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Terceiro envolvido, 'Gordo' usou formação para se passar por pecuarista

'Gordo': preso em 2004 por receptação e uso de documentação falsa - Foto: Divulgação/Batalhão de Choque/PM-MS

Campo Grande
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Técnico em inseminação artifical em animais, morador de Rondonópolis (MT) e articulador da tentativa de roubo da aeronave em fazenda de Aquidauana na manhã de quarta-feira (18). Esse é o perfil de José Carlos Netto Cabreira, 51 anos, conhecido entre a bandidagem como 'Gordo' e preso pelo Batalhão de Choque (tropa de elite da PM) em um hostel no bairro Universitário, região sul de Campo Grande, no momento em que fingia ser um pecuarista interessado na compra do objeto pelo qual copntratou comparsas para roubar.

É o terceiro integrante da quadrilha rachada na quarta. Horas antes de sua prisão, Rosival Fernandes da Cruz, 42, e José Donizeti da Silva, 52, comparsas de Cabreira, morreram ao trocarem tiros com policiais do Choque na fazenda em Aquidauana.

Conforme revelado anteriormente, o setor de inteligência da PM recebeu denúncia de que haveria o roubo de uma aeronave. Haviam três na fazenda. Os policiais ficaram à espera dos suspeitos e, assim que chegaram, houve resistência à voz de prisão. Depois de baleados, Cruz e Silva foram levados a um pronto-socorro da região, mas não resistiram aos ferimentos. Ambos já haviam sido presos anteriormente por crimes como estelionato e furto. Em 2016, a Polícia Civil os deteve por envolvimento com traficantes do Pará.

Aviões em hangar na fazenda de Aquidauana: desejo dos bandidos (Foto: Divulgação/Batalhão de Choque)

Nesse cenário, não é difícil fazer a ligação com 'Gordo'. Conhecido pela atuação criminosa no estado vizinho, onde mora desde os anos 1990, apesar de ter nascido em Dourados, já fora preso em Mato Grosso do Sul em 2004. Foi flagrado pela Polícia Militar Rodoviária em Sidrolândia com objetos roubados. Apresentou documento falso. E no ano seguinte ganhou o direito de responder o processo em liberdade por alegar ter residência fixa e emprego conceituado.

A formação, aliás, é a principal arma de 'Gordo' para se aproximar das vítimas. Pelas inseminações, obtém informações privilegiadas sobre bens e posses de fazendeiros. Foi assim que descobriu os três aviões em Aquidauna. E a possibilidade do dono vender um deles. Então pensou no plano para ter sua própria aeronave à disposição para buscar cocaína na Bolívia e levar para os amigos dos comparsas na Região Norte do Brasil.

De acordo com a PM, 'Gordo' confessou que contratara os dois suspeitos mortos para o crime, sem mencionar valores pagos, apenas que comprou armas para eles. Não confirma, contudo, uma quarta participação, justamente a de um propvável piloto.

Mas a megalomania do plano tinhas falhas, que se mostraram evidentes. De acordo com o Choque, o dono das aeronaves desconfiou do discurso de 'Gordo' ao telefone se passando por potencial comprador e ameaçou avisar um amigo seu policial civil. Pudera, primeiro usou o nome de 'Zé Paulo' e depois chegou a oferecer R$ 500 mil.

Vendo que a potencial vítima não caiu na história inventada, 'Gordo' avisou por telefone os comparsas, que decidiram por conta prórpia seguir com o planejado.

Com documentos e celulares do trio apreendidos, as investigações seguirão para descobrir se há mais ramificações da quadrilha no Estado. O principal objetivo é identificar pilotos possivelmente contratados para tirar o avião da fazenda e que podem ter fugido ao perceberem a presença da polícia.

Outro ponto a ser apurado é se 'Gordo' tem algum tipo de participação em outro roubo recente de aeronave ocorrido em Mato Grosso do Sul, mais precisamente em Coxim, em outubro do ano passado.


Cruz e Silva: presos em 2016 por envolvimento com quadrilha de traficantes do estado do Pará (Foto: Álvaro Rezende)

 

 

Correio do Estado