Assine Agora

Edit Template

Folha Do MS

VI Seminário Estadual da Água Debate Gestão Hídrica Frente às Mudanças Climáticas em Mato Grosso do Sul

No dia 21 de março de 2025, a Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS) abriu suas portas para o VI Seminário Estadual da Água, um evento que reuniu especialistas, gestores públicos, produtores e representantes da sociedade civil no Plenário Júlio Maia, em Campo Grande. Proposto e coordenado pelo deputado Renato Câmara (MDB), presidente da Frente Parlamentar de Recursos Hídricos, o seminário teve como foco os desafios da gestão hídrica em um cenário de mudanças climáticas, buscando soluções que conciliem preservação ambiental e desenvolvimento sustentável. A data, que coincide com o Dia Mundial da Água, reforçou a relevância do tema para o estado, conhecido por sua abundância hídrica, mas também por sua vulnerabilidade diante de pressões ambientais.

Renato Câmara abriu o evento destacando a consolidação do seminário como um marco de debates técnicos e um registro histórico para as futuras gerações avaliarem as ações planejadas hoje. “Este espaço nos permite alinhar produção e preservação, desmistificando informações falsas com o suporte de parceiros como Embrapa, Imasul e universidades”, afirmou o deputado, que também preside a Comissão de Meio Ambiente da ALEMS. Outro parlamentar presente, Professor Rinaldo Modesto (Podemos), comparou a água a um tesouro, citando a impressão de um amigo jordaniano que se maravilhou com a riqueza hídrica do estado, mas lamentou as desigualdades globais no acesso a esse recurso.

A primeira mesa de discussões, moderada por Ana Luzia Abrão, mestre em Saneamento Ambiental e Recursos Hídricos, abordou os usos múltiplos dos recursos hídricos. Câmara palestrou sobre as “Fragilidades e Oportunidades da Hidrovia do Rio Paraguai”, enfatizando o amor pelo Pantanal como ponto de partida. Ele mencionou a Lei do Pantanal, da qual foi relator, que limita a expansão de culturas como soja e eucalipto na região, e o Fundo do Pantanal, inspirado no modelo amazônico, como ferramentas de proteção. “A hidrovia pode reduzir acidentes nas rodovias e impactos à fauna, mas exige estudos de viabilidade econômica”, ponderou.

Representando o Governo do Estado, Andreliz Souza, da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento (Semadesc), apresentou políticas públicas como o Plano Estadual de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), o Prosolo e o Projeto de Proteção da Nascente do Rio Aquidauana, além de parcerias em Bonito e a criação do Comitê da Bacia do Rio Pardo. Leonardo Sampaio, gerente de Recursos Hídricos do Imasul, detalhou as ações do órgão, como o monitoramento da qualidade dos rios e a regularização de barragens. “Cuidamos de mais de 180 mil trechos de rios, com oito estações medindo água em tempo real, mas os investimentos, embora constantes, ainda são limitados”, explicou.

A segunda mesa, mediada por Daniele Coelho Marques, doutora em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional, focou nas mudanças climáticas e na preservação hídrica no campo e na cidade. Arlindo Muniz, da Comissão de Meio Ambiente da OAB-MS, defendeu a necessidade de dados precisos para uma legislação eficaz. “Sem medição, não há gestão. O desperdício e a má administração não podem ser tolerados”, disse, emocionando-se ao recordar memórias pessoais ligadas à água. Jordana Girardello, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), destacou o papel da agropecuária, que ocupa 30,2% do território brasileiro enquanto 66,3% é dedicado à vegetação nativa. “Com tecnologia, o setor pode se adaptar às mudanças climáticas e garantir segurança alimentar, vendo o produtor como aliado da preservação”, afirmou.

O superintendente do Ministério da Saúde em Mato Grosso do Sul, Ronaldo de Souza Costa, trouxe uma visão crítica ao plenário lotado. “Somos privilegiados com o Aquífero Guarani e duas grandes bacias, mas a destruição de nascentes e o uso de 47,78 mil toneladas de agrotóxicos em 2022, segundo o IBAMA, ameaçam essa riqueza”, alertou, questionando a equidade no consumo hídrico entre empresas e a população. O evento, transmitido ao vivo pelo Facebook e YouTube da ALEMS, reforçou a urgência de uma gestão responsável para proteger um recurso vital ao estado e ao planeta.

Gustavo De Oliveira

Escritor

Recentes

  • All Posts
  • Ciência
  • Crime e Justiça
  • Economia
  • Educação
  • Entretenimento
  • Esportes
  • Mato Grosso Do Sul
  • Meio Ambiente
  • Mundo
  • Política
  • Saúde
  • Tecnologia
Edit Template
Você foi inscrito com sucesso! Ops! Algo deu errado, tente novamente.

Links Rápidos

Termos e Condições

Política de Privacidade

Postagens Recentes

  • All Posts
  • Ciência
  • Crime e Justiça
  • Economia
  • Educação
  • Entretenimento
  • Esportes
  • Mato Grosso Do Sul
  • Meio Ambiente
  • Mundo
  • Política
  • Saúde
  • Tecnologia

Contate-Nos

© 2024 Folha Do MS. Todos os direitos reservados.