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Fatwa Iraniana Contra Trump e Netanyahu Gera Tensões Globais

A recente emissão de uma fatwa pelo clérigo xiita iraniano Naser Makarem Shirazi, declarando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, como “inimigos de Deus”, desencadeou preocupações internacionais sobre o potencial de incitação à violência. A fatwa, publicada em 29 de junho de 2025, responde às ameaças feitas por ambos os líderes contra o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, durante o conflito de 12 dias entre Irã, Israel e Estados Unidos, iniciado em 13 de junho. O decreto religioso, que classifica Trump e Netanyahu como “mohareb” (aqueles que fazem guerra contra Deus), pede aos muçulmanos em todo o mundo que ajam contra eles, levantando alertas sobre a possibilidade de atentados.

O conflito, marcado por ataques israelenses a instalações nucleares iranianas e subsequentes bombardeios americanos em 22 de junho, resultou em danos significativos às usinas de Fordow, Natanz e Isfahan, segundo fontes iranianas. O Irã retaliou com ataques de mísseis contra cidades israelenses e uma base americana no Catar, intensificando o confronto. Durante o conflito, Trump afirmou em redes sociais que sabia onde Khamenei estava escondido, chamando-o de “alvo fácil”, mas optou por não autorizar sua eliminação. Netanyahu, por sua vez, sugeriu publicamente que assassinar Khamenei poderia “encerrar” o conflito, segundo entrevista à Fox News em 16 de junho.

A fatwa de Shirazi, publicada por meios estatais iranianos como a agência Mehr, afirma que qualquer pessoa ou regime que ameace a liderança islâmica é considerada “mohareb”, um termo que, segundo a lei iraniana, pode justificar penas como execução, crucificação ou exílio. O clérigo também declarou que apoiar esses “inimigos” é “haram” (proibido) e instou muçulmanos a fazerem Trump e Netanyahu “se arrependerem de suas palavras e erros”. Analistas, como o comentarista britânico-iraniano Niyak Ghorbani, condenaram a fatwa como um ato de incitação ao terrorismo global, comparando-a à infame ordem de 1989 contra o escritor Salman Rushdie, que resultou em décadas de ameaças e um ataque em 2022.O decreto ocorre em um momento de fragilidade para o regime iraniano, que enfrenta críticas internas e externas após o conflito. Relatórios da Anistia Internacional indicam que mais de mil pessoas foram presas no Irã nas últimas semanas, sob acusações de colaboração com Israel ou os EUA, sugerindo que a fatwa também pode servir para justificar repressão interna. A comunidade internacional, incluindo autoridades americanas e israelenses, expressou preocupação com o impacto da retórica religiosa, temendo que ela inspire ataques por indivíduos ou grupos radicalizados, como ocorreu no caso Rushdie.

Apesar do cessar-fogo mediado pelos EUA em 24 de junho, a fatwa mantém as tensões elevadas. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) informou que as instalações nucleares iranianas sofreram danos “severos, mas não totais”, e o Irã pode retomar o enriquecimento de urânio em meses. Enquanto isso, o governo iraniano insiste que seu programa nuclear é pacífico, rejeitando acusações de buscar armas nucleares. A fatwa, vista como uma tentativa de reforçar a autoridade de Khamenei, levanta questões sobre a estabilidade regional e os riscos de escalada em um cenário já volátil.

Gustavo De Oliveira

Escritor

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