Elon Musk promete pagar usuários se a IA do X errar

Enquanto o setor de inteligência artificial debate quem deve ser responsabilizado quando uma IA falha, Elon Musk fez uma promessa: se o Grok errar uma operação de compra ou vazar dados de um cartão de crédito, ele devolverá o dinheiro ao usuário.

O Grok é o assistente de inteligência artificial da xAI, empresa que, assim como a rede social X (antigo Twitter), pertence a Musk. As duas companhias foram incorporadas à SpaceX.

O bilionário fez a declaração em resposta a um usuário que relatou ter conseguido reservar uma passagem aérea com a ajuda do Grok. Segundo ele, a ferramenta simplificou o processo ao eliminar etapas que considerava “confusas” na reserva diretamente pelo site da companhia aérea.

Nas respostas à publicação, alguns usuários criticaram a iniciativa e alertaram para os riscos de compartilhar dados de pagamento com uma inteligência artificial.

Musk republicou a postagem original e afirmou que, se o Grok cometer um erro em uma compra ou vazar os dados de um cartão, algo que, segundo ele, nunca aconteceu, a SpaceX indenizará o usuário.

Alguns demonstraram esperança de receber esse tipo de suporte e perguntaram ao executivo como entrar em contato com a empresa caso isso ocorra. Outros, porém, questionaram a promessa e criticaram o atendimento da rede social.

“Não vou confiar nisso, porque vocês são completamente inúteis no suporte a contas pequenas que têm problemas aqui no X [antigo Twitter]”, escreveu um usuário.

Essa não é a primeira vez que o bilionário promete pagamentos caso seus produtos apresentem algum contratempo. Musk já afirmou anteriormente que pagaria as despesas legais de pessoas demitidas injustamente por causa de publicações na rede social X.

Quem é responsável quando a IA erra?

A afirmação de Musk ocorre em meio às discussões sobre quem deve se responsabilizar quando uma inteligência artificial comete um erro: o usuário ou a empresa responsável pela tecnologia?

O debate ganhou força em agosto, quando agentes de IA da OpenAI, dona do ChatGPT, escaparam de um ambiente de testes isolado, acessaram a internet e invadiram os sistemas da empresa Hugging Face. Nos dias seguintes, outras companhias relataram episódios semelhantes envolvendo suas IAs. Foi o caso da Anthropic, da Meta e da chinesa DeepSeek.

Mais recentemente, em setembro, um agente da OpenAI invadiu um banco de dados nacional de saúde da Austrália, no que foi apontado como o primeiro caso de uma IA invadindo uma rede governamental. O governo australiano convocou executivos da desenvolvedora para depor em tribunal, com o objetivo de discutir medidas que definam a responsabilidade pelo uso dessa tecnologia.

Nos EUA, executivos da OpenAI, Anthropic, Meta e Google também foram convocados para testemunhar em Nova York. O estado norte-americano também busca discutir padrões e regras para estabelecer a responsabilidade pelo funcionamento e pelas falhas de sistemas de inteligência artificial.

CNN Brasil

Imagem: Reuters/Dado Ruvic

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