Uma pesquisa do Instituto Datafolha, publicada em 27 de junho de 2025, revelou que 58% dos brasileiros sentem vergonha dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), enquanto apenas 30% afirmam ter orgulho da Corte. O levantamento, conduzido entre 10 e 11 de junho com 2.004 entrevistados em 136 municípios, tem margem de erro de dois pontos percentuais. A pergunta apresentada aos participantes questionava se eles sentiam “mais orgulho do que vergonha ou mais vergonha do que orgulho” em relação a diversas instituições e figuras públicas, incluindo o STF, o presidente da República e o Congresso Nacional.
O índice de desaprovação ao STF reflete um desgaste significativo da imagem da Corte, que nos últimos anos assumiu protagonismo em decisões de grande impacto, como os julgamentos do Mensalão, recursos da Operação Lava Jato e pautas sociais como a descriminalização do aborto de fetos anencéfalos e a legalização da união civil entre pessoas do mesmo sexo. A atuação de alguns ministros, como Alexandre de Moraes, em inquéritos sobre atos antidemocráticos e a condução de investigações relacionadas aos eventos de 8 de janeiro de 2023, tem gerado polarização. Além disso, críticas a eventos internacionais custeados por empresários e a decisões tomadas durante a pandemia de Covid-19 contribuíram para a percepção negativa.
A pesquisa mostra que o sentimento de vergonha é mais pronunciado entre grupos específicos. Entre os apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), 82% expressam vergonha do STF, enquanto apenas 12% sentem orgulho. Entre os eleitores do Partido Liberal (PL), a rejeição é ainda mais alta, alcançando 91%, com apenas 5% declarando orgulho. Por outro lado, entre os eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 52% afirmam ter orgulho da Corte, contra 36% que sentem vergonha. A divisão também aparece em recortes religiosos: 66% dos evangélicos dizem ter vergonha dos ministros, enquanto 22% expressam orgulho; entre os católicos, os números são 56% e 33%, respectivamente.
O STF não está sozinho na reprovação. A pesquisa aponta índices semelhantes de descontentamento com outros poderes: 56% dos entrevistados sentem vergonha do presidente Lula, 58% dos deputados federais e 59% dos senadores. Em contrapartida, instituições como as Forças Armadas (55% de orgulho), prefeitos (62%) e o “povo brasileiro” (61%) registram avaliações mais positivas. A polarização política é evidente, mas a rejeição ao STF transcende preferências partidárias, sugerindo um mal-estar generalizado com a atuação da Corte.
O cenário exposto pelo Datafolha aponta para um desafio à credibilidade das instituições democráticas. O STF, como guardião da Constituição, enfrenta o peso de decisões que, embora necessárias para alguns, geram controvérsia em uma sociedade dividida. A percepção de parcialidade, somada a episódios de exposição pública dos ministros, amplifica a insatisfação. Para muitos brasileiros, a busca por uma justiça que equilibre imparcialidade e respeito às liberdades individuais permanece um ideal distante, enquanto a confiança nas instituições segue abalada.