O governo do Reino Unido anunciou, em 23 de junho de 2025, a proibição da organização Ação Palestina (Palestine Action), classificando-a como grupo terrorista sob a Lei de Terrorismo de 2000. A decisão, aprovada pelo Parlamento britânico em 2 de julho por 385 votos a 26, coloca a organização na mesma categoria de grupos como Hamas, Al-Qaeda e Estado Islâmico, tornando ilegal ser membro, apoiar ou promover suas atividades, com penas que podem chegar a 14 anos de prisão. A medida foi motivada por ações da Ação Palestina, incluindo a invasão da base aérea da RAF Brize Norton em 20 de junho, onde ativistas danificaram dois aviões militares Airbus Voyager com tinta vermelha e pés de cabra, causando prejuízos estimados em £7 milhões.
A secretária do Interior, Yvette Cooper, justificou a proscrição, afirmando que os atos da Ação Palestina, que incluem vandalismo e danos a propriedades, ultrapassam os limites de protestos legítimos e ameaçam a segurança nacional. “O ataque vergonhoso em Brize Norton é apenas o mais recente de uma longa história de danos criminais inaceitáveis”, declarou Cooper. A organização, fundada em 2020, tem como alvo empresas britânicas ligadas à indústria de defesa de Israel, como a Elbit Systems, acusada por eles de cumplicidade em abusos na Palestina. Entre suas ações, destacam-se ocupações de fábricas, destruição de equipamentos e ataques a propriedades, como o campo de golfe Turnberry, de propriedade do presidente americano Donald Trump, em 2024.
A decisão do governo britânico reflete a necessidade de proteger infraestruturas críticas e manter a ordem pública diante de táticas que, embora não envolvam violência direta contra pessoas, causam danos significativos e buscam intimidar. A Lei de Terrorismo de 2000 define terrorismo como atos que envolvem danos graves a propriedades ou ameaças à segurança pública com o objetivo de influenciar o governo ou promover causas ideológicas. A Ação Palestina, ao atacar instalações militares e empresas privadas, cruzou esse limite, justificando sua inclusão na lista de 84 organizações proscritas, que também abrange grupos extremistas como o Maniacs Murder Cult e o Movimento Imperial Russo.
Críticos da Ação Palestina, incluindo autoridades britânicas, argumentam que suas ações não representam protestos pacíficos, mas sim tentativas de desestabilizar instituições democráticas e comprometer a segurança. A invasão de uma base da Força Aérea Real, por exemplo, demonstra um desrespeito pela soberania e pela proteção das forças armadas, que são essenciais para a defesa do Reino Unido. Além disso, a organização já foi associada a prejuízos de milhões de libras em ataques a empresas como a Thales e a Leonardo, reforçando a percepção de que suas táticas vão além da liberdade de expressão e configuram ameaças à estabilidade.
A proscrição da Ação Palestina envia uma mensagem clara: o Reino Unido não tolerará grupos que, sob o pretexto de ativismo, recorrem a ações criminosas para impor suas agendas. A decisão também reforça a importância de proteger a democracia e as instituições contra qualquer forma de extremismo, garantindo que o debate político ocorra dentro dos limites da lei e do respeito à ordem pública.