipe — conhecida como “Funebrero” — enfrentará o Cerro Porteño no sábado, 2 de maio, também no Estádio Río Parapití, em compromisso válido pelo Torneio Apertura da Associação Paraguaia de Futebol (APF). Após essa partida, o elenco permanecerá na cidade, intensificando a preparação para o confronto diante do Santos, o que deve movimentar ainda mais a economia local e a rotina esportiva da região. A confirmação do jogo gerou forte repercussão entre torcedores paraguaios e brasileiros, especialmente em cidades vizinhas como Ponta Porã, onde a paixão pelo futebol ultrapassa fronteiras. A presença do “peixe” – Santos, clube historicamente reconhecido por revelar grandes nomes do esporte, aumenta o entusiasmo popular. Entre os ídolos formados pelo time paulista estão Pelé, Robinho e Neymar Jr., o que reforça o peso histórico da equipe no cenário mundial. A expectativa é de casa cheia para o confronto, considerado por muitos como um momento histórico para Pedro Juan Caballero. Diante da participação do 2 de mayo na pré-libertadores, o jogo coloca novamente a cidade no centro das atenções do futebol sul-americano, consolidando sua importância estratégica e cultural no cenário esportivo do circuito sulamericano.
Ivinhema perde jogo e liderança isolada para o Betim na Série D do Brasileiro
Fim de invencibilidade e liderança para o Ivinhema FC na Série D do Campeonato Brasileiro. Pela terceira rodada, neste domingo (19), o Azulão do Vale recebeu o Betim-MG e acabou batido por 3 a 1 no Estádio Saraivão. O primeiro gol da partida saiu apenas nos acréscimos do primeiro tempo, com o lateral-esquerdo Pedro Henrique, aos 47 minutos, abrindo o placar para os mineiros. Na etapa final, a vantagem do Betim aumentou em um contra-ataque aos 33 minutos, com Paulo Henrique. O Ivinhema ainda ensaiou uma reação, com gol de Alison Costa cobrando falta aos 37 minutos, mas, Marcelo, aos 46 minutos, aproveitou um vacilo do sistema defensivo do Azulão e fechou o placar e 3 a 1 para o Betim. Grupo A11 Com o resultado, o Betim chegou aos sete pontos e tomou a liderança isolada do Ivinhema que, com seis pontos, caiu para terceira posição, já que tem saldo de gols pior que o Uberlândia-MG, com a mesma pontuação. Na outra partida da chave, Operário FC e Abecat Ouvidorense-GO empataram em 1 a 1 no Estádio Jacques da Luz, em Campo Grande. O Galo segue em quarto, com três pontos, e o Abecat divide a lanterna com o CRAC-GO, com um ponto cada. Na próxima rodada duelo sul-mato-grossense entre Ivinhema e Operário, domingo (26), às 17h, no Estádio Saraivão.








