O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, de 86 anos, está escondido em um bunker em Teerã, com medo de ser alvo de um assassinato por Israel ou pelos Estados Unidos, em meio à escalada do conflito iniciado em 13 de junho de 2025. Segundo fontes iranianas citadas pelo The New York Times, Khamenei suspendeu todas as comunicações eletrônicas, como celulares e internet, para evitar ser localizado, passando a se comunicar exclusivamente por meio de um assessor de confiança. Em um movimento inédito, ele nomeou três clérigos seniores como potenciais sucessores, caso seja eliminado, sinalizando sua preocupação com a sobrevivência do regime teocrático que lidera desde 1989. A decisão reflete o momento de extrema vulnerabilidade do Irã, após ataques devastadores de Israel e dos EUA contra suas instalações nucleares.
A paranoia de Khamenei é alimentada por ameaças diretas de líderes israelenses, como o ministro da Defesa, Israel Katz, que declarou que o aiatolá “não pode continuar a existir”, e pelo presidente americano Donald Trump, que afirmou saber sua localização exata, mas optou por não eliminá-lo “por enquanto”. Os ataques aéreos israelenses, apoiados pelos EUA, destruíram usinas nucleares em Fordow, Natanz e Isfahan, matando comandantes de alto escalão, como Mohammad Bagheri, chefe do Estado-Maior, e cientistas nucleares. A perda de 11 oficiais militares e 14 cientistas em uma semana intensificou o temor de infiltração israelense, levando o Ministério da Inteligência iraniano a ordenar que oficiais e comandantes permaneçam escondidos e evitem comunicações digitais.
Khamenei, que normalmente opera de um complexo fortificado em Teerã, conhecido como “beit rahbari”, foi transferido para um bunker em Lavizan, no nordeste da capital, segundo a Iran International. Sua decisão de nomear sucessores, comunicada à Assembleia de Especialistas, o órgão responsável por escolher o próximo líder supremo, visa garantir a continuidade do regime em caso de sua morte. Surpreendentemente, seu filho, Mojtaba Khamenei, de 56 anos, um clérigo próximo à Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) e considerado um favorito, não está entre os três indicados. Outro possível sucessor, o ex-presidente Ebrahim Raisi, morreu em um acidente de helicóptero em 2024. A exclusão de Mojtaba pode ser uma tentativa de protegê-lo de ataques ou evitar a percepção de uma sucessão dinástica, que poderia desestabilizar o regime.
O Irã enfrenta uma crise sem precedentes. Os ataques, que causaram mais de 600 mortes e danos a infraestruturas críticas, expuseram a fragilidade das defesas iranianas, com o sistema S-300 incapaz de conter drones e mísseis inimigos. A economia, já abalada por sanções que reduziram as exportações de petróleo em 70% desde 2018, sofre com cortes de energia e deslocamentos populacionais. Internamente, protestos crescem, incentivados por figuras como Reza Pahlavi, que convocou um levante contra a teocracia. Apesar disso, Khamenei, em duas mensagens gravadas, insistiu que o Irã “não se renderá a uma guerra imposta”, projetando resistência mesmo de seu esconderijo.
A nomeação de sucessores e o isolamento em um bunker revelam um líder acuado, ciente de que sua sobrevivência está em risco. A escolha de clérigos para a sucessão sugere uma tentativa de preservar a essência revolucionária do regime, mas também expõe a urgência de planejar uma transição em meio ao caos. Enquanto Khamenei se protege, o Irã enfrenta a possibilidade de colapso, com sua liderança fragmentada e incapaz de responder eficazmente à ofensiva militar e à pressão interna.