A Polônia intensificou medidas para proteger suas fronteiras com a Alemanha e a Lituânia após relatos de tentativas de autoridades alemãs de transportar imigrantes em situação irregular para o território polonês. Desde o início de julho de 2025, o governo polonês implementou controles temporários em 52 pontos na fronteira com a Alemanha e 13 com a Lituânia, em resposta ao que descreve como um aumento de travessias ilegais. A decisão, anunciada pelo ministro do Interior, Tomasz Siemoniak, em 6 de julho, visa conter a imigração irregular e reforçar a segurança nacional, especialmente após incidentes que acirraram o debate público, como o assassinato de uma jovem de 24 anos em Torun por um cidadão venezuelano em junho.
Fontes locais relataram que vans da polícia alemã têm utilizado estradas secundárias e trilhos florestais para cruzar a fronteira, supostamente deixando migrantes sem documentos em solo polonês. Em resposta, grupos de cidadãos poloneses, organizados sob o movimento “Patrulha Cidadã”, começaram a monitorar essas áreas, particularmente próximas a cidades como Slubice, na fronteira com Frankfurt an der Oder. Esses voluntários, muitos ligados a movimentos nacionalistas, afirmam estar protegendo a soberania do país contra o que consideram uma prática inaceitável por parte da Alemanha. “Não permitiremos que nosso território seja usado como depósito de migrantes ilegais”, declarou um porta-voz do movimento em entrevista à TVP Info, em 7 de julho.
O governo polonês, liderado pelo primeiro-ministro Donald Tusk, reiterou que apenas autoridades oficiais, como a Guarda de Fronteira, têm permissão para realizar fiscalizações, declarando as “patrulhas cidadãs” ilegais. No entanto, a iniciativa reflete a crescente preocupação entre os poloneses com a imigração, especialmente após incidentes violentos que alimentaram o sentimento nacionalista. Em 6 de julho, cerca de 10.000 pessoas participaram de uma marcha em Torun, organizada por ativistas nacionalistas, em memória da jovem assassinada, reforçando a demanda por políticas migratórias mais rígidas.
A operação “Oeste Seguro”, conduzida pelo exército polonês com cerca de 5.000 soldados, também foi lançada para fortalecer a vigilância na fronteira ocidental. O presidente Andrzej Duda defendeu a soberania nacional, afirmando que “a Polônia não será responsável por resolver os problemas migratórios da Alemanha”. A tensão com Berlim escalou após relatos de que autoridades alemãs, sob ordens do chanceler Friedrich Merz, têm rejeitado solicitantes de asilo na fronteira, redirecionando-os para a Polônia, o que Varsóvia considera uma violação do espírito de cooperação da zona Schengen.
A postura polonesa reflete a determinação de proteger suas fronteiras e preservar a segurança de seus cidadãos, em meio a um contexto de crescentes desafios migratórios na Europa. A mobilização popular, embora controversa, demonstra o compromisso de muitos poloneses em defender sua soberania e resistir a práticas que julgam prejudiciais à ordem nacional.