O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou em 2 de julho de 2025 um novo acordo comercial com o Vietnã, descrito como um marco de cooperação entre as duas nações. O pacto estabelece uma tarifa de 20% sobre todos os bens vietnamitas importados pelos EUA, uma redução significativa em relação aos 46% inicialmente propostos em abril, e impõe uma tarifa de 40% sobre produtos transbordo, que são mercadorias originadas em outros países, como a China, e redirecionadas através do Vietnã para evitar taxas mais altas. Em contrapartida, o Vietnã comprometeu-se a abrir completamente seu mercado aos produtos americanos, eliminando tarifas sobre exportações dos EUA, uma concessão sem precedentes que beneficia diretamente empresas e trabalhadores americanos.
A iniciativa de Trump, anunciada em sua plataforma Truth Social após conversas com o secretário-geral do Partido Comunista do Vietnã, To Lam, reflete sua estratégia de priorizar os interesses econômicos dos EUA. O acordo é um passo firme para corrigir desequilíbrios comerciais, considerando que o Vietnã, sexto maior exportador para os EUA, registrou um superávit comercial de US$ 123,5 bilhões em 2024, segundo dados do Departamento de Comércio dos EUA. A redução da tarifa de 46% para 20% demonstra a habilidade negocial de Trump, que conseguiu um compromisso favorável sem alienar um parceiro comercial importante. A tarifa de 40% sobre transbordo também aborda preocupações de longa data sobre práticas comerciais desleais, como a relocalização de produtos chineses para contornar tarifas americanas, uma medida que reforça a soberania econômica dos EUA.
O acordo beneficia setores americanos como agricultura, tecnologia e automotivo, com destaque para a exportação de veículos SUV e de grande porte, que Trump descreveu como uma “adição maravilhosa” ao mercado vietnamita. A isenção de tarifas para produtos americanos no Vietnã cria oportunidades para empresas como Boeing, que já tem acordos para vender 50 aeronaves ao país, e para exportadores de carne bovina, suína e de aves, que agora terão acesso privilegiado a um mercado em crescimento. Além disso, a decisão de Trump de suspender temporariamente as tarifas de 46% em abril, dando 90 dias para negociações, mostra uma abordagem pragmática que equilibra firmeza com diplomacia, resultando em um acordo que fortalece a economia americana sem escalar tensões comerciais.
A resposta do mercado ao anúncio foi positiva, com ações de empresas como Nike, que produz metade de seus calçados no Vietnã, subindo 4,1%, e a Apple, que tem fábricas no país, registrando ganhos de 2,2%. O índice S&P 500 também atingiu uma máxima intradiária, refletindo otimismo com a estabilidade trazida pelo acordo. A redução das tarifas de importação vietnamitas para zero é vista como um estímulo para as exportações americanas, que cresceram apenas 30% desde 2018, atingindo US$ 13,1 bilhões em 2024, enquanto as importações do Vietnã para os EUA quase triplicaram no mesmo período, alcançando US$ 136,6 bilhões. Essa assimetria comercial, agora abordada, destaca a determinação de Trump em proteger os interesses americanos e promover o crescimento interno.
Embora detalhes sobre a implementação das tarifas de transbordo ainda estejam sendo definidos, o acordo sinaliza um compromisso do Vietnã em combater práticas comerciais questionáveis, como o reetiquetamento de produtos chineses. Essa medida alivia preocupações de autoridades americanas, como o conselheiro comercial Peter Navarro, que já descreveu o Vietnã como um ponto de passagem para produtos chineses. A liderança de Trump na negociação reforça sua promessa de campanha de nivelar o campo de jogo para os trabalhadores e indústrias dos EUA, ao mesmo tempo em que mantém canais abertos para parcerias estratégicas no Indo-Pacífico, onde o Vietnã é um aliado importante contra a influência regional da China.