Na madrugada de 24 de junho de 2025, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou um cessar-fogo entre Israel e Irã, com o objetivo de pôr fim à chamada “Guerra dos 12 Dias”. Em uma postagem na plataforma Truth Social, Trump declarou que, após 24 horas, o conflito, iniciado em 13 de junho, seria oficialmente encerrado, com o Irã pausando seus ataques à meia-noite (horário do leste dos EUA) e Israel respondendo 12 horas depois. Contudo, horas após o anúncio, um míssil iraniano atingiu um prédio residencial de sete andares em Be’er Sheva, no sul de Israel, resultando em quatro mortes e mais de 20 feridos, segundo autoridades israelenses. A tragédia abalou a frágil trégua, levantando dúvidas sobre sua viabilidade.
O ataque em Be’er Sheva ocorreu por volta das 6h (horário local), quando sirenes soaram em várias regiões de Israel. A emergência médica Magen David Adom relatou que equipes de resgate encontraram um cenário de destruição, com o prédio severamente danificado. “Foi uma cena devastadora, com escombros por toda parte”, disse um porta-voz da polícia de Israel. Moradores evacuaram o local carregando pertences, enquanto outros expressavam ceticismo sobre a trégua. “Não confio nos iranianos”, disse Ortal Avilevich, residente local, à Associated Press. A ofensiva veio após o Irã lançar mísseis contra a base americana de Al-Udeid, no Qatar, em retaliação a ataques dos EUA a instalações nucleares iranianas no fim de semana anterior. O Qatar, que abriga cerca de 10 mil militares americanos, condenou a ação como uma “violação flagrante” de sua soberania, mas confirmou que suas defesas aéreas, com apoio dos EUA, interceptaram a maioria dos projéteis, sem registro de vítimas.
O Irã, por sua vez, negou ter violado o cessar-fogo, afirmando que seus últimos ataques ocorreram antes da trégua entrar em vigor. A televisão estatal iraniana anunciou que a nação “impôs” a paz ao “inimigo” após uma “operação bem-sucedida” da Guarda Revolucionária. Enquanto isso, Israel acusou o Irã de lançar mísseis após o início do cessar-fogo, e o ministro da Defesa, Israel Katz, ordenou uma resposta “enérgica”, que incluiu um ataque a um radar perto de Teerã. Após intervenção de Trump, que pediu publicamente que Israel não retaliassem, a ofensiva foi limitada. “Israel, não joguem essas bombas. Tragam seus pilotos para casa agora!”, escreveu Trump, expressando frustração com ambos os lados.
A comunidade internacional reagiu com cautela. O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu que ambas as nações respeitem a trégua, enquanto líderes como o presidente francês Emmanuel Macron expressaram apoio condicional, alertando para a volatilidade da região. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, classificou o conflito como uma “vitória histórica”, alegando ter neutralizado ameaças nucleares e balísticas do Irã. Já o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, declarou o fim da guerra como uma “vitória do povo iraniano”. Apesar das tensões, a reabertura do espaço aéreo de Israel e do Irã, bem como a retomada das operações no Aeroporto Ben Gurion, sinalizam que a trégua pode se consolidar.
Para observadores atentos, o episódio destaca a importância de preservar a soberania das nações e buscar soluções que evitem a escalada de conflitos no Oriente Médio. A estabilidade regional, alicerçada no respeito mútuo e na diplomacia, continua sendo um objetivo crítico para evitar novas tragédias como a de Be’er Sheva.