Mercado argentino tem dúvidas sobre ritmo que Caputo vai implementar mudanças na economia

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A presença de Luis Caputo no Ministério da Economia de Javier Mieli conta com a apoio do mercado financeiro e dos empresários argentinos.

Ele assume com os desafios mais complexos e arriscados do novo governo, ou seja, implementar a política econômica de choque pretendido pelo vencedor das eleições mais polarizadas do país.

O economista é visto como uma garantia de que a dolarização da moeda argentina não vai acontecer tão cedo — se vai mesmo ser adotada.

O fechamento do Banco Central também é visto como bravata de campanha eleitoral, pelo menos enquanto Caputo estiver no comando da economia.

A fragilidade argentina desperta a maior dúvida sobre a gestão que Caputo pode adotar: o ritmo das mudanças, ou a intensidade do “choque” pretendido por Milei.

O que mais preocupa os empresários é quanto tempo Caputo terá para promover cortes nos gastos públicos nos subsídios e ainda iniciar o reequilíbrio das tarifas e preços relativos do país, há muitos anos distorcidos.

Caputo já ganhou o apelido de “Messi das Finanças”, mas não pela sua passagem no governo de Mauricio Macri, e sim pelo tempo que esteve à frente de bancos estrangeiros, como JP Morgan e Deutsche Bank.

Quando esteve com Macri, Caputo acabou perdendo o timing das reformas com o ex-presidente e a economia voltou à rota de crise com maior velocidade. Foi dele a negociação com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para o empréstimo adotado no governo Macri.

Agora, ele terá que lidar com uma relação mais estremecida e com uma dívida muito maior do país.

“Caputo deve ter seis meses, no máximo, de apoio dos empresários e da sociedade se conseguir mostrar resultado. Ainda assim, é um tempo curtíssimo para a economia e muito longo para as pessoas passarem por mais sufoco. Se os preços realmente foram liberados, ninguém sabe dizer se os empresários argentinos terão consciência política para segurar o estouro da inflação”, disse um empresário brasileiro que há muitos anos atua no país vizinho.

Economistas argentinos já projetam inflação mais alta para este mês, podendo chegar a 20%. A dúvida é sobre os efeitos das primeiras medidas que serão anunciadas nesta terça-feira (12) na inflação a partir de janeiro.

“O governo terá que promover, ao mesmo tempo, a desvalorização do câmbio oficial, a desregulamentação dos setores que são mais controlados e a redução de emissão monetária feita pelo Banco Central”, ressalva o consultor Welber Barral, sócio da BMJ Consultores Associados e ex-secretário de Comércio Exterior.

“Isso deve levar seis meses, e a partir daí outras medidas devem começar a ser adotadas, como as privatizações e o fechamento de empresas públicas deficitárias”.

CNN