O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, anunciou em 27 de fevereiro de 2024 a retirada de conteúdos relacionados à ideologia de gênero do currículo das escolas públicas do país. A medida, implementada pelo Ministério da Educação, incluiu a revisão de livros didáticos, guias pedagógicos e materiais audiovisuais, eliminando referências a temas de gênero e diversidade sexual. Segundo o governo, a decisão busca focar em disciplinas fundamentais, como matemática, ciências e língua espanhola, e reforçar valores tradicionais, alinhados à cultura e às expectativas da sociedade salvadorenha. A iniciativa gerou apoio entre setores conservadores, mas também críticas de organizações que defendem os direitos humanos.
O ministro da Educação, José Mauricio Pineda, utilizou as redes sociais para confirmar a medida, afirmando que “o sistema educativo deve preparar os jovens para os desafios do futuro, sem distrações de conteúdos que não refletem as prioridades do país”. O governo destacou que a reformulação curricular visa melhorar a qualidade da educação, apontando que apenas 30% dos alunos do ensino fundamental dominam habilidades básicas de leitura e matemática, segundo dados do Banco Mundial de 2023. A ênfase em valores tradicionais, como família, respeito e responsabilidade, foi apresentada como uma forma de fortalecer a coesão social em um país que enfrenta desafios históricos, como violência e desigualdade.
A decisão de Bukele reflete uma visão de governo que prioriza a soberania cultural e a preservação de costumes enraizados na sociedade salvadorenha, onde cerca de 80% da população se identifica como cristã, conforme pesquisa da Pew Research de 2020. Autoridades afirmaram que a remoção da ideologia de gênero não implica discriminação, mas sim uma escolha por conteúdos que atendam às demandas dos pais, que, em enquetes locais, expressaram preferência por uma educação centrada em princípios tradicionais. O governo também determinou que professores que insistirem em abordar temas de gênero poderão enfrentar sanções, incluindo demissão, para garantir o cumprimento da nova diretriz.
Críticos da medida, como a organização Human Rights Watch, argumentaram que a exclusão desses conteúdos pode marginalizar minorias e limitar o debate sobre diversidade, essencial para uma sociedade inclusiva. A Anistia Internacional expressou preocupação com o impacto da decisão no combate à discriminação de gênero, destacando que El Salvador já enfrenta desafios na proteção de direitos de grupos vulneráveis. No entanto, o governo refutou as críticas, afirmando que a prioridade é formar cidadãos preparados para contribuir com o desenvolvimento nacional, sem adotar agendas externas.
A reformulação curricular ocorre em um contexto de alta popularidade de Bukele, que mantém aprovação de cerca de 83%, segundo pesquisa da Universidade Centroamericana (UCA) de maio de 2025. Sua gestão, marcada por políticas de segurança que reduziram a violência de gangues, também tem apostado em medidas que reforçam valores conservadores, como a promoção de eventos culturais que celebram a família e a identidade nacional. A decisão sobre o currículo escolar reforça essa abordagem, alinhando-se às expectativas de uma base de apoio que valoriza a retomada de princípios tradicionais em um país que busca reconstruir sua estabilidade social.