A Argentina alcançou um marco econômico significativo em maio de 2025, registrando uma inflação mensal de apenas 1,5%, a menor em cinco anos, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística e Censos (INDEC). A taxa anual caiu para 43,5%, uma redução de cerca de 80% em relação ao pico de 211% em dezembro de 2023, quando o presidente Javier Milei assumiu o cargo. Essa conquista, destacada por veículos como a Reuters e o Buenos Aires Times, é atribuída às políticas de austeridade e liberalização econômica implementadas pelo governo Milei, que têm transformado a economia argentina, outrora marcada por hiperinflação e instabilidade. A queda drástica da inflação reflete o êxito de medidas ortodoxas que priorizam a disciplina fiscal e a confiança no mercado, oferecendo esperança para um país que há décadas enfrenta crises econômicas.
Logo após assumir a presidência em dezembro de 2023, Milei, um autoproclamado “anarcocapitalista”, introduziu reformas radicais para combater a inflação galopante. Entre as medidas estão a desvalorização inicial de 50% do peso argentino, a eliminação de controles cambiais rígidos (o chamado “cepo”), cortes de 50 mil empregos públicos, redução de subsídios a combustíveis e transportes e a suspensão de obras públicas. Essas ações, embora impopulares, resultaram no primeiro superávit fiscal em 12 anos em 2024, conforme relatado pelo The Associated Press. O Banco Central da Argentina (BCRA) também adotou uma política monetária restritiva, reduzindo a emissão de moeda e aumentando as reservas internacionais em US$ 6 bilhões, segundo o Real Instituto Elcano. A desvalorização controlada do peso, com uma depreciação mensal de 2%, contribuiu para estabilizar o câmbio, enquanto a inflação real, descontada a depreciação intencional, caiu para 0,4% em alguns meses, evidenciando o sucesso técnico das reformas.
Os resultados são palpáveis. A inflação mensal, que atingiu 25,5% em dezembro de 2023, caiu progressivamente: 20,6% em janeiro, 13,9% em fevereiro, 11% em março, 8,8% em abril e 2,4% em novembro de 2024, antes de alcançar 1,5% em maio de 2025. A inflação acumulada nos últimos 12 meses, que chegou a 289,4% em abril de 2024, foi reduzida para 43,5% em maio de 2025, a menor desde março de 2021, conforme o FocusEconomics. Setores como transporte, alimentos, habitação e serviços públicos registraram desaceleração nos preços, com educação caindo de 21,6% em março para 2,5% em abril de 2025. O índice de risco-país, medido pelo JP Morgan, despencou de 2,500 pontos em 2023 para cerca de 750 em 2025, o menor em cinco anos, sinalizando maior confiança dos investidores, segundo o Al Jazeera.
A estabilização econômica também atraiu apoio internacional. Em abril de 2025, a Argentina recebeu US$ 12 bilhões de um novo empréstimo do Fundo Monetário Internacional (FMI), parte de um programa de US$ 20 bilhões para sustentar as reformas, conforme o World Bank. O FMI elogiou o “progresso impressionante” do governo, destacando a redução da inflação e a recuperação de indicadores sociais. A economia, que contraiu 2,1% no primeiro trimestre de 2024, cresceu 3,9% no último trimestre, impulsionada por uma recuperação de 80,2% na agricultura após uma seca severa, segundo a Wikipedia. Projeções do BBVA e Goldman Sachs estimam um crescimento de 5,5% e 3,5%, respectivamente, em 2025, com a inflação anual prevista para 28,6%, conforme a pesquisa de expectativas do Banco Central.
Embora os desafios persistam, como o aumento da pobreza para 50% em 2024 e a recessão causada pela austeridade, sinais de recuperação são evidentes. O consumo e a indústria mostram ganhos, e o crescimento real dos salários superou a inflação por seis meses consecutivos até setembro de 2024, segundo o Al Jazeera. A popularidade de Milei, sustentada por uma oposição peronista enfraquecida, reflete a aceitação de que os sacrifícios iniciais eram necessários para apagar o “incêndio” da inflação, como descreveu o cientista político Sebastián Mazzuca ao The Associated Press. A trajetória da Argentina demonstra que a disciplina fiscal e a liberdade econômica podem pavimentar o caminho para a estabilidade, oferecendo um modelo para nações que valorizam a responsabilidade e a prosperidade a longo prazo.