O presidente dos Estados Unidos, Donald J. Trump, revelou em 20 de maio de 2025, a partir do Salão Oval, um ambicioso plano para desenvolver o Golden Dome, um sistema de defesa antimísseis que promete revolucionar a segurança nacional. Com um custo estimado de US$ 175 bilhões, dos quais US$ 25 bilhões já foram propostos em um projeto de lei orçamentária, o programa visa criar uma rede de satélites e sensores espaciais capaz de detectar e interceptar mísseis, incluindo os lançados de qualquer parte do mundo ou até mesmo do espaço. Trump, acompanhado pelo secretário de Defesa, Pete Hegseth, afirmou que o sistema estará “totalmente operacional” antes do fim de seu mandato, em janeiro de 2029, e nomeou o general da Força Espacial Michael Guetlein para liderar o projeto. A iniciativa, que conta com o interesse do Canadá, reflete a prioridade de proteger a soberania americana contra ameaças crescentes, reforçando a importância de uma defesa robusta em um mundo de tensões geopolíticas.
O Golden Dome, inspirado no sistema Iron Dome de Israel, mas em escala muito maior, é projetado para enfrentar mísseis balísticos, hipersônicos, de cruzeiro e até drones, sejam convencionais ou nucleares. Segundo a Casa Branca, o sistema integrará tecnologias de ponta, incluindo interceptores baseados no espaço – uma novidade para os EUA – e sensores terrestres e marítimos, como os já em desenvolvimento pela L3Harris em Fort Wayne, Indiana. O projeto responde a alertas do Pentágono sobre a sofisticação de mísseis desenvolvidos por adversários como China e Rússia, que, segundo a Defense Intelligence Agency, exploram lacunas nas defesas americanas. A proposta também incorporará sistemas existentes, como as baterias Patriot fornecidas à Ucrânia, e exigirá redes avançadas de comando e controle para integrar sensores e interceptores em uma defesa coesa.
A participação do Canadá, confirmada por Trump e pelo primeiro-ministro Mark Carney, adiciona uma dimensão estratégica ao projeto. Em comunicado, o governo canadense destacou que as discussões com os EUA incluem o fortalecimento do NORAD e iniciativas como o Golden Dome, embora detalhes sobre a contribuição de Ottawa, incluindo custos e responsabilidades, permaneçam incertos. A colaboração reflete a interdependência de segurança na América do Norte, com o Canadá planejando instalar radares no Ártico, essenciais para monitorar ameaças vindas do Polo Norte. No entanto, a parceria enfrenta desafios, já que o orçamento canadense só será definido no outono de 2025, e há debates internos sobre o papel do país em abater mísseis balísticos, um tema controverso.
O financiamento do Golden Dome, no entanto, é alvo de controvérsias. Embora Trump tenha destacado a alocação inicial de US$ 25 bilhões em sua proposta legislativa, apelidada de “One Big Beautiful Bill”, o Congressional Budget Office estima que os componentes espaciais do sistema podem custar entre US$ 161 e US$ 542 bilhões ao longo de duas décadas. Críticos, como o senador democrata Jack Reed, questionam a viabilidade do projeto, chamando-o de “fundo ilimitado” sem metas claras, enquanto apoiadores, como o senador republicano Roger Wicker, defendem o investimento como essencial para a segurança nacional. A proposta também gerou reações internacionais, com China e Rússia criticando o sistema como “desestabilizador”, alertando para uma possível corrida armamentista no espaço.
O Golden Dome representa um marco na estratégia de defesa dos EUA, ecoando a Iniciativa de Defesa Estratégica de Ronald Reagan, mas com tecnologias mais avançadas, como as constelações de satélites inspiradas na rede Starlink da SpaceX, que já opera cerca de 7.000 satélites. Empresas como SpaceX, Palantir e Anduril estão entre as favoritas para contratos, enquanto a L3Harris já investiu US$ 150 milhões em sensores espaciais que podem ser adaptados ao projeto. Para muitos americanos, o Golden Dome simboliza um compromisso com a proteção do território nacional, reforçando valores de segurança e soberania em um cenário global cada vez mais complexo.