O governo do presidente Donald Trump anunciou, em 19 de março de 2025, a suspensão de aproximadamente US$ 175 milhões em fundos federais destinados à Universidade da Pensilvânia, uma das instituições mais prestigiadas dos Estados Unidos e sua alma mater. A medida, divulgada por meio de uma postagem em uma conta oficial da Casa Branca no X, foi justificada pelas políticas da universidade que permitem a participação de atletas transgênero em competições esportivas femininas, algo que a administração considera uma violação de seus princípios de equidade no esporte.
A decisão está alinhada com uma ordem executiva assinada por Trump em 5 de fevereiro de 2025, intitulada “Mantendo Homens Fora dos Esportes Femininos”, que proíbe atletas transgênero de competir em categorias femininas em instituições que recebem financiamento federal. A Casa Branca destacou que a suspensão reflete uma promessa de campanha de Trump para “proteger as atletas mulheres”, apontando especificamente o caso de Lia Thomas, uma nadadora transgênero que competiu pela equipe feminina da universidade em 2022 e se tornou a primeira atleta abertamente trans a vencer um título da Divisão I da NCAA. Os fundos suspensos, provenientes dos Departamentos de Defesa e Saúde e Serviços Humanos, fazem parte de uma revisão de gastos discricionários, não diretamente ligada à investigação do Departamento de Educação sobre supostas violações do Título IX, iniciada em fevereiro.
A Universidade da Pensilvânia, que recebeu mais de US$ 1 bilhão em fundos federais em 2024, segundo o jornal estudantil The Daily Pennsylvanian, respondeu por meio de um porta-voz que ainda não foi oficialmente notificada da suspensão ou de seus detalhes. “É importante notar, contudo, que Penn sempre seguiu as políticas da NCAA e da Ivy League sobre a participação de estudantes em equipes esportivas”, afirmou Ron Ozio, enfatizando que a instituição permanece em conformidade com as regulamentações aplicáveis às universidades da Ivy League. A universidade já havia enfrentado controvérsias em 2022, quando a participação de Thomas gerou debates nacionais e uma ação judicial movida por ex-nadadoras em fevereiro de 2025, alegando discriminação sob o Título IX.
A suspensão dos fundos é parte de uma ofensiva mais ampla da administração Trump contra políticas de inclusão de transgêneros no esporte e em outras esferas públicas. No início de março, o governo já havia cortado US$ 400 milhões em contratos e subsídios da Universidade de Columbia por questões relacionadas ao antissemitismo, sinalizando uma disposição de usar o poder financeiro federal para moldar as políticas das instituições acadêmicas.
A medida gerou reações mistas. Figuras conservadoras, como a ex-nadadora Riley Gaines, que competiu contra Thomas, celebraram a decisão como um passo para preservar a justiça nos esportes femininos.
O impacto financeiro e acadêmico da suspensão na Universidade da Pensilvânia ainda é incerto, mas o precedente pode afetar outras instituições sob escrutínio federal.