Forças nacionais de segurança pública sobrevoam fronteira seca para mapear o avanço do crime organizado e conflitos agrários

José Ricardo

A vulnerabilidade da linha de fronteira entre o Brasil e o Paraguai foi o foco central de uma comitiva do Ministério Público e das forças nacionais de segurança pública nesta segunda-feira (26). A programação, liderada pelo setor de inteligência do MPMS, contou com a presença do Procurador-Geral da República, Paulo Gustavo Gonet, do Secretário-Geral do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), Carlos Vinícius Alves Ribeiro, e do Procurador-Geral de Justiça do MPMS, Romão Avila Milhan Junior.

A visita técnica teve início com uma recepção estratégica pelas equipes da Assessoria Militar (Asmil/MPMS), o Batalhão de Choque e a Força Tática do 4º Batalhão de Polícia Militar (4º BPM). Durante a primeira etapa, especialistas do Choque realizaram uma explanação detalhada sobre a escalada da violência envolvendo o conflito indígena, com foco nos confrontos ocorridos em Amambai e Antônio João.

Ainda pela manhã, a comitiva embarcou em helicópteros da Coordenadoria Geral de Policiamento Aéreo (CGPA) para um sobrevoo tático em direção a Coronel Sapucaia. Do alto, as autoridades puderam observar a porosidade da fronteira e os desafios logísticos para o policiamento em uma região onde a divisão entre os dois países é, muitas vezes, apenas uma rua.

Ao chegarem em Coronel Sapucaia, as autoridades foram recebidas por tropas de elite: Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e Departamento de Operações de Fronteira (DOF). O debate subiu de tom ao tratar das organizações criminosas transnacionais. Um dos momentos mais emblemáticos da visita foi o trajeto terrestre até as proximidades da residência do conhecido “Barão de Escurra”, figura central no histórico do tráfico local.

Durante a visita da comitiva, debateu-se com o Procurador-Geral da República a extinção do Programa Protetor, iniciativa em que Coordenações Regionais permanentes acompanhavam, em campo, as operações nas fronteiras brasileiras. Também foi discutida a transferência da unidade do Ministério Público Federal (MPF) de Ponta Porã para Dourados, ocorrida em 2020. O PGR se dispôs a encaminhar as demandas ao Ministro da Justiça.

Participaram da comitiva as forças militares: Batalhão de Choque, BOPE, DOF, 4º BPM, Polícia Militar Rural e Ambiental, o Batalhão da Polícia Militar Rodoviária e a 3ª Cia de Amambai; Inteligência: GISP (Agepen) e o Centro de Inteligência do MPMS.

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