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Lucros Industriais da China Caem 9,1% em Meio a Desafios Econômicos e Tarifas dos EUA

Os lucros das empresas industriais da China registraram uma queda acentuada de 9,1% em maio de 2025, em comparação com o mesmo período do ano anterior, marcando o maior declínio desde outubro de 2024, quando os lucros despencaram 10%. Dados divulgados pelo Escritório Nacional de Estatísticas da China (NBS) apontam que a combinação de deflação persistente, demanda doméstica insuficiente e preços baixos de produtos industriais, intensificados pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos, está exercendo forte pressão sobre o setor industrial do país. Essa retração interrompeu uma sequência de dois meses de crescimento nos lucros, evidenciando as dificuldades enfrentadas pela segunda maior economia do mundo.

No acumulado dos primeiros cinco meses de 2025, os lucros das principais empresas industriais caíram 1,1% em relação ao mesmo período de 2024, revertendo o aumento de 1,4% registrado entre janeiro e abril. O setor de mineração foi particularmente afetado, com uma queda de 29% nos lucros no mesmo período, enquanto as indústrias de manufatura e serviços públicos apresentaram ganhos modestos. O setor automotivo, por exemplo, viu seus lucros diminuírem 11,9%, impactado por uma competição feroz e guerras de preços que levaram as autoridades chinesas a pedirem o fim dessas práticas. Empresas estatais registraram uma queda de 7,4% nos lucros, enquanto as empresas não estatais sofreram uma redução de 1,5%. Já as empresas estrangeiras, incluindo aquelas com investimentos de Hong Kong, Macau e Taiwan, apresentaram um leve aumento de 0,3% nos lucros.

A deflação na porta das fábricas, medida pelo Índice de Preços ao Produtor (PPI), aprofundou-se em maio, com uma queda de 3,3% em relação ao ano anterior, a maior em 22 meses. Em junho, o PPI caiu ainda mais, registrando uma redução de 3,6%, a pior desde julho de 2023. Esse cenário reflete a pressão de preços decorrente de uma oferta de bens que supera a demanda, agravada por uma prolongada crise no setor imobiliário e pela insegurança no mercado de trabalho, que limitam o consumo interno. A inflação ao consumidor (CPI) também permaneceu fraca, com uma queda de 0,1% em maio, marcando o quarto mês consecutivo de declínio, embora tenha registrado um leve aumento de 0,1% em junho.

As tarifas impostas pelos Estados Unidos, que atingiram níveis de até 145% antes de um acordo temporário de 90 dias em maio, reduzindo-as para 51,1%, têm impactado significativamente as exportações chinesas. Em maio, as exportações para os EUA caíram 34,5% em valor, o maior declínio desde fevereiro de 2020, apesar de um crescimento geral de 4,8% nas exportações chinesas, impulsionado por envios para países do Sudeste Asiático. A tentativa de redirecionar produtos destinados aos EUA para o mercado interno tem intensificado as guerras de preços, especialmente no setor automotivo, onde a sobreoferta levou a margens de lucro reduzidas e até ao fechamento de algumas concessionárias.

O governo chinês implementou medidas de estímulo, como a redução de taxas de juros pelo Banco Popular da China em maio e a expansão de programas de subsídios para trocas de bens de consumo, como eletrodomésticos e veículos. No entanto, analistas apontam que essas iniciativas não foram suficientes para reverter a fraqueza na demanda doméstica. Economistas, como Tianchen Xu, da Economist Intelligence Unit, sugerem que as autoridades chinesas podem estar esperando sinais mais claros de deterioração econômica antes de intensificar os estímulos, enquanto outros, como Larry Hu, da Macquarie, alertam que a deflação persistente pode se agravar sem políticas mais robustas.

A resiliência do setor industrial chinês é testada em um momento de incertezas globais, com tensões comerciais contínuas e a possibilidade de novas tarifas americanas. A estratégia de Pequim de priorizar o consumo interno, como destacado pelo primeiro-ministro Li Qiang em seu relatório anual, enfrenta desafios estruturais, incluindo o desemprego urbano de 5,4% e uma taxa de 16,9% entre jovens de 16 a 24 anos, excluindo estudantes. A combinação desses fatores sugere que a economia chinesa precisa de medidas mais assertivas para evitar uma espiral deflacionária mais profunda e sustentar sua meta de crescimento de cerca de 5% para 2025.

Gustavo De Oliveira

Escritor

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