Afonso Gonçalves, líder do movimento nacionalista Reconquista, foi detido pela Polícia de Segurança Pública (PSP) em Almada durante um protesto descrito por ele como pacífico contra uma marcha de muçulmanos xiitas. A ação ocorreu na sequência de uma manifestação que, segundo Gonçalves, promovia valores radicais incompatíveis com a cultura portuguesa. Durante o protesto, ele exibiu uma faixa com a frase “Portugal aos portugueses”, uma mensagem que, conforme defendeu, buscava chamar a atenção para a preservação da identidade cultural e a segurança nacional. A PSP apreendeu dois megafones e o telemóvel pessoal de Gonçalves, libertando-o horas depois com uma notificação para comparecer em tribunal no dia seguinte.
O incidente gerou intensa discussão sobre os limites da liberdade de expressão e o direito de manifestação em Portugal. Gonçalves, conhecido por sua atuação em defesa de valores nacionalistas, argumenta que sua iniciativa visava alertar para os riscos de ideologias extremistas, especialmente em um contexto de crescente diversidade cultural no país. Ele afirmou, em declarações publicadas nas redes sociais, que a marcha xiita representava uma ameaça à coesão social, apontando para o que descreve como uma “invasão cultural” que poderia comprometer os valores tradicionais portugueses. “Estamos aqui para defender o que é nosso, a nossa história e a nossa identidade”, declarou, reforçando que sua ação não incitava violência, mas buscava diálogo sobre questões de segurança.
A detenção de Gonçalves foi criticada por apoiadores, que a consideram uma tentativa de silenciar vozes nacionalistas. Segundo relatos, a PSP justificou a intervenção por considerar o protesto não autorizado e potencialmente provocador, especialmente por ocorrer em uma área com significativa presença de comunidades imigrantes. A marcha xiita, que segundo fontes locais celebrava uma data religiosa, não registrou incidentes violentos, mas foi alvo de críticas por Gonçalves, que questionou a compatibilidade de práticas religiosas radicais com os princípios seculares e democráticos de Portugal.
O caso reacende o debate sobre a integração de comunidades imigrantes e os desafios de equilibrar a liberdade religiosa com a proteção da identidade nacional. Dados do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) indicam que a população muçulmana em Portugal, embora pequena (cerca de 0,4% da população total, segundo estimativas de 2023), tem crescido em áreas urbanas como Lisboa e Almada, o que alimenta discussões sobre multiculturalismo. Enquanto alguns defendem a abertura à diversidade como um pilar da democracia, outros, como Gonçalves, argumentam que a falta de controle sobre práticas religiosas extremistas pode ameaçar a segurança e a coesão cultural do país.
A atuação da PSP, que incluiu a apreensão de bens pessoais de Gonçalves, também foi alvo de críticas. Seus apoiadores alegam que a medida foi desproporcional para um protesto que não envolveu violência ou desordem pública. O caso será agora avaliado pelo tribunal, que determinará se as ações de Gonçalves configuram infração ou se enquadram no exercício legítimo da liberdade de expressão. Enquanto isso, o incidente intensifica o debate sobre como Portugal deve lidar com a tensão entre a defesa de valores tradicionais e a convivência com comunidades religiosas diversas.