Fatores de Risco para Demência Precoce: O que a Ciência Revela

Geralt

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A demência é uma condição neurológica que afeta milhões de pessoas em todo o mundo, incluindo a doença de Alzheimer, que representa a maioria dos casos. Tradicionalmente, acredita-se que a demência ocorra principalmente em idosos e esteja associada à perda de memória. No entanto, estudos recentes têm revelado que a demência precoce, que ocorre entre os 30 e os 64 anos de idade, está se tornando cada vez mais comum.

Um estudo conduzido por pesquisadores da University of Exeter e da Maastricht University, no Reino Unido, analisou mais de 350 mil participantes com menos de 65 anos para identificar os fatores de risco para demência precoce. Os resultados, publicados na revista científica JAMA Neurology, revelaram 15 fatores de risco modificáveis que podem contribuir para o desenvolvimento da demência precoce.

Os 15 Fatores de Risco Identificados

1. Baixo nível de escolaridade

De acordo com o estudo, a falta de educação formal pode favorecer a deterioração do cérebro e aumentar o risco de demência precoce.

2. Status socioeconômico mais baixo

Indivíduos com um nível socioeconômico mais baixo tendem a ter um estilo de vida menos saudável, o que pode aumentar a probabilidade de desenvolver demência precoce.

3. Variação genética (Genes APOE4)

A presença do gene APOE4, um marcador genético para o diagnóstico de demências como a doença de Alzheimer, pode aumentar o risco de desenvolver demência precoce.

4. Transtorno por uso de álcool

O abuso de álcool pode aumentar o risco de demência, incluindo a doença de Alzheimer, enquanto o consumo moderado pode ter efeitos benéficos na prevenção dessas doenças.

5. Isolamento social

Estudos mostram que a solidão e o isolamento social estão associados a um maior risco de problemas de saúde, incluindo o declínio cognitivo e a demência precoce.

6. Deficiência de vitamina D

A falta de vitamina D no organismo pode estar relacionada ao desenvolvimento da demência precoce. Suplementos de vitamina D podem ajudar a reduzir esse risco.

7. Altos níveis de proteína C reativa

A proteína C reativa é um marcador de inflamação no corpo. Níveis elevados dessa proteína estão associados a um maior declínio cognitivo e podem aumentar o risco de demência precoce.

8. Menor capacidade de agarrar ou segurar objetos usando as mãos

A força de resistência limitada, especialmente nas mãos, pode ser um indicador de envelhecimento cognitivo e aumentar o risco de demência precoce.

9. Abstinência total de álcool

Embora o consumo moderado de álcool possa ter efeitos benéficos na prevenção de doenças como a doença de Alzheimer, a abstinência total pode aumentar o risco de demência precoce.

10. Deficiência auditiva

A perda de audição pode ter um impacto significativo na saúde cognitiva, uma vez que o som estimula o cérebro. A deficiência auditiva pode aumentar o risco de demência precoce.

11. Diabetes

A diabetes pode causar danos nos vasos sanguíneos e é considerada um fator de risco para a demência vascular, a segunda principal causa de demência após a doença de Alzheimer.

12. Doença cardíaca

Pessoas com histórico de doenças cardíacas, como um ataque cardíaco, têm maior probabilidade de desenvolver demência precoce.

13. Depressão

A depressão é comum nas fases iniciais e intermediárias de muitos tipos de demência. Estudos mostram que a depressão é mais prevalente em pessoas com demência do que na população em geral.

14. Hipotensão ortostática

A hipotensão ortostática, caracterizada por uma queda repentina da pressão arterial ao ficar em pé, pode causar danos nas funções cognitivas e aumentar o risco de demência precoce.

15. Acidente vascular cerebral

Ter um histórico de acidente vascular cerebral, como um aneurisma, aumenta as chances de desenvolver demência precoce.

A Importância da Prevenção e Identificação Precoce

Os resultados deste estudo são de extrema importância, pois fornecem uma nova perspectiva sobre a demência precoce e destacam a importância de abordar esses fatores de risco modificáveis para reduzir o número de casos. A demência precoce pode ter um impacto significativo na vida de pessoas que ainda estão ativas no trabalho, com filhos e uma vida ocupada.

Embora os resultados não comprovem que esses fatores de risco sejam a causa direta da demência, eles oferecem esperança de que a prevenção e o tratamento possam ser mais direcionados. A adoção de medidas para reduzir esses fatores de risco pode ajudar a diminuir a incidência da demência precoce e melhorar a qualidade de vida das pessoas afetadas.

No entanto, é importante ressaltar que cada caso de demência é único e requer uma abordagem individualizada. É fundamental consultar um profissional de saúde especializado para avaliar os riscos e fornecer orientações personalizadas.

Conclusão

A demência precoce é uma condição cada vez mais comum, afetando um número crescente de pessoas com menos de 65 anos. Embora a genética desempenhe um papel importante, os estudos recentes revelaram que existem fatores de risco modificáveis que podem contribuir para o desenvolvimento dessa condição.

A identificação desses fatores de risco é um avanço significativo na compreensão da demência precoce e abre caminho para estratégias de prevenção e tratamento mais eficazes. Ao abordar fatores como baixo nível de escolaridade, status socioeconômico mais baixo, deficiência de vitamina D e outros, é possível reduzir o risco de demência precoce e melhorar a qualidade de vida das pessoas afetadas.

A prevenção e a identificação precoce são fundamentais para combater a demência precoce. Consultar um profissional de saúde especializado e adotar um estilo de vida saudável são medidas essenciais para reduzir o risco e promover a saúde cognitiva.

Referências:

  • JAMA Neurology
  • University of Exeter
  • Maastricht University