Em uma reunião realizada em Bruxelas em 3 de julho de 2025, o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, afirmou à chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, que Pequim não pode aceitar uma derrota da Rússia na guerra contra a Ucrânia. Segundo fontes próximas ao encontro, reportadas pela CNN e pelo jornal South China Morning Post, Wang expressou preocupação de que uma vitória ucraniana, apoiada pelo Ocidente, permitiria aos Estados Unidos redirecionarem seu foco estratégico para a China, intensificando a rivalidade geopolítica no Indo-Pacífico. Essa declaração contradiz a postura pública de neutralidade adotada pelo governo chinês, que repetidamente nega envolvimento direto no conflito e afirma defender uma solução pacífica.
A posição de Wang revela uma estratégia calculada de Pequim, que parece se beneficiar de um conflito prolongado na Ucrânia. Analistas apontam que a China tem interesse em manter a Rússia como um contrapeso às potências ocidentais, especialmente os EUA, enquanto fortalece sua própria influência global. Apesar de negar fornecimento de armas letais, evidências sugerem que empresas chinesas têm fornecido componentes para drones e tecnologia para a produção de mísseis russos, o que levanta dúvidas sobre a sinceridade de sua neutralidade. Além disso, a prisão de dois cidadãos chineses na Ucrânia, em 8 de julho de 2025, acusados de espionar o programa de mísseis Neptune, reforça as suspeitas de envolvimento indireto de Pequim no conflito.
A postura da China, que prioriza seus interesses estratégicos em detrimento de uma resolução pacífica, gera preocupações na Europa e nos Estados Unidos. A OTAN, por meio de seu secretário-geral, Mark Rutte, já havia alertado em 2024 que o apoio chinês à Rússia, incluindo o fornecimento de materiais de dupla utilização, ameaça a segurança europeia. A declaração de Wang, embora feita em um contexto privado, intensifica as tensões com a UE, que pressiona Pequim a cessar qualquer apoio material à máquina de guerra russa. A China, por sua vez, rejeita tais acusações, insistindo que sua posição é “consistente e clara” em favor da paz, enquanto mantém uma parceria estratégica com Moscou, formalizada como “sem limites” em 2022.O envolvimento da China no conflito, ainda que indireto, reflete uma visão pragmática que coloca seus interesses geopolíticos acima de princípios de neutralidade ou estabilidade global. Essa abordagem, que fortalece a Rússia em um momento crítico, desafia a ordem internacional baseada em regras e levanta questões sobre o papel de Pequim em conflitos futuros, especialmente em relação a Taiwan. A postura de Wang Yi, ao sugerir que a China prefere um conflito prolongado para desviar a atenção dos EUA, evidencia uma estratégia que pode comprometer a busca por uma paz justa na Ucrânia.