Dourados-MS,
Câmara_novo

Após processante instaurada, vereador usa tribuna para desabafar contra denúncia

Politica
Fonte
  • Extra-Pequena Pequena Media Grande Extra-Grande
  • Padrão Helvetica Segoe Georgia Times

O vereador Júnior Rodrigues (PR) usou quase 10 minutos da sessão ordinária de ontem (3) para comentar a acusação contra ele por suposto crime de responsábilidade política administrativo em contrato firmado pela Funsaud (Fundação de Saúde de Dourados) com lavanderia dirigida por um amigo pessoal do parlamentar. 

A fala foi enfatizada por agradecimentos aos colegas parlamentares, que acataram a denúncia protocolada pela ex-vereadora Virgínia Magrini e que agora ativa atuação de comissão processante para apuração do fato. Rodrigues pode perder o mandato caso os parlamentares identifiquem indícios que legitimem a denúncia e o parlamento aceite o relatório final de acusação.

Além disso, o vereador aproveitou o tempo para refutar as argumentações e chamou de absurdas, as suspeitas levantadas pela Controladoria Geral da União (CGU), que em auditoria na Funsaud, cita irregularidades no contrato com a Global Serv, empresa chefiada por John Paulo Bogarin Gomes, amigo de longa data de Júnior Rodrigues.

Para a CGU, há indícios de que Bogarin teria garantido contrato de prestação de serviço ao Município com apoio do vereador. Rodrigues foi líder da base de sustentação do governo Délia, na Câmara, durante os dois primeiros anos de mandato e sempre teve bom trânsito nos gabinetes da administração municipal. 

Após a efetivação do contrato, firmado em caráter de urgência, um assessor de Júnior, Thiago Caetano Alves, solicitou exoneração para assumir a gerência da Global Serv. A esposa de John também é citada, já que além de ser beneficiada pelos negócios do marido, a mulher também atuou na equipe de articulação política do vereador.

“Estou sendo acusado por ser amigo do dono da empresa[...] Eu vejo como a grande oportunidade diante desta casa de provar para as pessoas que me acusam e também provar para aquelas que me subjugam, que sou inocente. Nunca sequer entrei numa sala de licitação da prefeitura municipal. Nunca tive envolvimento nenhum. Se hoje essa empresa presta serviço para o município, é mérito único e exclusivo do seu proprietário e das pessoas que se envolvem nessa empresa. Jamais tive uma fala sequer com a prefeita ou quem quer que seja para que beneficiasse essa ou aquela empresa”, disse.

O parlamentar aproveitou para criticar os débitos da Funsaud com a Global Serv, que segundo Rodrigues gira em torno de quase R$ 1 milhão. Segundo o parlamentar, o proprietário da empresa estaria sendo prejudicado pela suspeita apontada no relatório da CGU. 

Júnior ainda disse que nas redes sociais comenta-se que ele, John Bogarin e Thiago Caetano, serão “os próximos hóspedes” da PED (Penitenciária Estadual de Dourados). 

“Estou sendo acusado por uma pessoa que se quer sabe quem eu sou, não conhece a minha história, não sabe da onde eu vim. E eu vou provar isso, para as pessoas que me elegeram. [...] Que seja instaurado processante a que quer que seja, porque é a grande oportunidade que temos de recuperar a credibilidade desta Casa e provar para sociedade e nossa família a nossa inocência. E se não for provado que seja cassado porque não é digno de ser vereador de uma cidade da qualidade e do porte de Dourados”, concluiu.

O discurso foi exibido e está disponível no youtube durante os trechos 2h35m até 2h44m.