Inaugurada em 9 de agosto de 2025, a primeira unidade do Samu Indígena do Brasil (Samui) melhorou substancialmente o atendimento aos indígenas das etnias Guarani, Terena e Caiuá que vivem na Reserva Indígena de Dourados, encurtando o tempo resposta e, inclusive, dobrando o número de atendimentos diários nas aldeias Jaguapiru e Bororó. Nos primeiros 30 dias de funcionamento do Serviço na reserva indígena, foram 150 ocorrências atendidas pela equipe, uma média diária de cinco ocorrências, o que equivale a um aumento de 150% em relação à média anterior, que era de duas ocorrência por dia. Com base própria na área do Hospital da Missão Evangélica Kaiowá, na Aldeia Jaguapiru, o serviço é exclusivo para atendimento da população indígena da maior aldeia urbana do país, com população estimada em 13,5 mil habitantes, segundo o Censo 2022 do IBGE. O serviço funciona 24 horas e conta com 14 profissionais, incluindo cinco técnicos de enfermagem, cinco enfermeiros e quatro condutores-socorristas. Metade da equipe é formada por indígenas fluentes em português e guarani, o que facilita a comunicação e garante um atendimento culturalmente adequado. O coordenador regional do Serviço Móvel de Urgência em Dourados, o médico Otávio Miguel Liston, explica que, agora, o tempo médio de resposta do Samu Indígena após receber a ligação é de 7 minutos, o que representa uma melhora significativa em relação ao cenário anterior, quando as equipes partiam da região central da cidade e levavam mais tempo para chegar às aldeias Jaguapiru e Bororó. SAÚDE NA COMUNIDADE A coordenação do Samu lançou nesta terça-feira (9) o projeto Saúde na Comunidade, que consiste em ações de promoção da saúde, educação e conscientização que o SAMU 192 realiza nas comunidades. A ação teve início com visita à unidade básica de saúde da aldeia Jaguapiru, onde conversaram com a equipe de enfermagem e demais profissionais, passando orientações sobre o Serviço e esclarecendo dúvidas. “Conversamos com o enfermeiro, com a técnica de enfermagem, toda a equipe de enfermagem e recepção, mostrando como funciona o serviço, como é o acionamento, enfatizando a importância do chamado ser passado por uma regulação médica para que o médico possa definir qual o recurso de empenhar na ocorrência”, explica o coordenador Otávio Miguel. Segundo ele, a visita foi também uma oportunidade para a troca de ideias e “isso é importante para que o Serviço esteja cada vez mais próximo da comunidade, para que o pessoal conheça o nosso trabalho e a importância do Samui e que estamos sempre à disposição deles”. A ação será estendida às demais unidades de saúde da reserva indígena, como forma de agregar em qualidade de serviço prestado para à comunidade.
Mato Grosso do Sul abre consulta pública para modernizar sistema de gestão da segurança pública
A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp) anunciou nesta quarta-feira (10), por meio e publicação na página 90 do Diário Oficial do Estado (DOE), a realização de uma audiência pública para apresentação do projeto de modernização do Sistema de Gestão Operacional (SGO), ferramenta central usada há mais de 14 anos pelas polícias e demais forças de segurança do Estado. O encontro será realizado no dia 24 de setembro, às 9h (horário local), em formato on-line, e é aberto à participação de empresas do setor de tecnologia, entidades de classe, sociedade civil e órgãos de controle. O link de acesso já está disponível na publicação oficial do evento e nos canais da Sejusp e pode ser acessado clicando aqui. O objetivo é apresentar ao mercado os detalhes do novo projeto, coletar sugestões técnicas e subsidiar a elaboração do Termo de Referência que irá embasar a futura contratação de uma empresa especializada para o fornecimento do sistema — serviço que é atualmente terceirizado pelo governo estadual. Segundo a Sejusp, a modernização do SGO visa adaptar a gestão operacional das forças de segurança às novas tecnologias disponíveis no mercado, explorando recursos como mobilidade, inteligência artificial, integração em tempo real, uso em nuvem e interoperabilidade entre sistemas distintos. Conectividade e Tecnologia Atualmente, o Sistema de Gestão Operacional (SGO) é a plataforma responsável pelo registro, acompanhamento e gestão das atividades operacionais das principais forças de segurança estaduais: Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, Polícia Penal, Perícia Oficial e o sistema socioeducativo. Com o fim do contrato vigente, o projeto prevê a contratação de uma solução mais moderna, escalável e aderente à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). A nova plataforma deverá ser capaz de integrar-se em tempo real com sistemas externos, como os do Judiciário, Ministério Público, Defensoria Pública, FUNAI, Conselhos Tutelares, além de bases nacionais de dados como INFOSEG, SINESP e BNMP (Banco Nacional de Mandados de Prisão). O novo modelo será estruturado em cinco áreas funcionais: Atendimento e Despacho (CAD), Polícia Judiciária, Polícia Militar, Administração Penitenciária (AGEPEN) e Sistema Socioeducativo (SAS/UNEI). Fornecedores poderão apresentar soluções para uma ou mais dessas áreas, desde que atendam aos critérios de interoperabilidade, modularidade, segurança da informação e portabilidade, evitando a dependência de fornecedores únicos. A proposta da Sejusp é priorizar a conectividade entre sistemas já existentes, aproveitando tecnologias como inteligência artificial, computação em nuvem e Internet das Coisas (IoT), em vez de desenvolver soluções do zero. A arquitetura esperada deve permitir evolução contínua, integração via APIs padronizadas e rápida adaptação a novos parceiros ou plataformas. As contribuições técnicas enviadas após a audiência serão analisadas pelo corpo técnico da Sejusp para embasar o Estudo Técnico Preliminar (ETP) e a posterior elaboração do Termo de Referência, que servirá de base para o processo licitatório. Os documentos técnicos e o regulamento da audiência estão disponíveis em https://cronos-seguranca-ms.mj.gov.br/s/GRHRn3asSSEZ5GS. As sugestões podem ser enviadas até 30 dias após a publicação do aviso oficial, pelo formulário https://forms.gle/oN17JbKSdrxqmnNbA. Dúvidas técnicas podem ser encaminhadas para o e-mail consulta@sejusp.ms.gov.br. Comunicação Sejusp
Fux cita incompetência do STF para julgar ação contra Bolsonaro
Ao abrir seu voto no julgamento contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, nesta quarta-feira (10), o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que não cabe à Corte fazer julgamento político, mas agir com cautela e responsabilidade ao decidir o que é legal sob o ponto de vista criminal. “Não compete ao Supremo Tribunal Federal realizar um juízo político do que é bom ou ruim, conveniente ou inconveniente, apropriado ou inapropriado. Compete a este tribunal afirmar o que é constitucional ou inconstitucional, legal ou ilegal”, disse Fux. O ministro acrescentou que “trata-se de missão que exige objetividade, rigor técnico e minimalismo interpretativo. A fim de não se confundir o papel do julgador com o do agente político”. “Com a mesma cautela e responsabilidade que orientam a jurisdição constitucional, deve também o Poder Judiciário exercer sua atuação de igual maneira na esfera criminal”, afirmou Fux. A Primeira Turma do Supremo retoma nesta quarta, com o voto de Fux, o julgamento sobre uma trama golpista que teria atuado para manter Bolsonaro no poder mesmo com derrota nas eleições de 2022. Fux é o terceiro a votar, depois que os ministros Alexandre de Moraes, relator da ação penal, e o ministro Flávio Dino votaram pela condenação de todos os oito réus pelos cinco crimes imputados pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Luiz Fux já indicou que vai divergir em questões preliminares e também sobre o mérito do caso. Entre as divergências está a opinião de que a competência para julgar o caso não é do Supremo, mas da primeira instância da Justiça Federal. O ministro alertou que seu voto será longo. Quem são os réus Crimes Todos os réus respondem pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado. A exceção é o caso do ex-diretor da Abin Alexandre Ramagem que, atualmente, é deputado federal. Ele foi beneficiado com a suspensão de parte das acusações e responde somente a três dos cinco crimes. A regra está prevista na Constituição. A suspensão vale para os crimes de dano qualificado pela violência e grave ameaça, contra o patrimônio da União, com considerável prejuízo para a vítima e deterioração de patrimônio tombado, relacionados aos atos golpistas de 8 de janeiro. Agência Brasil
Policial do Choque preso em operação é transferido por ‘inconveniência’ após ação em Terenos
O policial do Batalhão de Choque, Fábio André Hoffmeister Ramires, preso durante a deflagração da operação nesta terça-feira (9), pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), em Terenos, foi transferido por ‘inconveniência’. A transferência foi publicada no Diário Oficial desta quarta-feira (10), um dia depois da operação, que teve também como alvo o prefeito de Terenos, Henrique Budke (PSDB). “Transferir, por inconveniência da permanência na OPM, o 3º SGT QPPM FABIO ANDRE HOFFMEISTER RAMIRES, do BPMChoque / CPE / Campo Grande-MS, para o Comando-Geral / Diretoria de Gestão do Presídio Militar Estadual (DGPME) / Campo Grande-MS, com base no inciso III, art 20 do Decreto 1.093/81”. A decisão foi assinada pela subcomandante Neyde Nunes Barbosa Centurião. A prisão do sargento se deu por mandado de prisão preventiva assinado pelo desembargador Jairo Roberto de Quadros. A acusação é financiar, constituir ou integrar organização criminosa. Conforme informações públicas oficiais, Fábio entrou nos quadros da PM como aluno-bolsista, em outubro de 2008. Atualmente, tem remuneração de R$ 9.319,13, conforme o Portal da Transparência do Governo de MS. Na ação, o prefeito Henrique Budke (PSDB) foi preso, apontado como o chefe da organização criminosa. No total, foram cumpridos 16 mandados de prisão. Segundo as investigações, o esquema envolveu fraudes que superam os R$ 15 milhões. Entre os presos, estão: Arnaldo Santiago, Sansão Inácio Rezende, Nadia Mendonça Lopes, Orlei Figueiredo Lopes, Genilton da Silva Moreira, Eduardo Schoier, Fernando Seiji Alves Kurose, Henrique Wancura Budke, Hander Luiz Corrêa Chaves, Fábio André Hoffmeister Ramires, Sandro José Bortoloto e Valdecir Batista Alves. Ligação com Terenos Antes de ingressar nos quadros da PM, Hoffmeister já tinha afinidade com obras. Em 2007, chegou a trabalhar como ‘mestre’ na Belter Construções Ltda. Inclusive, naquela época, também representava a empresa em contratos públicos. As ligações com Terenos se aprofundam a partir de sua esposa, Jucelia, que afirma em suas redes sociais ser natural da cidade do interior. Datada de 1993, a Tercam já teria tido sede em Terenos, mas foi transferida para Campo Grande depois. Consta nos dados da Receita Federal que a empreiteira recebeu aporte de R$ 300 mil do casal, o chamado capital social. Mesmo lotado em Campo Grande, Fábio mantém ligações com o município centro do escândalo. Em outubro de 2022, o PM é iniciado na Grande Loja Maçônica de Mato Grosso do Sul, unidade de Terenos. Midiamax
Polícia Civil incinera aproximadamente 12 toneladas de drogas em Campo Grande
Na manhã desta quarta-feira (10), em trabalho que finaliza todo o trâmite do combate ao tráfico de drogas, a Polícia Civil, por intermédio da DENAR (Delegacia Especializada na Repressão ao Narcotráfico), realizou a incineração de entorpecentes em Campo Grande. Ao todo foram queimados 12 toneladas de maconha e 373 kg de cocaína. A incineração faz parte de um trabalho rotineiro executado pela Delegacia Especializada. As drogas são provenientes de apreensões de todas as forças de segurança do município. Como prescreve a Lei de Drogas (Lei 11.343/06), estiveram presentes ao ato de incineração o Delegado Titular da DENAR, Hoffman D’Avila Candido e com toda equipe da Delegacia Especializada; a Promotora de Justiça Daniele Borguetti Zampieri De Oliveira, Peritos Oficiais do IALF e Fiscais da Vigilância Sanitária.
Operação Vaga Zero cumpre mandados contra desvios milionários no transporte da saúde em MS
O Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (DRACCO) e o Ministério Público do Estado de Mato Grosso Do Sul, por intermédio da 7ª Promotoria de Justiça da Comarca de Três Lagoas, deflagraram em conjunto, na manhã desta quarta-feira (10), a 2ª fase da Operação Vaga Zero para o cumprimento de 5 mandados de busca e apreensão em investigação que apura crimes de organização criminosa, peculato-desvio e contratação direta ilegal envolvendo a Secretaria Municipal de Saúde de Selvíria. As ordens judiciais, expedidas pelo Poder Judiciário, foram cumpridas na sede da Secretaria Municipal de Saúde, no Centro de Especialidades Médicas (CEM) e em residências de servidores públicos e particulares investigados. As diligências têm por objetivo coletar provas relativas a contratos administrativos firmados a partir de 2022, por inexigibilidade de licitação, para a prestação de serviços médicos de sobreaviso e transporte intermunicipal de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) em situações de urgência e emergência. Conforme elementos já levantados, há indícios de superfaturamento de valores e de pagamento por serviços não prestados, com fixação de quantitativos de transferências muito acima da realidade local. A apuração identificou dois contratos consecutivos, ambos no valor aproximado de R$ 1,45 milhões cada, com objetos semelhantes e cláusulas que, segundo os levantamentos, apresentam sobrepreço e fragilidade na execução. Um dos contratos foi firmado com uma empresa que, segundo diligência em campo realizada pelo DRACCO, sequer funcionaria de fato: no endereço informado como sede, há apenas uma construção em andamento, sem qualquer atividade empresarial compatível com o serviço contratado. A investigação apura, também, a possível utilização de empresas de fachada e vínculos ocultos entre gestores públicos e prestadores de serviço. Entre os alvos estão servidores que ocupavam – à época dos fatos – cargos de direção e fiscalização na área de saúde, e foram afastados em recente Operação Deflagrada pela Polícia Federal, além de médicos vinculados ao Município. A operação integra um conjunto de medidas cautelares destinadas a estancar eventuais danos ao erário e assegurar a continuidade da apuração, que permanece sob sigilo para preservação das provas e da efetividade das diligências. A operação foi desencadeada pelo DRACCO e pelo MP de Três Lagoas, contando com apoio da DRP de Três Lagoas, através das equipes do SIG.
Câmara cria Frente Parlamentar pela construção de novo prédio do Hospital da Vida
A Câmara Municipal de Dourados oficializou, na noite de terça-feira (09), a criação da Frente Parlamentar em Defesa da Construção do Novo Prédio do Hospital da Vida, composta pelos vereadores Marcelo Mourão (presidente), Franklin Schmalz (vice-presidente) e Ana Paula Benitez Fernandes (secretária). A iniciativa reuniu parlamentares, representantes da sociedade civil, especialistas da área da saúde e entidades de classe, que destacaram a urgência de uma nova estrutura hospitalar para atender Dourados e toda a região sul de Mato Grosso do Sul. Propositor da Frente Parlamentar, o vereador Marcelo Mourão ressaltou que o atual prédio do Hospital da Vida, construído na década de 1970, está obsoleto e não atende mais às necessidades da população. “Precisamos plantar a boa semente e hoje a gente está fazendo isso. O nosso hospital municipal precisa de um prédio novo. Não adianta colocar móvel novo numa casa que tem goteira. Está na hora de conversar sobre isso e construir um prédio adequado para a nossa cidade. A frente é um grupo de trabalho aberto: todos podem participar – usuários do SUS, prefeitos da região, lideranças políticas e entidades. Ninguém está excluído”, afirmou. Mourão destacou ainda que o grupo elaborou uma carta coletiva convidando o prefeito de Dourados, Marçal Filho, a integrar a frente de trabalho. “É um gesto simbólico, mas muito importante, mostrando que queremos ajudar a viabilizar esse sonho coletivo”, completou. O arquiteto Anderson Molina se colocou à disposição para elaborar um projeto de construção. Segundo ele, o maior desafio será pensar em uma estrutura de longo prazo. “O hospital não pode ser construído para atender Dourados apenas por cinco ou dez anos. É preciso projetar algo que sirva para os próximos 30 ou 50 anos, considerando o crescimento da cidade e as exigências técnicas da saúde. Ainda é cedo para falar em valores, mas sabemos que será um investimento de grande porte.” Apoio do Ministério da Saúde O superintendente estadual do Ministério da Saúde, Ronaldo de Souza Costa, afirmou que a União tem sido parceira de Dourados, citando entregas recentes como o Centro de Especialidades, Centro de Diagnóstico e o SAMU Indígena. “Esperamos que essa frente traga soluções definitivas para os leitos hospitalares da região. O SUS deve garantir integralidade, universalidade e equidade. O governo federal está aberto a discutir investimentos, tanto em construção quanto em custeio, mas é preciso organizar a rede para que a produção de serviços corresponda aos recursos já aplicados. O SUS precisa ser fortalecido como sistema público e estatal”, destacou. Desafios diários O médico Dr. Majid Mohamad, que atua no Hospital da Vida, relatou as dificuldades enfrentadas diariamente. “A estrutura está precária. Faltam insumos básicos, como compressas para cirurgias. Muitas vezes, precisamos usar a criatividade para não deixar um paciente sem atendimento. Isso frustra os profissionais e prejudica os pacientes. Apoio essa iniciativa porque ela é, acima de tudo, pelo bem-estar da população.” A enfermeira Jociane de Souza Marques, que trabalha no Hospital da Vida desde 2011, reforçou a importância da nova estrutura. “O Hospital da Vida é referência para Dourados e outros 33 municípios, atendendo pacientes críticos de toda a região. Precisamos de um espaço adequado, baseado em dados e planejamento, para dar condições dignas de trabalho e atendimento. A estrutura atual não comporta mais essa demanda.” Participação de entidades e lideranças Representando o Conselho de Desenvolvimento Econômico de Dourados (CODED), Ronaldo Ramos defendeu o fim de reformas paliativas. “É hora de parar com puxadinhos. A cidade precisa de uma nova estrutura, pensada para atender a população de forma duradoura. O CODED estará junto nessa luta.” Já Jonathan Willian Silva, ouvidor do SUS e do Conselho Municipal de Saúde, destacou o anseio da comunidade. “O que a população pede é um ambiente acolhedor, que dê dignidade aos pacientes e profissionais. Esse hospital não pode ser só um sonho, precisa se tornar realidade.” A OAB Dourados/Itaporã, representada pela advogada Diva Maria Valente, também se somou ao movimento. “É um projeto ousado e necessário. Precisamos de um prédio novo, não apenas de reformas. A OAB é parceira e estará presente nas próximas discussões.” O superintendente do Hospital Universitário da UFGD/Ebserh, Hermeto Paschoalick, ressaltou a importância do Hospital da Vida como campo de prática e de atendimento emergencial. “Hoje, se alguém sofre um acidente grave, o melhor lugar para estar é no Hospital da Vida, porque lá estão profissionais experientes e capacitados. Mas eles merecem uma estrutura adequada. Em nome da UFGD e da Ebserh, reafirmo nosso compromisso de colaborar com esse processo.” O vereador Franklin Schmalz, vice-presidente da Frente, lembrou que o novo hospital será resultado de disputas e de prioridades. “Precisamos envolver a sociedade e evitar erros do passado, como a destinação de recursos para uma maternidade que não era prioridade. Esse debate precisa ser amplo, técnico e participativo. Nosso mandato está à disposição para ajudar a construir esse projeto e buscar os recursos necessários.” Próximos passos Ao final da sessão, os vereadores e representantes presentes assinaram, junto com o público, o documento de criação da Frente Parlamentar e o pedido oficial de construção de um novo prédio para o Hospital da Vida, que será encaminhado ao prefeito de Dourados, Marçal Filho. Segundo Marcelo Mourão, a mobilização marca o início de um esforço conjunto entre o poder público, profissionais da saúde, entidades e sociedade civil para transformar em realidade uma demanda histórica: um hospital moderno e estruturado para atender Dourados e toda a região sul do estado.
Potência Verde: ações de preservação e sustentabilidade de Mato Grosso do Sul são destaques nacionais
As ações do Governo de Mato Grosso do Sul voltadas à preservação do Pantanal e a agenda MS Carbono Neutro 2030 foram apresentadas pelo secretário Jaime Verruck, da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia), durante o CNN Talks – Potência Verde, realizado segunda-feira (8) em São Paulo (SP). O debate reuniu autoridades, especialistas e lideranças do agronegócio para debater temas ligados à agricultura regenerativa, bioenergia e clima em preparação para a COP30, que acontece em novembro, em Belém (PA). O secretário de Governo e Gestão Estratégica, Rodrigo Perez, também participou do evento. Segundo Verruck, Mato Grosso do Sul se consolidou como referência nacional e internacional na conservação do Pantanal ao adotar medidas estruturantes em conjunto com produtores, comunidades tradicionais e o Governo Federal. Entre as ações, estão a criação de uma lei estadual específica para o bioma, a implantação do Fundo Clima Pantanal e o primeiro programa de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), com mais de R$ 30 milhões destinados a produtores que optam por manter áreas nativas preservadas. “O Pantanal tem hoje 81,3% da vegetação nativa preservada, e isso é resultado de um processo coletivo que envolveu 97% do território privado. Criamos instrumentos como o manejo integrado do fogo, já transformado em lei federal, e lançamos iniciativas inovadoras, como créditos de carbono e de biodiversidade. Essa construção coletiva garante que o Pantanal continue sendo um patrimônio único do Brasil e do mundo”, afirmou o secretário. Carbono Neutro 2030 Jaime Verruck também apresentou os avanços da estratégia MS Carbono Neutro 2030, que prevê tornar Mato Grosso do Sul o primeiro estado brasileiro a neutralizar suas emissões de carbono. O programa inclui iniciativas como a rastreabilidade da produção de carne carbono neutro, em parceria com a Embrapa e a Marfrig, a expansão da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), que já alcança mais de 3 milhões de hectares, e investimentos superiores a R$ 1 bilhão em projetos de biometano para descarbonização do transporte. “Estamos construindo políticas públicas sólidas que envolvem tanto o setor produtivo quanto a indústria. Hoje, mais de 500 empresas estão cadastradas no sistema Carbon Control, que exige o balanço de carbono das atividades licenciadas no Estado. Essa é uma ação que valoriza nossa produção e dá competitividade ao Mato Grosso do Sul no cenário global”, ressaltou. O secretário chamou atenção para a necessidade de melhorar a forma como o Brasil apresenta suas iniciativas ambientais no cenário internacional. “Temos muito conteúdo e ações consistentes, mas ainda falamos para nós mesmos. Falta uma modelagem de comunicação capaz de demonstrar ao mundo que o Brasil já faz, de forma sustentável, aquilo que muitas vezes é questionado lá fora. Essa dificuldade de traduzir nossas práticas acaba gerando compreensões distorcidas sobre o agronegócio brasileiro”, avaliou Verruck. Reconhecimento nacional O trabalho desenvolvido por Mato Grosso do Sul também recebeu destaque no evento. O secretário de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Guilherme Piai, elogiou a política de PSA implementada pelo Governo do Estado. “Não dá mais para o produtor rural, que preserva 220 milhões de hectares em área privada no Brasil, não receber nada por isso. Mato Grosso do Sul está quebrando esse paradigma. O Estado é craque [por conta da remuneração oferecida ao produtor para abrir mão do direito de desmatar e preservar a vegetação nativa]”, afirmou Piai, que preside o Conseagri (Conselho Nacional de Secretários de Agricultura). O CNN Talks também marcou a estreia da série ‘Rota Bioceânica’, produzida pela emissora, que acompanha os avanços do corredor logístico que vai ligar o Brasil ao Oceano Pacífico, reduzindo em até 30% o custo de frete e 17 dias no tempo de transporte para a Ásia. Marcelo Armôa, Comunicação Semadesc
SES apresenta soluções para saúde no interior e reforça parceria regional entre municípios
A SES (Secretaria de Estado de Saúde) participou, na última semana, da II Conferência do Comitê Regional de Hospitais, na Costa Leste do Estado, com contribuições decisivas para aprimorar o atendimento hospitalar nas regiões de interior, incluindo regiões de fronteira e áreas vulneráveis de Mato Grosso do Sul. Representando a Secretaria, o médico João Ricardo Tognini e a superintendente de Gestão Estratégica, Maria Angélica Benetasso, apresentaram abordagens complementares sobre os desafios da saúde no interior e na fronteira, reforçando a importância da regionalização e da pactuação interfederativa. Em sua palestra “Urgência e Emergência na Fronteira e Interior: Garantia de Acesso e Equidade”, João Ricardo reforçou que a regulação precisa estar centrada no paciente — e não apenas na vaga. “A regulação precisa ser centrada na pessoa. É preciso contar com leitos disponíveis, mas, sobretudo, com uma avaliação clínica qualificada sobre quem realmente necessita deles. O paciente não é um número: é uma urgência concreta que exige decisão médica responsável”, afirmou. Isso significa que a regulação deixa de priorizar apenas a vaga disponível e passa a ser guiada pela avaliação clínica, garantindo que cada paciente seja encaminhado ao serviço mais adequado, no momento certo. Na prática Além da regulação, ele apresentou projetos em andamento pela SES que buscam melhorar a resolutividade dos serviços. “Esses protocolos são ferramentas que fortalecem a atuação dos profissionais da ponta. Quando o médico sabe o que fazer, com segurança e respaldo técnico, o paciente é atendido mais rápido e com mais qualidade”, ressaltou. Entre eles: * Protocolo cardiológico de fibrinólise para IAMCSST (Infarto Agudo do Miocárdio com Supradesnivelamento do Segmento ST), que permite iniciar o tratamento ainda na unidade de origem, reduzindo riscos e tempo de espera. * Fluxos clínicos padronizados para apendicite, colelitíase e pneumonia comunitária, que organizam o atendimento e evitam encaminhamentos desnecessários. Ele também destacou a necessidade de redes assistenciais adaptadas à realidade dos municípios menores. “As cidades pequenas têm demandas reais e precisam de soluções próprias. A regionalização é o caminho para isso”, enfatizou. Regionalização Na sequência da programação, a superintendente de Gestão Estratégica da SES, Maria Angélica Benetasso, ministrou a palestra “Regionalização da Saúde e Pactuação Interfederativa: Caminhos para a Efetividade”. Com base no PDR 2024 (Plano Diretor de Regionalização) e nas diretrizes do Programa Estadual de Incentivo Hospitalar, ela explicou como a regionalização organiza os serviços de saúde em níveis hierárquicos, respeitando a capacidade de cada hospital e garantindo o uso adequado da rede. “A pactuação entre municípios e Estado é o que torna possível um SUS que funciona. Quando todos trabalham juntos, o cuidado chega onde precisa, com dignidade e eficiência”, destacou. Entre os pontos trazidos por Maria Angélica estiveram a classificação dos hospitais, que organiza as unidades por complexidade e perfil assistencial, direcionando cada paciente ao atendimento mais adequado; o planejamento integrado entre União, Estado e municípios, que garante a distribuição eficiente de recursos e serviços; o financiamento sustentável e a gestão participativa, que asseguram recursos e decisões alinhados às necessidades da população; e o uso de tecnologia e inovação, como telemedicina e sistemas digitais, que ampliam o acesso e tornam a rede hospitalar mais eficiente. O evento reuniu gestores, profissionais de saúde e autoridades locais, e também contou com apresentações culturais, como a da Banda Marcial Cristo Redentor, criando um ambiente de troca, aprendizado e construção coletiva. Danúbia Burema, Comunicação SES








