O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por meio do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (GAECO), em atenção à delegação da Procuradoria-Geral de Justiça, deflagrou na manhã de hoje, dia 31/03, a segunda fase da Operação Pretense, denominada Mão Dupla, para cumprimento de 23 mandados de busca e apreensão, 13 mandados de medidas cautelares diversas (proibição de acesso às dependências da Administração Pública de Coronel Sapucaia, proibição de contato com outros investigados e monitoração eletrônica), 2 mandados de busca pessoal e 2 mandados de suspensão do exercício de função pública nas cidades de Coronel Sapucaia, Amambai, Ponta Porã e Caarapó, todos determinados pelo Egrégio Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso do Sul (TJMS).
Na primeira fase da Operação Pretense, deflagrada em 18/12/2024, foram cumpridos mandados de busca e apreensão envolvendo a Prefeitura e núcleo de empresas pertencentes a grupo familiar de Coronel Sapucaia. Em seguimento, a investigação aponta agora a prática de crimes de fraude a processos licitatórios e contratos deles decorrentes, peculato-desvio, corrupção passiva e pagamento irregular em contratos públicos, envolvendo agentes políticos, secretários, servidores e empresários com atuação no Município de Coronel Sapucaia.
De novo, grupo empresarial é alvo dos promotores.
A A. D. M. Construtora (CNPJ 22.316.305/0001-40) foi contratada em 2024 para construir o novo hospital da cidade, que iria substituir o atual Hospital Municipal Aparício Vidal Garcia. O Governo do Estado repassou R$ 9,1 milhões para a obra.
Ao todo, a empresa faturou mais de R$ 15 milhões em contratos desde 2020. O contrato referente ao hospital foi assinado em junho de 2022 e venceu em junho de 2025 sem que a construção tenha sido concluída.
Atualmente, a A. D. M. tem apenas um contrato vigente com a prefeitura. Trata-se da reforma da Escola Municipal Fernando de Souza Romanini, por R$ 1,3 milhão. Há um ano, o município autorizou a renovação do termo por mais 12 meses, até junho de 2026, e a atualização do valor para R$ 2 milhões.
O nome dado à operação faz referência ao bordão utilizado por agente político, frequentemente utilizado nas tratativas para as contratações públicas ilegais: “Você me ajuda que eu te ajudo”.
