O Governo do Estado, por intermédio da SES (Secretaria de Estado de Saúde), entregou um conjunto de novos equipamentos ao HRPP ( Hospital Regional de Ponta Porã). O investimento contempla a incorporação de um arco cirúrgico, cinco carrinhos de emergência, quatro desfibriladores, dois ventiladores pulmonares, três bisturis eletrônicos e um aparelho de anestesia completo com monitor multiparâmetro. O arco cirúrgico é um equipamento que funciona como os “olhos” do médico durante uma operação. Ele gera imagens em tempo real que são exibidas em monitores, permitindo que o cirurgião visualize o interior do corpo do paciente — como ossos, vasos sanguíneos e instrumentos — sem a necessidade de grandes cortes. Seu formato em “C” é estratégico: ele se move ao redor da mesa de cirurgia para capturar diversos ângulos, sendo indispensável em procedimentos ortopédicos, cardiológicos e até neurológicos. Na prática, o uso dessa tecnologia torna as cirurgias mais rápidas, seguras e minimamente invasivas, o que reduz o tempo de internação e acelera a recuperação do paciente, elevando o padrão de eficiência e segurança da gestão hospitalar. Os demais equipamentos são utilizados como acessórios nos procedimentos cirúrgicos e clínicos e servem como suporte para o trabalho médico. Com a modernização do parque tecnológico, o objetivo é melhorar a qualidade e a precisão, aumentando a resolutividade e a agilidade dos atendimentos. Equipamentos ampliam acesso a serviços especializados Reconhecido pelo serviço de ortopedia, o hospital amplia agora sua capacidade de atuação. Com a chegada do arco cirúrgico e do novo aparelho de anestesia, a unidade passa a fortalecer também a realização de partos e procedimentos ginecológicos, melhorando o acesso da população a serviços especializados. Atualmente, o HRPP realiza, em média, 330 cirurgias mensais em três salas de centro cirúrgico. De acordo com o diretor técnico Antônio Martinussi, o investimento representa um ganho direto na qualidade dos serviços prestados. “Os novos equipamentos vão facilitar o fluxo do centro cirúrgico, proporcionando mais segurança e qualidade nos procedimentos. É fundamental contar com materiais modernos para atender bem a população”, destacou. Para o engenheiro clínico João Victor dos Santos Campos, a atualização tecnológica eleva o padrão de atendimento da unidade. “Estamos trabalhando com equipamentos de última geração, o que impacta positivamente na precisão dos diagnósticos e na segurança dos pacientes”, afirmou. Os equipamentos foram entregues ao hospital no dia 10 de abril e atualmente estão em fase final de implantação. O Hospital Regional de Ponta Porã conta atualmente com 117 leitos e cerca de 100 profissionais no corpo clínico. A unidade oferece atendimentos de urgência e emergência, serviços ambulatoriais e especializados, consolidando-se como um importante polo de saúde pública para a população da região de fronteira. Comunicação SES*com informações do HRPP
Gabriel Araújo conquista Laureus, maior premiação do esporte mundial
O multicampeão paralímpico Gabriel Araújo, o Gabrielzinho, conquistou o Prêmio Laureus, a maior premiação do esporte mundial, nesta segunda-feira (20), durante cerimônia no Palácio de Cibeles, em Madri (Espanha). O nadador mineiro de 23 anos, nascido em Santa Luzia – região metropolitana de Belo Horizonte – superou outros cinco concorrentes na categoria de mehor atleta com deficiência. Gabrielzinho foi o único brasileiro contemplado na 26ª edição do Laureus, considerado o Oscar do esporte internacional. Indicados em outras categorias, os compatriotas João Fonseca, Rayssa Leal e Yago Dora não foram eleitos este ano na votação da Laureus World Sports Academy, cujo juri é formado por 55 esportistas renomados. “Eu gostaria de agradecer a Deus, à minha família por tudo que estamos construindo. Estar aqui é um sonho para mim. Agradeço ao meu técnico ]Fábio Antunes] pelo apoio. Esse vai ser o primeiro de muitos, vamos continuar fazendo história”, disse Gabrielzinho, aplaudido de pé ao receber o troféu. No ano passado, o mineiro de 23 aos foi tricampeão mundial paralímpico em Singapura, nos 50m e 100 metros costas, e 200m da classe S2 (comprometimento físico-mortor). E não foi só: Gabrielzinho também batei p o recorde mundial dos 150m medley. Ícone da natação, ele subiu ao pódio seis vezes nas duas últimas Paralimpíadas: arrematou três ouros em Paris 2024, e dois ouros e uma prata em Tóquio 2020. Gabrielzinho levou o Laureus 2026 após superar cinco concorrentes na votação da Laureus World Sports Academy: os nadadores Simone Barlaam (Itália) e David Kratochvíl (República Tcheca); os atletas do atletismo Catherine Debrunner (Suíça) e Kiara Rodríguez (Equador) do atletismo, e a jogadora de hóquei no gelo Kelsey DiClaudio (Estados Unidos). Antes de Gabrielzinho, o nadador paulista Daniel Dias já havia conquistado o prêmio Laureus de melhor atleta com deficiência nas edições de 2009, 2013 e 2016. Demais brasileiros indicados A skatista maranhense Rayssa Leal e o surfista catariense Yago Dora disputaram o Laureus de melhor atleta de ação, junto com outros quatro atletas de outros países. A vencedora na categoria foi a snowboarder norte-americana Chloe Kim. Já o tenista carioca João Fonseca fora indicado ao Laures de revelação do ano, que reuniu outros cinco postulantes. O ganhador foi o piloto britânico de Fórmula 1 Lando Norris. Vencedores do Laureus 2026 Atleta Homem do Ano: Carlos Alcaraz (Espanha) – tênis Atleta Mulher do Ano: Aryna Sabalenka (Bielorrússia) – tênis Jovem Atleta do Ano: Lamine Yamal (Espanha) – futebol Atleta com Deficiência: Gabriel Araújo (Brasil) – natação Revelação do Ano: Lando Norris (Reino Unido) – automobilismo Equipe do Ano: Paris Saint-Germain (França) – futebol Melhor Atleta nos Esportes de Ação: Chloe Kim (EUA) – snowboard Retorno do Ano: Rory McIlroy (Reino Unido) – golfe Inspiração Esportiva: Toni Kroos (Alemanha) – futebol Prêmio Esporte para o Bem: Fútbol Más – futebol Prêmio Conquista de Vida: Nadia Comăneci (Romênia) – ginástica artística Agência Brasil
Lula fala em reciprocidade após expulsão de delegado dos EUA
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou em reciprocidade depois que o governo de Donald Trump pediu a saída de um delegado da Polícia Federal, envolvido na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem, do território estadunidense. A declaração foi dada nesta terça-feira (21) a jornalistas durante viagem à Alemanha. “Não sei o que aconteceu. Fui informado hoje de manhã. Acho que, se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com o deles no Brasil. Não tem conversa”, disse Lula. “Nós queremos que as coisas aconteçam da forma mais correta possível, mas não podemos aceitar essa ingerência, esse abuso de autoridade que alguns personagens americanos querem ter com relação ao Brasil. Entenda O Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos (EUA) informou, nesta segunda-feira (20), que pediu a saída de um “funcionário brasileiro” do país. Embora a postagem não cite nomes, o texto indica que se trata de um delegado da Polícia Federal envolvido na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem. A manifestação foi publicada na rede social X. Na mensagem, o órgão estadunidense informou que o servidor teria tentado contornar mecanismos formais de cooperação jurídica. “Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos. Hoje, pedimos que o funcionário brasileiro envolvido deixe o nosso país por tentar fazer isso.” Ramagem foi solto na última quarta-feira (15) após ficar dois dias preso na Flórida. O ex-deputado foi diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). No ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Ramagem a 16 anos de prisão na ação penal relacionada à trama golpista. Após a condenação, ele perdeu o mandato, fugiu do Brasil para evitar o cumprimento da pena e passou a residir nos Estados Unidos. Em dezembro de 2025, o ministro Alexandre de Moraes determinou o envio de pedido formal de extradição de Ramagem aos Estados Unidos, por meio do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Este mês, a Polícia Federal informou que a prisão de Ramagem pelo serviço de imigração estadunidense ocorreu como resultado de cooperação policial internacional entre o Brasil e os Estados Unidos. Segundo a corporação, o ex-deputado foi detido na cidade de Orlando e é considerado foragido da Justiça brasileira após condenação por crimes como organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
Procon de Mato Grosso do Sul monitora preço do diesel em postos no anel viário de Campo Grande
O Procon Mato Grosso do Sul, instituição vinculada à Sead (Secretaria de Estado de Assistência Social e dos Direitos Humanos), passou a monitorar o preço do diesel em postos no anel viário de Campo Grande após o anúncio da aplicação de subsídios pelos governos federal e estadual. Com dados coletados entre os dias 8 e 10 de abril, a pesquisa complementa o levantamento realizado em postos de combustíveis nas sete regiões administrativas da Capital. Ao todo, seis estabelecimentos são monitorados nas principais saídas da cidade. A maior variação aplica-se ao Diesel S10 nos pagamentos em dinheiro, débito e crédito. O litro do produto foi identificado entre R$ 7,09 e R$ 7,59, uma diferença de 7,05%. Já em relação ao Diesel S500, o percentual mais elevado esteve presente na modalidade crédito: 6,44%. O preço médio nas bombas de abastecimento foi de R$ 7,20. Medidas provisórias vêm sendo editadas para conter a alta de valores decorrente de conflitos no Oriente Médio, ofertando subsídios de até R$ 1,20/litro na importação e R$ 0,80/litro para a produção nacional. Houve, ainda, isenção de PIS/Cofins aplicada ao biodiesel. Os valores, no entanto, diluem-se nas etapas de importação, distribuição e revenda até o consumidor final. Outros combustíveis também foram monitorados. O etanol apresentou variação de 4,66% no dinheiro ou débito, enquanto a gasolina oscilou 3,78% para pagamentos no crédito. Serviço Pesquisa Combustíveis Anel Viário (Campo Grande) – Abril: https://tinyurl.com/bdzf3mxx Kleber Clajus, Comunicação Procon/MS
Governo reforça manutenção do Pronto Atendimento do HR após alinhamento com município
O Governo do Estado, por meio da SES (Secretaria de Estado de Saúde), informa que o Pronto Atendimento Médico do Hospital Regional da Costa Leste Magid Thomé, em Três Lagoas, será mantido em funcionamento, após alinhamento técnico realizado com a gestão municipal. A decisão foi construída de forma conjunta, considerando as demandas apresentadas pelo município ao Governo, bem como diante da necessidade de garantir assistência adequada e contínua à população da região. Durante reunião realizada na sede da SES, em Campo Grande, na semana passada, equipes técnicas do Estado e do município discutiram o funcionamento da rede e pactuaram a manutenção do serviço, com ajustes que ainda serão detalhados de forma integrada. Participaram do encontro com a secretária de Estado de Saúde em exercício, Crhistinne Maymone, e o superintendente de Governança Hospitalar da SES, Edson da Mata, a Diretora-Geral do hospital, Letícia Carneiro; o diretor-técnico Marllon Nunes; a secretária municipal de Saúde, enfermeira Juliana Rodrigues Salim; e a Diretora-geral de Saúde do município, Jamila de Lima Gomes. “Nosso foco é garantir que a população tenha acesso ao atendimento de forma organizada e eficiente, com diálogo permanente com os municípios e responsabilidade na gestão da rede”, detalhou Crhistinne. Organização da rede e atendimentoA SES ressalta que o Hospital Regional da Costa Leste segue como unidade estratégica para a rede pública estadual, com atuação no atendimento de urgência e emergência e no fortalecimento de especialidades de média e alta complexidade. A organização dos fluxos assistenciais continuará sendo aprimorada, com apoio do Complexo Regulador Estadual, garantindo que cada paciente seja encaminhado conforme a necessidade clínica e no tempo oportuno. O diálogo entre Estado e município continuará nos próximos dias, com o objetivo de aprimorar fluxos assistenciais e assegurar maior eficiência no acesso aos serviços de saúde, respeitando as características e necessidades locais. Danúbia Burema, Comunicação SES
Artesanato indígena de Mato Grosso do Sul é valorizado na Casa do Artesão e em feiras nacionais
O artesanato indígena é valorizado pela Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, que proporciona a comercialização na Casa do Artesão, a participação em feiras nacionais e também vai até as aldeias para emitir a Carteira Nacional do Artesão. No estado são nove etnias indígenas catalogadas, todas produzindo artesanato,, cerâmica, fibra e produtos em sementes. Segundo Katienka Klain, diretora de Artesanato, Moda e Design da Fundação de Cultura, aqui em Mato Grosso do Sul, as etnias indígenas que mais comercializam, mais participam de eventos e de comercialização na Casa de Artesão são as etnias Terena,Kadiwéu e Kinikinaw, que são baseadas na questão da cerâmica. “Hoje está tendo uma maior venda da material do Guató, do Ofaié, mas ainda de forma muito devagar, mas as maiores vendas são a terena, que é referência cultural, que é patrimônio cultural, e elas vendem muito por associações, também, às vezes, não indígenas, porque tem essa dificuldade de acesso financeiro de participar em alguns eventos”. Katienka diz que os produtos que mais vendem nas feiras são artesanato indígena. “As feiras nacionais são vendidas, a grande maioria, através de associações de artesanato, nem sempre associações indígenas, também a participação de representação de pessoas não indígenas, e aí essa venda é realizada em grande número expressivo, mas a grande maioria está na cerâmica terena, ainda a gente tem que ter um trabalho maior no estado para aumentar a venda e qualificar mais os outros artesanatos”. “O artesanato indígena é o primordial, é o que começou, onde tudo começou. Então, assim, está e grande parte quando a gente realiza a Carteira Nacional do Artesanato nas aldeias indígenas. Eles deixam claro que eles vivem do artesanato, então é fundamental o apoio da Fundação de Cultura através de comercialização nos Festivais de Inverno de Bonito, América do Sul, que são espaços próprios para eles. As vagas também nos editais, que também são vagas específicas para a população indígena, para que eles possam escoar essas peças e ter representatividade e também começar a entender o que é o mercado do artesanato”. O artesanato indígena está presente há mais de 30 anos na Casa do Artesão, com a participação das etnias Kadwéu, Terena e Kinikinau. Segundo a coordenadora da Casa do Artesão, Eliane Torres, o artesanato indígena é “a nossa referência cultural, é a nossa identidade, é patrimônio histórico, tudo isso envolve, por isso que temos aqui nossos artesãos indígenas presentes na nossa casa”. A artesã Cleonice Roberto Veiga, mais conhecida como Cléo Kinikinau, expõe suas peças na Casa do Artesão, junto com as peças da sua mãe, Ana Lúcia da Costa, há um ano. São peças em cerâmica e argila, além de colares, brincos e pulseiras. Para ela, é muito importante o papel da Casa do Artesão na divulgação do trabalho indígena. “Para a gente é importante que vocês ajudem a gente a divulgar o nosso trabalho, a nossa cultura e também ajuda no custo financeiro, que isso é uma fonte de renda nossa, que muitas vezes a gente não tem um emprego fixo, não trabalha, e acaba ajudando isso para dentro de casa nossa. É muito importante, depois que a gente conheceu aí a Casa do Artesão, para a gente está sendo ótimo, está ajudando a gente, que de mês em mês, a Casa do Artesão, ela tem mandado para a gente o que tem vendido e valoriza mais o nosso trabalho. E é isso, é muito bom, muito importante mesmo para nós. Nosso artesanato Kinikinau é raro ver em lugares, mas está ajudando muito mesmo a gente”. Creusa Virgílio, da etnia Kadwéu, disse que conheceu a Casa do Artesão há 14 anos. “Eu seguia minha mãe e minha irmã para vender cerâmica. E hoje eu continuo. Elas partiram e eu continuo na Casa do Artesão. Eu entrego peças para casa do artesão a cada 30 dias. A importância é, para mim, a mulher Kadwéu sobre a valorização do nosso estado, também é o momento de a gente divulgar e fortalecer a arte Kadwéu. O artesanato, para mim, é a renda familiar e a valorização da cultura, para que a cultura Kadwéu sempre viva e seja fortalecida em nosso estado”. A artesã Rosenir Batista é da etnia Terena e foi homenageada na Semana do Artesão do ano passado. Ela sempre ministra oficinas em escolas, para os alunos conhecerem a cerâmica Terena. Durante a Semana do Artesão deste ano ministrou oficina para alunos na Escola Municipal Governador Harry Amorim Costa. Rosenir nasceu em 8 de março de 1967. Trabalha com a Cerâmica Tradicional Terena desde a infância, há mais de 49 anos. “O saber ancestral da arte em cerâmica Terena aprendi com minha avó, e das primeiras peças produzidas (Bichinhos do Pantanal, vasos) meu trabalho evoluiu para diversos tipos de peças utilitárias e decorativas, que se transformaram na minha principal fonte de renda. Este conhecimento ancestral que recebi de minha avó já repassei para minhas filhas e netas, e eles já trabalham comigo, e temos o compromisso de manter está técnica viva de geração em geração”. Rosenir mora na aldeia Cachoeirinha, município de Miranda, e trabalha com cerâmica desde quando tinha 12 anos. “Eu trabalhava com a minha mãe, minha mãe trabalhava já com cerâmica, eu ajudava. Na prática, hoje, eu tenho 25 anos na área de artesanato. A cerâmica para mim é um trabalho que minha mãe me deixou. Então eu não posso deixar morrer a cultura, o trabalho que ela deixou para mim, eu tenho que dar continuidade. É a cultura da aldeia onde eu moro, eu não posso deixar ser esquecido, toda a minha família hoje trabalha na cerâmica”. Karina Lima, Comunicação SetescFoto: Ricardo Gomes/FCMS
Com 3ª maior população indígena do país, MS revela quem são seus povos originários em painel inédito
Quem são, onde vivem e como estão os povos originários de Mato Grosso do Sul? A resposta, por muito tempo fragmentada ou invisível, ganha forma a partir de agora. Com o lançamento do Painel Povos Originários, o Estado passa a contar com uma ferramenta inédita que reúne dados sobre população, território, etnias e condições de vida. Um retrato necessário, em números, para transformar realidade em política pública. Mato Grosso do Sul abriga a terceira maior população indígena do Brasil: são 116.469 pessoas, o equivalente a 6,9% do total do país. Mais da metade (59%) vive em terras indígenas, em uma população majoritariamente jovem, entre 15 e 29 anos, e com leve predominância de mulheres. Mas é na diversidade que o painel revela sua maior força: são 139 etnias e 48 línguas indígenas presentes no Estado. Um dado que amplia o olhar e rompe com visões simplificadas sobre quem são esses povos. Importante destacar que, oficialmente, Mato Grosso do Sul tem oito etnias originárias reconhecidas pela Funai: Guarani Kaiowá, Guarani Ñandeva, Terena, Kadiwéu, Kinikinau, Guató, Ofaié e Atikum. O número mais amplo, de 139 etnias, reflete outro fenômeno, o Estado se consolidou como um polo de referência, especialmente nas áreas de educação e saúde, atraindo indígenas de diferentes regiões do país. Desenvolvido pelo Observatório da Cidadania, em parceria com a Secretaria de Estado da Cidadania e a UFMS, o painel organiza informações que vão desde natalidade e envelhecimento até educação, moradia e distribuição territorial nos 79 municípios sul-mato-grossenses. “Este painel tem como objetivo dar visibilidade à presença e à diversidade dos povos originários em Mato Grosso do Sul. Ao reunir informações sobre distribuição territorial, perfil populacional e condições socioeconômicas, ele contribui para o reconhecimento das especificidades culturais e históricas desses povos e para o fortalecimento de políticas públicas mais justas e direcionadas”, afirma o coordenador do Observatório da Cidadania, professor Samuel Leite de Oliveira. Para o secretário de Estado da Cidadania, José Francisco Sarmento, o acesso a esses dados marca um avanço histórico na forma de pensar políticas públicas. “Não existe política pública séria sem dados. Hoje, o que mais se valoriza em qualquer gestão é isso. Sem informação, a gente corre o risco de investir recursos onde não são mais necessários e deixar de atender quem realmente precisa. O Observatório funciona como uma lupa, que nos permite enxergar de verdade quem são essas pessoas”, afirmou. Em um discurso marcado pela emoção, Sarmento também relembrou o passado recente, quando essas informações simplesmente não existiam. “Por muito tempo, essas pessoas estavam no mundo, mas não apareciam nos dados. Eu fico imaginando quantas histórias poderiam ter sido diferentes se lá atrás a gente tivesse acesso a esse tipo de informação. O que estamos fazendo agora é olhar para essas pessoas com seriedade e responsabilidade”, disse. Histórico A construção desse retrato não começou com números, pelo contrário, foi justamente motivado pela ausência deles. O técnico da Subsecretaria de Políticas Públicas para Povos Originários, Josias Ramires Jordão, do povo Terena, lembra que houve um tempo em que era preciso recorrer diretamente às comunidades para tentar entender a própria realidade do Estado. “Lá atrás, a gente não tinha indicadores. Era ligar para as lideranças e perguntar quantas crianças, quantas mulheres havia nas comunidades. Era tudo muito disperso. Hoje, com esses dados, a gente consegue enxergar a população indígena como um todo, e isso muda completamente a forma de construir políticas públicas”, explicou. Ele também destaca que o painel também ajuda a ampliar a compreensão sobre a diversidade indígena em Mato Grosso do Sul. “Muita gente conhece apenas alguns povos, mas o Estado tem 139 etnias. Isso mostra a riqueza que temos e a necessidade de políticas que considerem essas diferenças.” Para quem vive nas aldeias e atua na ponta, o acesso a esses números têm um significado que vai além da gestão, de reconhecimento. Técnico da Subsecretaria de Políticas Públicas para Povos Originários, Heliton Cavanha, da etnia Kaiowá, define o momento como histórico. “São mais de 500 anos de luta. Hoje, a gente ter esses dados significa olhar para as pessoas de verdade. Não é sobre política partidária, é sobre atender quem precisa”, afirmou. Segundo ele, os números também fortalecem as próprias comunidades na busca por direitos. “A gente sempre fala: para pedir política pública, precisa ter dados. Quantas pessoas trabalham com agricultura? Quantas crianças precisam de escola? Sem esses números, a gente não consegue dialogar. Agora a gente começa a falar e a ser ouvido.” Olhar, reconhecer, transformar Para o secretário José Francisco Sarmento, o painel representa mais do que um avanço técnico, é uma mudança de postura. “A cidadania tem o papel de colocar luz sobre quem historicamente foi deixado de lado. Quando a gente conhece, a gente se responsabiliza. E é isso que estamos fazendo: olhando para essas pessoas como sujeitos de direitos, independentemente de qualquer outra condição”, afirmou. Disponível de forma gratuita e acessível, o Painel Povos Originários é o oitavo a ser divulgado pelo Observatório da Cidadania. Para visualizar o conteúdo completo, acesse: https://observatoriodacidadania.ufms.br/ Paula Maciulevicius, da Comunicação da Cidadania*com informações do Observatório da Cidadania
Instituto Penal de Campo Grande ganha salão de beleza para capacitação de população LGBTQIAPN+ privada de liberdade
Iniciativas que promovem dignidade e criam oportunidades concretas têm se consolidado como ferramentas estratégicas para a ressocialização. Nessa perspectiva, a Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) inaugurou, na semana passada, o projeto “Salão de Beleza Expressão da Liberdade”, no IPCG (Instituto Penal de Campo Grande). Voltado especialmente à população LGBTQIAPN+ custodiada na unidade, o espaço foi estruturado para oferecer qualificação profissional na área da beleza, ampliando as possibilidades de geração de renda e de reinserção no mercado de trabalho após o cumprimento da pena. Equipado com materiais doados pelo Instituto Ação pela Paz e insumos obtidos com apoio da Subsecretaria de Políticas Públicas LGBTQIA+, vinculada à Secretaria de Estado de Cidadania – a partir de projetos apresentados pela Divisão da Promoção Social, da Diretoria de Assistência Penitenciária da Agepen – o salão nasce com uma proposta que vai além da capacitação técnica. O projeto integra inclusão social, respeito à diversidade e enfrentamento ao preconceito, tendo o trabalho e a qualificação profissional como eixo central da ressocialização. Entre os serviços ofertados estão corte de cabelo, barbearia, unhas em gel, maquiagem e outros cuidados estéticos. As atividades contemplam prioritariamente a população LGBTQIAPN+, sem excluir os demais custodiados da unidade. A formação profissional será realizada em parceria com instituições como o Sistema S, fortalecendo a qualificação técnica dos participantes. A solenidade também marcou a ampliação do projeto “Som da Liberdade”, que utiliza a música como ferramenta terapêutica e de desenvolvimento pessoal. Com a doação de novos instrumentos, pelo Instituto Ação pela Paz, a iniciativa passou a atender um número maior de internos, promovendo autoestima, disciplina e expressão artística no ambiente prisional. Ambos os projetos são coordenados pela policial penal Patrícia Gabriela Magalhães, que alia acompanhamento técnico a práticas de acolhimento e desenvolvimento humano dos custodiados. Para o diretor do IPCG, Leoney Martins Barbosa, as iniciativas refletem uma diretriz institucional voltada à humanização do sistema. “É um compromisso da gestão e de toda a equipe viabilizar projetos que tragam transformações reais na vida dos custodiados”, destacou. O diretor-presidente da Agepen, Rodrigo Rossi Maiorchini, enfatizou que ações como essa demonstram o compromisso do Estado com a mudança de trajetórias. “O futuro não é decidido pelo passado. Nosso papel é garantir condições para que cada pessoa tenha a oportunidade de reconstruir sua história”, afirmou. Ele também ressaltou o pioneirismo de Mato Grosso do Sul na adoção do nome social nos registros do sistema prisional. A diretora de Assistência Penitenciária, Maria de Lourdes Delgado Alves, destacou o impacto direto das iniciativas. “São projetos que despertam sonhos e mostram que novos caminhos são possíveis, além de contribuírem para a redução da reincidência criminal”, pontuou. Oportunidade como ferramenta de transformação Representando os participantes do “Expressão da Liberdade”, a custodiada C. F. S. chamou atenção para as barreiras enfrentadas fora do sistema prisional. “Muitas vezes, as oportunidades nos são negadas simplesmente por quem somos. Esse projeto traz dignidade no presente e esperança para o futuro”, afirmou. A subsecretária estadual de Políticas Públicas LGBTQIA+, Mikaella Lima Lopes, reforçou que a ausência de oportunidades está diretamente relacionada à vulnerabilidade social. “Se essas portas tivessem sido abertas antes, talvez muitas dessas pessoas não estivessem aqui hoje. Por isso, é essencial investir em políticas públicas dentro e fora do sistema prisional”, disse. Já o juiz da 1ª Vara de Execução Penal, Luiz Felipe Medeiros Vieira, destacou o papel do Estado na oferta de condições para a mudança de vida. “Não é só obrigação da pessoa privada de liberdade sair melhor. É dever do Estado garantir meios para que isso aconteça”, afirmou. Segundo ele, iniciativas de trabalho, cultura e capacitação contribuem diretamente para a redução da criminalidade e ampliam as chances de reinserção social, inclusive com possibilidade de remição de pena. Representando o projeto musical, o interno L.G. A. ressaltou o impacto das ações no cotidiano prisional. “Projetos como esse ajudam a construir uma ponte para o retorno à sociedade. A qualificação e a expressão artística ampliam horizontes e resgatam a esperança de um recomeço”, declarou. Também participaram do evento o juiz titular da 4ª Vara Criminal, José Henrique Kaster Franco, representantes da Secretaria Municipal de Assistência Social e sua Gerência de Proteção Social Especializada de Alta Complexidade, e da Associação das Travestis e Transexuais de Mato Grosso do Sul, além de diretores de unidades prisionais e assistenciais da Agepen na capital. Keila Oliveira, Comunicação Agepen/MS
Prefeitura realiza ação emergencial contra Chikungunya no Jardim Carisma
Os trabalhos, que tiveram como foco recolher resíduos sólidos e materiais inservíveis que acabaram virando pontos de proliferação do mosquito Aedes aegypti, foram coordenados pelas equipes da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos, com apoio do Centro de Controle de Endemias (CCZ) da Secretaria Municipal de Saúde. A Prefeitura de Dourados realizou no sábado (18) uma ação emergência de limpeza para recolher entulhos e materiais inservíveis abandonados em quintais e terrenos baldios localizado no Jardim Carisma, uma das áreas de maior avanço de casos de Chikungunya nos últimos dias. Os trabalhos foram coordenados pelas equipes da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos, com apoio do Centro de Controle de Endemias (CCZ) da Secretaria Municipal de Saúde. Apesar do feriado prolongado pelo ponto facultativo em razão do Dia de Tiradentes, lembrando nesta terça-feira (21), as equipes não pararam. “No sábado percorremos todos o bairro orientando os moradores para que colocassem os materiais inservíveis nas calçadas e nesta segunda-feira (20) voltamos com os caminhões e máquinas para coletar e dar destino correto aos resíduos sólidos”, explica o secretário-adjunto de Serviços Urbanos, Angelo Augusto Gomes dos Santos. Os trabalhos seguem diretrizes do Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública (COE), criado pela Prefeitura de Dourados para coordenar o enfrentamento à epidemia de Chikungunya na Reserva Indígena e no perímetro urbano do município, bem como fazem parte do Plano de Ação de Incidente para o Enfrentamento da Chikungunya, um documento de 36 páginas com um conjunto de medidas fundamentais para conter o avanço da doença e superar a epidemia. O secretário-adjunto de Serviços Urbanos fala sobre a importância da participação direta das pessoas nessa luta contra a epidemia de Chikungunya. “Estamos fazendo a parte que compete à Prefeitura de Dourados, mas essa guerra contra o mosquito Aedes aegypti só será vencida com o envolvimento sério de toda população, que precisa acabar com os pontos de água parada, manter os quintais limpos e acondicionar o lixo em sacos apropriados”, ressalta Angelo Gomes dos Santos. Paralelamente aos trabalhos da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos, equipes do Centro de Controle de Zoonoses atuaram no Assentamento Santa Felicidade, onde foram localizados 12 focos do mosquito transmissor da doença. As equipes fizeram tratamento químico em 8 moradias e borrifaram larvicida com máquina costal em 16 residências. Além disso, foi aplicado larvicida com máquina Leco em 80 quarteirões do Jardim Agua Boa, Jardim Florida 1 e 2 e imediações. Até esta segunda-feira (20), a Secretaria Municipal de Saúde havia recebido 305 Estações Disseminadoras de Larvicida (EDL), também chamadas de “armadilhas” e os agentes de combate às endemias já tinham instalado 277 delas nos bairros Assentamento Santa Fé, Assentamento Santa Felicidade, Jockey Clube, Vila Mariana, Parque das Nações I e II, Terra Dourada, Comunidade Vitória, Parque do Lago I e II e imediações. AÇÕES DE SAÚDE Diante da epidemia de Chikungunya, a Secretaria Municipal de Saúde terminou que a UBS Seleta e UBS Santo André mantivessem atendimento durante o feriado prolongado. No sábado (18), a Unidade Básica de Saúde Seleta realizou 241 atendimentos, com 75 atendimentos médico, 7 deles para casos suspeitos de Chikungunya. No mesmo dia, a UBS Santo André realizou 68 atendimentos, com 47 atendimentos médicos, 4 deles de casos suspeitos de Chikungunya. No domingo (19), a UBS Seleta realizou 77 atendimentos, sendo 69 atendimentos médicos e 10 casos de pacientes com sintomas de Chikungunya. No mesmo dia, a UBS Santo André realizou 27 atendimentos, com 25 atendimentos médicos e 2 casos de pacientes com sintomas de Chikungunya. Nas aldeias Bororó e Jaguapiru, o final de semana também foi de trabalho para as equipes móveis de saúde. No sábado (18) foram 67 atendimentos de saúde, a maior parte na Aldeia Jaguapiru. No domingo (19) foram 38 atendimento na Aldeia Bororó e outros 38 na Jaguapiru; Já a Equipe 2 que atua na Aldeia Jaguapiru realizou 9 atendimentos no sábado (18), todos sintomáticos para Chikungunya.








