Estado registra uma média de quase seis queimadas urbanas por dia

As queimadas urbanas continuam sendo um problema recorrente em Mato Grosso do Sul durante o período de estiagem. O incêndio que, no mês passado, atingiu um terreno baldio no Jardim Los Angeles, em Campo Grande, e espalhou fumaça e fuligem pelas casas vizinhas retrata uma realidade enfrentada diariamente pelo Corpo de Bombeiros Militar durante a temporada de baixa umidade.

O episódio é apenas um entre os milhares de atendimentos realizados em todo o Estado relacionados ao uso irregular do fogo para limpeza de terrenos, descarte de resíduos e queima de materiais em áreas urbanas. O servidor público Diego Antunes, de 39 anos, contou que acordou sufocado pela fumaça e, ao sair de casa, encontrou a vegetação em chamas. Segundo ele, esse tipo de ocorrência se repete todos os anos no bairro, e moradores suspeitam que o fogo seja provocado para a limpeza irregular da área.

Os números do Corpo de Bombeiros reforçam o alerta. Entre janeiro e julho de 2026, Mato Grosso do Sul registrou 1.200 atendimentos relacionados a queimadas urbanas, média de 5,7 ocorrências por dia. Somente em Campo Grande foram 500 registros, o equivalente a 2,4 atendimentos diários. Embora os dados de 2026 ainda sejam parciais, o cenário permanece preocupante. Em 2025, o Estado contabilizou 3.550 ocorrências relacionadas a queimadas urbanas. Em 2024, foram registrados 4.452 casos.

Além dos atendimentos realizados pelo Corpo de Bombeiros, as queimadas também geram grande volume de denúncias por parte da população. Em Campo Grande, a Guarda Civil Metropolitana recebeu 834 denúncias relacionadas a queimadas ao longo de 2025. No mesmo período, a Ouvidoria-Geral do Município registrou outras 340 reclamações envolvendo o uso irregular do fogo para a limpeza de terrenos baldios. Os números evidenciam que a prática continua recorrente na Capital e reforçam a necessidade de ampliar as ações de fiscalização, prevenção e conscientização.

Os reflexos são sentidos diariamente por moradores que convivem com a fumaça. Maria José Rodrigues, moradora do bairro Nova Lima, em Campo Grande, relata que sofre ainda mais nesta época do ano por causa dos problemas respiratórios. Segundo ela, pessoas desconhecidas costumam colocar fogo em um terreno próximo à residência. “A fumaça invade a casa, arde os olhos e piora muito a minha respiração. Preciso manter tudo fechado e, mesmo assim, o cheiro de queimado permanece por horas”, conta. Em Sidrolândia, a preocupação também faz parte da rotina. Nazareth Gonçalves, moradora do bairro Campina Ypacarai, afirma que as queimadas urbanas têm se tornado freuentes na região e deixam os moradores apreensivos. “Todos os anos enfrentamos esse problema. A fumaça incomoda, dificulta a respiração e ainda convivemos com o receio de que o fogo saia do controle e atinja casas vizinhas”, relata.Todos os anos enfrentamos esse problema. A fumaça incomoda, dificulta a respiração e ainda convivemos com o receio de que o fogo saia do controle e atinja casas vizinhas”, relata.

Além de destruir áreas verdes, as queimadas urbanas comprometem a qualidade do ar, causam prejuízos ambientais e aumentam os riscos à saúde da população.A fumaça produzida pela queima de vegetação, lixo e outros materiais contém partículas finas e gases tóxicos capazes de irritar os olhos e as vias respiratórias, além de agravar doenças como asma, bronquite, pneumonia e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas estão entre os grupos mais vulneráveis.

Em Mato Grosso do Sul, o avanço das doenças respiratórias já preocupa as autoridades de saúde. Segundo boletim epidemiológico da Secretaria de Estado de Saúde (SES), até a Semana Epidemiológica 15 de 2026, o Estado registrava 1.776 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e 133 óbitos. A SES alerta que, durante a estiagem, a combinação entre baixa umidade do ar e o aumento das queimadas favorece a piora da qualidade do ar e eleva a procura por atendimento médico por problemas respiratórios.

O Corpo de Bombeiros orienta a população a não utilizar fogo para limpeza de terrenos, folhas, galhos ou lixo. A recomendação é acionar o telefone 193 ao identificar qualquer princípio de queimada. Provocar queimadas é crime ambiental, conforme a Lei Federal nº 9.605/1998, e pode resultar em pena de até quatro anos de prisão, além de multa. Em Campo Grande, a prática também está sujeita a sanções administrativas, com multas que podem chegar a R$ 11.590,37 para a queima de resíduos a céu aberto e R$ 6.781 para queimadas em terrenos baldios ou quintais.Como parte das ações preventivas, a Prefeitura de Campo Grande desenvolve a campanha “Diga Não às Queimadas Urbanas – Agosto Alaranjado 2026”, com atividades de conscientização sobre os riscos das queimadas e a importância da prevenção durante o período de estiagem.

Recentes

  • All Posts
  • Brasil
  • Cultura & Entretenimento
  • Esportes
  • Mato Grosso Do Sul
  • Meio Ambiente
  • Mundo
  • Tecnologia & Ciência
  • Turismo
    •   Back
    • América Latina
    • Estados Unidos
    • Europa
    • Ásia
    • Oriente Médio
    • África
    • Oceania
    • Vaticano
    •   Back
    • Dourados
    • Polícia
    • Política do MS
    • Regiões do MS
    • Agronegócio
    • Saúde no MS
    • Economia do MS
    •   Back
    • Futebol
    • Basquete
    • Vôlei
    • Automobilismo
    • Lutas
    • E-Sports
    • Esportes no MS
    • Outros Esportes
    •   Back
    • Bem-Estar Ambiental
    • Clima e Natureza
    •   Back
    • Música & Shows
    • Programação Cultural
    • Cinema, TV & Streaming
    • Famosos
    •   Back
    • Natureza & Aventura
    • Destinos no Brasil
    • Gastronomia
    • Turismo em Foco
    •   Back
    • Educação
    • Saúde
    • Segurança Pública
    • Política
    • Economia
    • Sociedade
    •   Back
    • Inteligência Artificial
    • Inovação
    • Pesquisa e Ciência
    • Tecnologia e Sociedade

© 2026 Folha do MS. Todos os direitos reservados.