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Rússia anuncia que suspenderá compra de carne brasileira

Rússia anuncia que suspenderá compra de carne brasileira

O serviço sanitário russo anunciou na última segunda-feira (20) que suspenderá temporariamente todas as compras de carne suína e bovina brasileiras, totalizando 92 plantas que comercializam a matéria-prima para o país euroasiático.

O motivo seria a identificação de um produto denominado ractopamina, utilizado para estimular o crescimento e ganho de peso de animais criados em confinamento. Apesar de ser proibido no território, o medicamento é considerado um suplemento alimentar e aceito por outros importadores da carne brasileira.

Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a Rússia respondeu por cerca de 40% das vendas brasileiras de proteína animal, até o mês de setembro, contribuindo para a a boa posição do Brasil na exportação de carne bovina e suína.

Especialistas avaliam que o embargo é uma tentativa de refrear o aumento da alíquota de importação de carne brasileira na Rússia, numa tentativa de proteger a indústria local. Somado a isso existe uma pressão para que o Brasil continue a comprar o trigo do leste europeu, que registrou no principal produto de exportação, a presença de dois tipos de pragas que podem contaminar lavouras nacionais de trigo, soja e milho.

SOBRE A RACTOPAMINA

A ractopamina foi descoberta em 1958 e teve seu uso comprovado como composto para alimentação animal em 1979. Seu uso é permitido em vários países para a alimentação animal, incluindo EUA e Canadá.

No Brasil seu uso também encontra amparo legal e existem produtos no mercado, desde o final dos anos noventa e início do segundo milênio, para suínos e bovinos, respectivamente.

O médico veterinário Gerson Catalan, diretor técnico do Instituto Catarinense de Defesa Agropecuária, afirma que a ractopamina não representa qualquer perigo ao consumidor. E acrescenta: “A Ractopamina não é um promotor de crescimento e sim um repartidor de energia. Atua principalmente na conversão alimentar, no ganho de peso diário (atinge o peso desejado de abate mais cedo) e faz com que a carcaça do suíno tenha um menor percentual de gordura, ou seja, traz benefícios econômicos ao produtor e carne com menor percentual de gordura que é mais saudável para o consumidor”.

Correio do Estado