Polícia Civil prende líder religioso investigado por estupro de vulnerável e posse ilegal de arma de fogo

José Ricardo

A Polícia Civil do Estado de Mato Grosso do Sul, por meio da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA), realizou na manhã desta quarta-feira (11), uma operação que resultou na prisão de um homem de 63 anos, que exerce função religiosa de pai de santo em um centro de umbanda na Capital. Ele é investigado pela prática de crimes de estupro de vulnerável contra mulheres praticantes da religião.

Polícia Civil prende líder religioso investigado por estupro de vulnerável e posse ilegal de arma de fogo

O caso chegou ao conhecimento da Polícia Civil em novembro de 2025, a partir do relato de uma das vítimas, que informou ter sido abusada sexualmente pelo indivíduo quando tinha apenas 12 anos de idade. Segundo o depoimento, o investigado alegava estar incorporado por uma entidade espiritual e, sob o pretexto de realizar trabalhos espirituais, praticava os abusos. Além desta ocorrência, há outras duas investigações em andamento envolvendo vítimas distintas, que relataram condutas semelhantes.

A medida cautelar de prisão foi decretada pelo Poder Judiciário após representação da autoridade policial, em razão da gravidade dos fatos, reiteração delitiva, da necessidade de resguardar a instrução criminal e de garantir a proteção das vítimas. O preso foi conduzido à sede da DEPCA, onde foi formalizada a prisão.

Durante o procedimento, foram adotadas todas as providências de polícia judiciária cabíveis, incluindo encaminhamentos para exames periciais, oitiva de testemunhas e a implementação de medidas de proteção, de forma a resguardar a dignidade, a integridade física e psicológica das vítimas. Sua conduta foi enquadrada no Artigo 217-A, caput, c/c Artigo 226, inciso II, ambos do Código Penal, que tipifica o crime de estupro de vulnerável, com aumento de pena em razão do exercício de autoridade sobre a vítima (líder religioso).

Além disso, ele foi autuado em flagrante pelo crime de posse ilegal de arma de fogo, uma vez que foi localizada uma espingarda no centro espiritual, sem a documentação necessária. Em interrogatório, o investigado afirmou que, quando estaria “trabalhando com a entidade”, sua incorporação seria “totalmente apagada” e que não teria conhecimento do que fazia nesse estado. A versão será confrontada com os demais elementos de prova colhidos no inquérito policial.

Após os procedimentos na delegacia, ele será encaminhado ao sistema prisional, onde permanecerá à disposição da Justiça.  A Polícia Civil reafirma seu compromisso com a proteção integral de crianças e adolescentes e com o rigor na apuração de crimes de violência sexual. A operação demonstra a importância da atuação firme e coordenada das forças de segurança na defesa dos direitos fundamentais da infância e da juventude, bem como no enfrentamento a qualquer forma de abuso, independentemente do contexto em que ocorra.

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