O empresário Jovenil Vieira Rodrigues, de 57 anos, foi preso nesta quarta-feira, 26, em Dourados, durante a Operação Balcãs da Polícia Federal. A ação tem como objetivo desarticular uma organização criminosa de atuação internacional investigada pelo envio de grandes cargas de cocaína para a Europa. O mandado de prisão preventiva foi expedido pela 22ª Vara Federal de Porto Alegre e foi o único cumprido no estado de Mato Grosso do Sul. Os outros dois mandados foram executados em Porto Velho e no Paraguai, mas os nomes dos alvos não foram divulgados.
As investigações estão em andamento sob sigilo judicial. De acordo com informações apuradas, Jovenil foi preso, embora não haja dados oficiais disponíveis sobre o nível de envolvimento dele com o grupo investigado. Ele atua no setor da construção civil em Dourados e é casado com uma guarda municipal. A esposa não foi alvo de mandado de prisão nesta operação, mas ambos são investigados em outro inquérito por suspeita de lavagem ou ocultação de bens.
A operação também cumpriu cinco mandados de busca e apreensão em Dourados. Um dos alvos foi o contador Volmir José Faccin. O veículo dele, um Porsche Boxster preto modelo 2024 avaliado em cerca de 700 mil reais, foi apreendido em um estacionamento de clube recreativo. O carro está registrado em nome do escritório de contabilidade dirigido por Faccin. Como o caso segue em sigilo, não há informações oficiais sobre o eventual envolvimento do contador no esquema.
Segundo a Polícia Federal, foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão no Brasil, na Holanda e no Paraguai, além das três prisões preventivas. A ação incluiu o bloqueio de valores em contas bancárias e o sequestro de 43 imóveis e 27 veículos pertencentes aos investigados ou a empresas ligadas a eles. Os bens apreendidos estão avaliados em pelo menos 300 milhões de reais.
As investigações apontam que a organização seria responsável pela logística completa de remessa de cocaína, desde a aquisição da droga em países andinos até o envio para a Europa por meio de portos brasileiros. A operação é considerada uma nova etapa da Operação Hinterland, iniciada em 2023, que teve origem na apreensão de três toneladas de cocaína em Pelotas, em novembro de 2021. Nesta fase atual, foi identificado que o comprador da droga seria integrante de uma máfia atuante na região dos Balcãs. O grupo teria enviado pelo menos 12 toneladas de cocaína para a Europa. O controle logístico era exercido a partir do Paraguai.
Na noite da prisão, Jovenil passou por audiência de custódia na 1ª Vara Federal de Dourados. O juiz responsável avaliou que não houve ilegalidades na prisão e determinou a manutenção da prisão preventiva.
O advogado de Jovenil, Alberi Rafael Dehn Ramos, afirmou que seu cliente não tem relação com o tráfico internacional e que sempre trabalhou na construção civil. Segundo a defesa, Jovenil não tinha conhecimento da origem dos recursos investidos nos empreendimentos que realizou. A defesa de Volmir José Faccin ainda não foi localizada para comentar o caso.
Em 31 de agosto de 2022, Jovenil e a esposa foram abordados pela Polícia Federal na BR 463, entre Ponta Porã e Dourados. Na caminhonete do empresário foram encontrados 150 mil reais em espécie e uma pistola pertencente à esposa, que é guarda municipal e possui porte. O dinheiro foi alvo de investigação por possível lavagem de capitais. O Ministério Público Federal se manifestou contra a devolução dos valores, mas em março de 2023 a Justiça Federal determinou a restituição por ausência de provas. O inquérito foi posteriormente arquivado, mas aparece como reaberto desde 4 de novembro de 2025.

