Os Estados Unidos, a Índia, o Japão e a Austrália, membros do Diálogo de Segurança Quadrilateral (Quad), anunciaram em 1º de julho de 2025 o lançamento da Iniciativa Quad para Minerais Críticos, uma medida estratégica para diversificar as cadeias globais de suprimento de minerais essenciais, como lítio, níquel, cobalto e terras raras. A iniciativa, revelada durante uma reunião de chanceleres em Washington, liderada pelo secretário de Estado americano Marco Rubio, busca reduzir a dependência de um único país, em clara referência à China, que domina a extração e o processamento desses recursos vitais para tecnologias modernas, incluindo baterias de veículos elétricos, semicondutores e equipamentos de defesa. A medida reflete preocupações com a segurança econômica e a estabilidade das cadeias de suprimento, diante da influência de Pequim sobre esses mercados.
Em um comunicado conjunto, os ministros do Quad expressaram “profunda preocupação” com a dependência de um único país para o processamento e refino de minerais críticos, destacando que essa concentração expõe indústrias a “coerção econômica, manipulação de preços e interrupções na cadeia de suprimentos”. Embora a China não tenha sido mencionada explicitamente, o contexto é evidente: o país controla cerca de 85% do processamento global de terras raras, 73% do cobalto, 59% do lítio e 68% do níquel, segundo o World Economic Forum. Além disso, Pequim já utilizou sua posição dominante como ferramenta de pressão geopolítica, impondo restrições de exportação de minerais como gálio, germânio e terras raras em disputas comerciais com os EUA e o Japão, conforme relatado pelo CSIS.
A iniciativa do Quad visa promover parcerias entre os quatro países para fortalecer cadeias de suprimento resilientes, incentivando investimentos em mineração, processamento e reciclagem de minerais. A Austrália, que possui as segundas maiores reservas mundiais de lítio, cobalto, cobre e níquel, desempenha um papel central, com sua Estratégia de Minerais Críticos 2023-2030 prevendo colaborações com os EUA, Japão e Índia para expandir a capacidade de refino. A Índia, por meio da Khanij Bidesh India Ltd. (KABIL), busca adquirir ativos de minerais críticos na África e na América Latina, enquanto o Japão, através da Organização Japonesa para Metais e Segurança Energética (JOGMEC), planeja investir até US$ 120 milhões em projetos de refino na França. Os EUA, por sua vez, estão intensificando a produção doméstica, com a mina de terras raras Mountain Pass, na Califórnia, recebendo apoio do Departamento de Defesa para desenvolver capacidades de separação, segundo o CSIS.
O ministro das Relações Exteriores da Índia, Subrahmanyam Jaishankar, destacou a importância de um “Indo-Pacífico livre e aberto”, uma frase que sinaliza oposição à influência chinesa na região. A Austrália, representada pela ministra Penny Wong, reforçou a necessidade de cadeias de suprimento diversificadas para garantir a segurança econômica. O Japão, sob o ministro Takeshi Iwaya, enfatizou a cooperação em tecnologias emergentes, enquanto Rubio afirmou estar “pessoalmente focado” em avanços concretos na diversificação das cadeias. A iniciativa também inclui planos para um fórum de cabos submarinos e uma parceria para portos do futuro, com uma conferência de logística marcada para Mumbai em outubro de 2025, conforme noticiado pela Economic Times.
A China, que refina cerca de 90% das terras raras globais e controla a maior parte da produção de baterias de íon-lítio, respondeu às iniciativas do Quad com críticas, alegando que elas representam uma “estratégia de contenção” contra Pequim. O histórico de exportações restritivas da China, como o embargo de terras raras ao Japão em 2010 e as recentes proibições de gálio e germânio aos EUA, reforça as preocupações do Quad. Essas ações, combinadas com a capacidade da China de manipular preços ao inundar mercados, como no caso do níquel, que levou ao fechamento de minas na Austrália, destacam os riscos da dependência de um único fornecedor. A iniciativa do Quad, portanto, é vista como um esforço para proteger a segurança nacional e econômica, promovendo cadeias de suprimento confiáveis e resilientes em um cenário global de crescente competição.